sábado, 22 de outubro de 2011

EU TENHO ESPERANÇA

Professor Gelcimar da Silva Pereira Nunes
INTRODUÇÃO
Gosto de falar de sonhos, pois eles abrem as janelas da alma, reacendem a chama da existência e criam significados para a vida. Aliás, a vida só tem sentido se for revestida de propósito. Ninguém existe simplesmente por existir. Há uma razão para a existência que remota para a origem de cada ser humano e vai além da discussão da ascendência, pois passa pela transcendência que nos envolve. Contudo, falar do transcendente, do espiritual ultrapassa a dimensão da matéria. Por isto, muitos têm receio de se aventurar nessa área e estão propensos a afirmar: “são coisas de metafísicos fanáticos”.
FLERTAR COM A ESPERANÇA
A esperança não surge do nada. Ela é fundamentada em uma crença que, por sua vez, orienta uma filosofia de vida. Ou seja, eu sou aquilo que acredito e isto vai definir o passo a ser dado, o meu futuro. Ninguém consegue viver sem uma crença ou uma ideologia: cristãos, místicos, ateus, judeus, gentios, ricos e pobres, etc. Apesar dos materialistas apontarem foco da sua esperança na emperia e a ciência; contudo, acredito nos mistérios da alma invisível, reclamando por imortalidade. Sou forjado a acreditar no dualismo da existência: matéria e espírito. Por isto, penso na forma que a alma se materializa por meio dos sonhos, viajando por lugares repletos por sombras ou por cores no desenho dos desejos ou revelando mistérios ou enigmas.
Falar do sonho é flertar com a esperança que, por sua vez, aponta para o futuro e abre as cortinas da eternidade. A esperança é uma das três virtudes mais excelentes do Cristianismo e, para ela, a morte é apenas um eufemismo. Por isto, me visto de esperança todos os dias ao acordar mesmo tendo consciência da brevidade da vida. Acredito que a esperança dá novo significado à vida, revestindo-a de imortalidade. Assim, a crueza da vivência diária não se contamina pelo desespero, pois estará amparada na crença de que o choro cessará ao raiar do novo dia.
Ter esperança não é viver alienado à espera do milagre ou ter um otimismo ingênuo. A esperança é a virtude que empurra o ser humano superar os desafios e o combustível da fé para se alcançar os vôos altos nos horizontes da vida. As pessoas otimistas acreditam nos seus sonhos e reúnem energia e esforços para realizá-los apesar das dores e lágrimas. Mesmo com todo o sofrimento sabem que com alegria colherão os frutos saborosos da felicidade.
O mar é uma das ilustrações mais aplicadas a nossa existência. Claro, o mar tem senso de humor impressionante e, mesmo com os dias calmos e tempestuosos, conserva a sua grandeza e humildade. Assim, a nossa vida tem momentos de dificuldades que nos roubam a energia, a saúde e até mesmo os bens, mas não pode roubar a fé e a esperança que é o nosso salvo conduto para a nossa ressurreição física, emocional e espiritual. Às vezes, a carne se consome pelas enfermidades e moléstias de toda sorte, porém ninguém pode matar a esperança. Só a pessoa afligida que pode debilitá-la e fazê-la fenecer, mas, se der oportunidade para a fé, ela pode renascer das cinzas e trazer à luz a existência.
Fico na espreita de que amanhã raiará o sol da liberdade. Há coisas que conspiram contra a esperança como, por exemplo, a persistência da adversidade consume todas as forças e energias e tendem a roubar a fé. Mas, não vou cessar de ouvir a música de Deus nos meus momentos tristes nem ficar alimentando pensamentos de autocomiseração na fria sala do meu quarto. Vou me ungir com os ungüentos da graça e me vestir de alegria ao despertar para o novo dia.
Lembro-me da infância dos sonhos de exercer diferentes profissões. Agora vejo que não consegui realizar o sonho em nenhuma dessas profissões, mas cheguei bem perto. Claro, o sonho é uma aposta, um caminho e não um lugar e uma proposta que se constrói no caminho no caminhar. De outro modo, sua realização não envolveria esforços emocionais, intelectuais e físicos. Convém ressaltar que alguns conseguiram chegar ao seu sonho por saber administrar bem as oportunidades e pelos seus próprios méritos, mas outros chegarão bem perto ou descobrirão outra vocação relacionada ao serviço ao próximo.
O sonho não pode ser individualista, egoísta e soberba porque isto manifesta o desejo de sobrepor ao próximo, saciar a sede de poder, fama e luxo. Por consequência, surgem os regimes opressores movidos pela paixão do domínio sobre o próximo. Essa paixão individualista, fabricada na panela do inferno, divide pessoas e suscita disputa e morte.
Trago à memória o célebre discurso do pastor e ativista social Martin Luther King Jr que declarou: “eu tenho um sonho”. Aprendo que um sonho não se realiza nas câmaras da acomodação. Exige esforço, luta e sinergia. O sonho de transformação social se constrói lutando contra um sistema de pensamento dominante e contra uma ideia equivocada. A história comprova que não é tarefa facial e registra muitos mártires, incluindo o próprio o Cristo que pregava a “Grande Ideia de Deus” que contrastava com a doutrina dos religiosos e líderes políticos da época. Também, o pastor Martin Luther King morreu assassinado por alguém contrário o seu ideal de mundo igualitário para todas as raças e de diferentes posições sociais. Portanto, pode-se matar um homem, mas não pode matar as suas ideias.
Quero sonhar os sonhos de Deus com suas imagens que mostram as virtudes a serem adquiridas pelo ser humano. Essas imagens apontam para aspectos da minha vida que precisam ser melhorados, principalmente no relacionamento com o próximo. A vida é uma via de mão dupla na qual, se não obedecermos a sinalização, faremos vítimas: a nós mesmos e o próximo. Essa sinalização diz respeito ao amor ao próximo e a tolerância que devemos em relação aos mansos. A convivência pode ser agradável se soubermos conviver administrar bem os conflitos por meio do diálogo.
Gosto da forma como Nelson Mandela fala do Ministério da Verdade e da Reconciliação, criada quando era presidente da África do Sul. Segundo ele, era preciso a vítima acreditar na integridade do seu agressor para que ambos expressassem livremente os seus sentimentos e acontecesse a reconciliação. Dentre os relatos, diz que muitos agressores choraram e diziam que não sabiam que tinha feito tanto mal e suplicavam o perdão. Claro, há males que são irreparáveis e se esgotariam todos os recursos do mundo e, nesse caso, a privação da liberdade apenas atenua a sensação de injustiça. Por isto, a nova abordagem que ganha voga é a justiça restaurativa que leva a pessoa a reconhecer o seu erro, empenhar-se pela sua reparação e produz reconciliação com a sua vitima. Ou seja, produz recuperação do indivíduo para não torná-lo um transgressor contumaz e devolvê-lo restaurado à sociedade.
Apesar da convulsão social e a degeneração dos lares, continuo tendo esperança na instituição família. Acredito que o melhor investimento de governo deve ser dirigido às famílias, pois esta é a celular mater da sociedade. A degeneração da sociedade começa com o conflito conjugal que atinge a família como um todo. A perda da referência moral causada pelo desgaste da relação familiar coloca crianças e adolescentes a mercê dos ventos da impiedade, trazendo conseqüências para toda a sociedade. Penso que o problema deve ser atacado na sua raiz e não ser apenas remediado por famigerados programas sociais. O problema reside na falta de esperança e de perspectiva de vida das pessoas a começar no seio das famílias.
Mesmo com as dificuldades de hoje e amanhã, continuo firme na fé de que um dia a terra será restaurada da ruína que lhe consome. A terra está banhada do sangue das vítimas das guerras e da violência, produzida pela má índole, pela ganância dos homens e pela disputa de poder. Ainda, hoje inocentes e culpados são levados aos antros da morte. A insegurança campeia ao nosso redor e sinaliza que podemos ser a próxima vítima. Mesmo assim, acredito na justiça eterna da retribuição a cada um segundo as suas obras quer tenha feito o bem ou mal. Por isto, creio que o cálice da impiedade será dado aos homens e para os justos brilhará o Sol da Justiça.
CONCLUSÃO
A esperança é o balsamo para a alma ferida. É um rio no deserto da vida, irrigando as raízes da árvore da existência. É a porta que se abre quando as possibilidades falham. Às vezes o esforço humano torna-se insuficiente, sendo necessária a esperança para acreditar que há uma saída. Por isto, quem vive de esperança é mais que um sonhador. É um precursor de boas notícias de consolação para aqueles que estão aflitos e amargurados com a consolação na qual foram consolados.

REFERÊNCIAS
Não vou indicar referências, mas vou recomendar que leiam alguma obra biográfica da vida da Martin Luther King Jr.

sábado, 8 de outubro de 2011

AS RIQUEZAS DA INJUSTIÇA


Professor Gelcimar da Silva Pereira Nunes
INTRODUCÃO
Recentemente tenho participado de reuniões, conferências e debates que têm como pano de fundo: a corrupção. Tais eventos expressam a desconfiança na justiça, na piedade e na boa fama, principalmente quando se utiliza recursos públicos. Nesses debates é defendida a rigorosidade empírica dos documentos que vai além do que se expressa como honesto e justo. Por isto, a prática da conferência expressa a transparência própria daquilo que se percebe harmônico e coerente nos seus diferentes ângulos. A verdadeira face de cada um está escondida em máscaras da honestidade e da bondade, pois impressionar é a estratégia mais utilizada no jogo do poder.
A QUEBRA DE REGRAS
Uma das expressões que ecoou aos ouvidos de todos como flecha lançada a esmo ao ar a procura de um alvo foi a frase dita por um dos palestrantes na 1ª Conferência Municipal de Transparência e Controle Social. Era flecha dirigida aos corações com o intuito de dividir ao meio todas as certezas e contradições, pois atingia as motivações, ideologias e práticas das pessoas, convidando-as a enxergar pelo menos um palmo de coerência. Por isto, não houve contestações quando foi dito: “todos são corruptos”. Era uma das demonstrações de que a corrupção era inerente ao ser humano acostumado a quebrar regras e a negociar a impunidade da sua transgressão ou até mesmo o silêncio da conivência daqueles pressupostamente honestos.
Se a palavra corrupção significa “quebra de moléculas que leva a destruição da matéria”; então, no contexto sócio-político, indica quebra de regras que leva à desordem social. Nesse caso, cada pessoa comete uma mínima transgressão do ponto vista: educacional, ecológico, legal e outros. Como exemplo, vejo nossas ruas cheias de lixo, mesmo havendo lixeiras perto ou distante. Com consciência ambiental, as pessoas evitariam que esses resíduos fossem para os bueiros e que, nos dias de chuvas, houvesse enchente. Claro, quase todas as tragédias foram provocadas por quebra de regras e não podem ser consideradas fatalidades. Isto vai desde o barateamento da construção à desobediência às leis de trânsito.
Hoje, o exercício da piedade é execrado. Quem se entrega ao trabalho, cumprindo suas obrigações funcionais é chamado de “Caxias” e outros pejorativos. O levante silencioso contra toda a forma de ordem é louvado, mesmo que seja lesivo para os usuários do serviço público. A banalização do serviço público é um exemplo da corrupção implícita, do mau feito e do desinteresse, denegrindo a imagem do servidor público.
A transgressão já começa dentro dos lares diante da complacente autoridade dos pais. Parece que a experiência da Ditadura Militar provocou trauma nas famílias e os pais temem usar a autoridade com medo de serem autoritários, tornando-se inseguros. Assim, querem ser liberais sem definir limites aos filhos e estes são impelidos às práticas mais abomináveis. Depois, há uma tentativa desesperada de salvar uma geração perdida, mergulhada nas drogas e na delinqüência, sem perdoar classes sociais: pobres e ricos.
Concordo que o âmago de cada indivíduo é ter uma sociedade melhor, sem os vícios culturais que se perpetuam no seio das famílias e nos antros políticos. Mas, os políticos são gerados pela sociedade que é mista e conflituosa, com suas diferentes classes e interesses. Logo, de alguma forma, a política reflete a lógica desse jogo de interesses. A disputa é um jogo de domínio sobre as bênçãos da legalidade e do favor do capitalismo. Como disse, certa vez, o capital é o combustível do poder pelo qual muitos macularam sua alma.
O fascínio do poder está na fama que confere superioridade aos homens à semelhança dos deuses. Apesar de a igualdade ser apregoada como princípio, desde a Grécia Antiga foi propalada a ideologia de uma raça superior composta de intelectuais, abençoada pelos deuses, enquanto que os demais homens seriam servos. Por isto, os políticos e quem detêm poder são chamados de excelência, meritíssimo e outros.
A PRERROGATIVA DO PODER
O poder não é prerrogativa somente dos agentes políticos, mas de cada pessoa. A política é inerente ao poder e este essencial à política. Logo todos são políticos: conscientes ou alheios, exercendo ou não função pública. Nesse caso, todos estão propensos a se submeter às práticas mais perversas do poder, mesmo sem exercer função pública, tanto que existe compra de votos e laranjas. Não são, porventura, pessoas comuns isenta de suspeitas devido a sua carência intelectual, social e outras que se submetem ao jogo do poder de forma doentia? Nesse caso, são cumplices ou vítima ou as duas coisas ao mesmo tempo? É inegável que a corrupção existe desde os primórdios da humanidade, sendo causa de revoltas, guerras e até a mudança da geografia do mundo.
Sou forçado a concordar com o filósofo Jean-Jacques Rousseau (1712 – 1778) de que “a sociedade corrompe o homem”. Observo que, apesar de condenado por alguns, o jeitinho brasileiro é parte inerente a nossa cultura. Essa forma de resolutividade expressa o mau feito, desleixado, provisório e até mesmo a trapaça. Isso mostra que remediar é a alternativa mais visível para um problema urgente cujo diagnóstico reclamava solução antes mesmo de vir à tona.
A razão da transgressão está explicada no anseio do homem em exercer o domínio sobre as outras pessoas, porém esse domínio é predominantemente opressor do mais forte sobre o mais fraco. Por isto, foram criadas regras para proteger o mais fraco, porém não se trata de uma concessão dos poderosos, mas de uma conquista por meio de luta reivindicatória.
O argumento do medo do confronto é obstáculo para qualquer mudança. Toda mudança é traumática, revolucionária e provoca danos, desequilíbrio. Não é fácil tirar as pessoas da sua zona de conforto e conduzi-la a uma nova filosofia de vida. Claro, idéias erradas norteiam filosofias e práticas de vida equivocadas e, nesse caso, traz grandes conseqüências na sociedade.
Percebe que há grande investimento em palavras no sentido de que a mudança aconteça. Observo que, quando se fala em educação como instrumento de mudança, pensa-se nas palavras dos professores dirigidas aos seus alunos em uma sala de aula. Também, tenho ouvido muitas palavras de ordem, de indignação e de cobrança no intuito provocar mudança de postura nas autoridades.  Contudo, são apenas palavras semeadas e os resultados dependerão da sensibilidade da terra (coração do homem).
Acredito que o melhor ensino começa pelo exemplo no interior dos lares. Já foi dito que a família é célula mater da sociedade. Assim sendo, se tivermos famílias bem educadas teremos uma sociedade menos conflituosa. Também, deve-se considerar que o melhor investimento deve acontecer nas famílias, pois quando se fala em educação se pensa em escola. Penso que a educação mais eficaz começa na família e isto requer atenção e exemplo dos pais aos seus filhos.
A queixa evidente é que, na contramão da educação da família e da escola, temos uma mídia irresponsável que divulga valores controvertidos e promove a banalização da violência, do sexo e das relações humanas. Além disto, apresenta a ilusão das riquezas e alimenta o consumismo das pessoas, inclusives daquelas com recursos insuficientes para adquiri-los. Assim, valoriza o ter, a fama e o sucesso do que o caráter e a boa fama. Ou seja, o mais importante é o que a pessoa tem do que o que ela é realmente.
Nessa ilusão, muitas pessoas apresentadas na mídia têm dinheiro, fama e posição, mas são de caráter doentio: promíscuos, boêmios, arrogantes e, algumas delas, envolvidas em crimes.
CONCLUSÃO
Já foi dito por Rubem Alves que nós somos formados de palavras, as quais grudam no nosso corpo como uma tatuagem. Desde que nascemos recebemos informações, instruções que formam a nossa coroa de pensamentos e orientam as nossas ações. Outra analogia é que os homens são como árvores plantadas. Aqueles que nasceram junto às correntes das águas da justiça aprenderam desde cedo aquilo que é boa fama, honesto e verdadeiro. O menino ensinado no caminho da equidade quando for adulto dificilmente será seduzido pelas riquezas da injustiça.
REFERÊNCIAS:
Vou apenas recomendar a leitura dos seguintes livros:
ALVES, Rubem. O céu numa flor silvestre: a beleza em todas as coisas. São Paulo: Versus Editora, 2008.
HART, Stuart L. O capitalismo na encruzilhada: as inúmeras oportunidades na solução dos problemas mais difíceis do mundo. Tradução de Luciana de Oliveira da Rocha Porto Alegre: Bookman, 2006.
REZENDE, Maria Gonçalves de. Relações de Poder no Cotidiano Escolar. Campinas (SP): Papirus, 1995.

terça-feira, 30 de agosto de 2011

O ABRIGO DO TEU CANSAÇO

Professor Gelcimar da Silva Pereira Nunes
INTRODUÇÃO
Chega-se a mais um fim do dia para contabilizar as ansiedades passadas e projetar a tônica da nova rotina. O regaço está preparado para acalantar um corpo cansado pela lide diária, reduzir o pensamento acelerado da antecipação da precipitação do novo amanhecer.
Somos loucos nos sonhos de que a jornada será serena e que os embates serão vencidos na previsibilidade das nossas expectativas. Também, somos crianças no entretenimento do sono, brincando com heróis e vilões, sofrendo e vencendo as batalhas da fantasia.
Contudo, envelhecemos quando nos privamos da capacidade de vivenciar a fantasia do sonho, ficando a mercê dos pesadelos da aflição dos pensamentos. São os espinhos da liberdade que nos entrega responsabilidades e conseqüências. Ficamos a mercê dos frutos das decisões certas e equivocadas, sendo castigados pelos açoites da consciência.

A IMPORTANCIA DA SENSIBILIDADE
A arte de viver a vida traz de presente o nosso próximo como parceiro imediato da nossa existência. Ele é nossa parte incompleta que faz nos ver qualidades a serem admiradas e defeitos a serem rejeitados. Parece o espelho da verdade que reflete a nossa expectativa de perfeição e contrasta com a nossa incompletude. Por isto, o anseio de perfeição é a nossa maior fantasia e a correção do próximo é nosso maior fetiche. Algumas vezes, sádicas, e masoquista quando punimos a nós mesmos com a autocomiseração.
Vivemos pelo prazer e pela curiosidade em descobrirmos a verdade sobre nós mesmos, mas cânon divino nos ensina que a verdade passa pela humanidade com o próximo, pois “Deus é Amor” – o amor que torna a Vida em morte que ressurge para dar vida a todos. Desta forma, descansamos a consciência para a culpa e para vida em paz. Essa paz que produz bem-estar até mesmo nos momentos de dificuldades, que se alimenta de esperança e produz perseverança. Desta forma, o aguerrido soldado da vida não desiste diante das adversidades, mesmo que elas se apresentem acompanhadas das manifestações dos profetas do caos. Quem se veste da certeza da vitória fica no acampamento dos alienados que fecha seus ouvidos para a dúvida e o desânimo. Assim, acredita que o tempo envelhecerá a tribulação e ela ficará impotente diante da força do amor.
Vou adormecer no deserto da alma, despido das vaidades no sentido do meu viver, sem chorar as expectativas frustradas como se fosse o mais insignificante dos seres humanos. Ficarei abrigado na caverna para ouvir a música de Deus e renovar a esperança, fazendo novo jeito de caminhar na caminhada. Assim, abrirei os olhos da alma para ver os lírios do campo: a beleza que brota ao voar nas asas do espírito.
As marcas que trago em meu corpo são testemunhas do aprendizado acumulado por meio dos erros e acertos. Os arrependimentos talhados nas tábuas do coração me redimiram de toda arrogância e me conduziram ao caminho da humildade. Por isto, até o saber acadêmico e profissional tiveram que consultar a voz da sabedoria para agir com bom senso e prudência.

É NECESSÁRIO LIBERDADE PARA VER A BELEZA
A beleza descansa os olhos e traz os detalhes das cores. Por isto, o verde nos convida para ver o útero da natureza de onde partimos uma vez. Essa natureza – a casa – que destruímos para delimitarmos o espaço do nosso poder. Aliás, a guerra começou a partir da delimitação do espaço, quando o primeiro homem se apossou de um campo, colocou a cerca e disse: ”é meu”. Ainda, a guerra no campo é motivada pela disputa da terra.
Sou livre para ver a beleza nos olhos da criança, pois no seu mundo não há disputa de poder, batalha dos egos e em cada olhar e percepção é um novo aprendizado. Que pena! O adulto montou no cavalo da razão para levar cativo todo pensamento que se levanta contra suas paixões. Assim, a batalha da argumentação e do convencimento entrou no mundo dos adultos e fez à primeira vitima: a criança. Nesse caso, a fantasia tornou-se um filme de terror, repleto de malícia, de subversão e de opressão.
A beleza que busco está na sensibilidade dos puros de coração, que habitam nas campinas de misericórdia e de paz. As palavras desses sábios anônimos são maçãs de ouros em salvas de prata que alimentam os corações sedentos de esperança e conforto. São palavras que saram os feridos da alma, pois consolam os atribulados e lhe renovam as forças. Por isto, suas palavras são músicas que acalentam aqueles que precisam descansar de suas obras e inaugurar um ciclo na existência.
A beleza que busco está na poesia da existência, mesmo que irregular no seu marco histórico, mas crescente na riqueza do aprendizado. E, nesse amadurecimento, sou como pedra lavrada nas mãos do Criador e nela escrevo a minha história.
CONCLUSÃO
Ouvir a voz do coração é mover-se de misericórdia frente às necessidades do próximo e descansar na paz que a benevolência produz. Isto não tem relação com as doações midiáticas, que traz benesses econômicas e visibilidade efêmera com a hipocrisia das sobras. A bondade é simples como uma pomba e suave como a brisa. É tão espiritual como vento e, ao mesmo tempo, persuasiva e contagiosa para mover uma multidão como um só homem. Produz solidariedade, porque prima pela igualdade na comunidade mais pobre onde pão é repartido com todos.  
REFERÊNCIAS
ALVES, Rubem, O céu numa flor silvestre: a beleza em todas as coisas. São Paulo: Versus Editora, 2008.


sexta-feira, 29 de julho de 2011

A CORTINA DO AMANHÃ

Professor Gelcimar da Silva Pereira Nunes
INTRODUCÃO
Na loucura incessante da vida, vejo como a rotina conduz a um estágio de conforto, tornando factível a reprodução mecânica dessa rotina. Assim, de manhã à noite, o círculo se fecha pelas mesmas coisas e até a alimentação é obrigação física da sobrevivência. O trabalho que nos aliena só se liberta da rotina quando se reveste de crenças teológicas, morais e ideológicas.
Um dos meios que nos liberta é a crença na doutrina espiritual de família, pois não se trata apenas da célula mater da sociedade, mas de um conjunto de relações entre pessoas. A família traz a ideia de partilhamento de uma mesma origem e existência, com suas concepções de ascendências, genes e preceitos cultuais e culturais. Por isto, as entranhas se movem quando percebemos que somos parte de um todo, partilhando o mesmo sangue e essência. Tal preceito foi enriquecido no cristianismo por meio da fraternidade; ou seja, amor que une e se solidariza entre irmãos, fazendo perceber com a mesma carne e os mesmos ossos. Desse modo, rompem-se as concepções de afinidades por laços de sangue, mas estabelece-se a crença de que toda humanidade tem um ancestral comum e origem divina.
A BREVIDADE DA VIDA
A vida hoje se forja na aflição, na ansiedade, na incerteza dos segredos que serão descortinados amanhã. Nesse caminho de rosas e espinhos, os pés sangram pelas intempéries ocasionais, mas olhos brilham pela esperança que move a perseverança nos mesmos ideais e promessas. Somos participantes da mesma natureza de vida e estamos seguros na paixão que nos move e nos faz acreditar que a vida vale a pena. Por isto, valorizo o sonho como a luz que brilha no caminho apontando para o futuro, retirando-nos da estratosfera do presente e nos libertando das amarras das culpas do passado.
Quando critiquei a velocidade do mundo moderno, estava criticando a mecanização do homem como se fosse mais uma máquina de uma unidade de produção. Nesse caso, estava me referindo à rotina e à perda da humanidade que reduz as relações entre pessoas ao rito de tarefas e responsabilidades. Estava convidando as pessoas a se perceberem como “ser-no-mundo” (um importante preceito existencialista), com os detalhes da natureza que nos cerca e procurassem enxergar a sua própria alma por meio do espelho da reflexão. Como dica, citei a fé em Deus e a doutrina moral e espiritual que a cerca como meio para enxergar as imperfeições da alma e melhorar a conduta existencial em relação a si mesmo e o próximo.
Agora, com a mesma disposição de um guerreiro, que mesmo ferido não cessa de lutar, faço da labuta uma visão de uma missão especial em direção à justiça neste mundo onde não há iguais. A igualdade da origem e essência humana trazida na inocência de uma criança é maculada pela corrupção da sociedade, repleta de adultos imperfeitos e concorrentes em sua verdade própria – produto de um individualismo exacerbado. Por isto, tenho a crença e a consciência de que os valores absolutos estão fundados no amor e na misericórdia, reconhecendo que a diferença entre pessoas não torna um ser mais excelente que o outro. A excelência da elevação do espírito humano só acontece por meio da fé na transcendência divina e na renúncia da própria verdade, soberba e egocêntrica, por aquela torna o serviço ao próximo uma missão da existência.
Tenho na incerteza do hoje e do amanhã, o testemunho vivo da fragilidade humana marcado pela brevidade da vida. Aprendi que a brevidade da vida possui três dogmas. Primeiro, a existência é curta e quem passa dos 70 anos de idade experimenta enfado e canseira. Nesse sentido, o preceito bíblico anuncia que Como a erva do campo assim são os dias dos seres humanos; como a flor do campo assim são; mal o vento sopra, logo deixam de existir, e o seu lugar se esvai.”
 Por sua vez, o ser humano deve ter norte para a sua vida e não gastar a vida – seu maior bem – com coisas que degradam o corpo e o espírito.  Por isto, a vida deve ser entendida a partir de um propósito: já que nasci, o que eu posso fazer e como será o fim dos meus dias? Penso que alguns vêem a vida como uma guerra de oportunidades e, por isto, devem derrubar o próximo oponente ou se, possível, usar de todos os artifícios para alcançar a melhor posição e acumular capital, bens... Essa visão tola e marginal divide o mundo entre senhores e servos, ricos e pobres, intelectuais e leigos, e provoca disputa, invejas, corrupção e violência.
O segundo dogma sobre a brevidade da vida revela que a estrutura do ser humano é frágil e a existência pode ser interrompida a qualquer momento. Apesar dos avanços da medicina que prolongam a vida, temos uma geração de enfermos que convivem anos com doenças incuráveis. Contudo, isto não freia a promiscuidade moral, intelectual e social dessa geração que clama por liberdade sem limites, irresponsável, individualista e amoral. Até mesmo a liberdade dos zumbis é defendida como uma política de redução de danos, reclamada como exercício da vontade de consumir as drogas que lhe apraz, mesmo que isto tenha um custo social caro. Lamentável saber que a vida dos outros é tratada apenas como política pública de direitos, ignorando que dentro de cada ser há uma alma que reclama por socorro.
No terceiro dogma da brevidade da vida descobrimos que estamos rodeados de inúmeros perigos. Por isto, certo orador declarou que vivemos na geração das chaves quando queremos proteger nossa vida e o nosso patrimônio. Asssim, as mortes de adolescentes e jovens inauguram o momento da inversão da contagem dos fins do dias, pois os pais passam a sepultar os seus filhos. A vida tornou-se uma experiência perigosa, marcada pela certeza de que nossa existência pode ser interrompida a qualquer momento por capricho da fatalidade ou pela violência que tão de perto nos rodeia.
Assim, contar os dias da existência é uma alvorada conveniente a cada dia, porém somos blindados em nosso espírito pela confiança na transcendência e crença da imortalidade da alma. Ao contrário, há pessoas que convivem com fantasmas dos traumas da violência, operados por espíritos ministradores do caos, vivendo imergidos na depressão e na síndrome do pânico. Claro, temos instinto de autopreservação, não queremos morrer mesmo a cada dia percebendo a contagem decrescente da vida. Contudo, valorizamos a vida como patrimônio imaterial mais excelente que visualizamos por meio dos nossos sentimentos, vontade e intelecto. Desse modo podemos ver a nossa alma pelo espelho da existência dos outros e nosso fim na tristeza dos atos fúnebre. Nesse momento, somos contaminados por imagens mentais e desejamos que nosso espírito viaje ao exterior do mundo espiritual para sondar como seria a separação da alma do corpo. Por isto, lamento como a perda da humanidade leva alguns a considerar a vida de alguém uma coisa banal, paga de uma vingança insana e até mesmo recreativa.
A DISCIPLINA NO JARDIM DA EXISTÊNCIA
Contudo, mesmo diante da brevidade da vida, vou celebrar sempre a alvorada do amor e a paz no meu jardim da existência. Vou colher a alegria nas tribulações para não me afligir por causa das debilidades alheias. Sei que das possibilidades e impossibilidades sou forjado a entender a razão da existência como atos milagrosos que cancela todas as desculpas da sorte e do acaso. Isto leva a uma existência responsável, respeitando a leis do corpo, da alma e do espírito, a cuidar da saúde da mente, preservando-a dos vícios malditos, apagando a candeia dos olhos para a má literatura e a recreação perversa. Nesse caso, considero verdadeiro o dito Jean Jacques Rousseau: “a criança nasce pura quem a corrompe é a sociedade”.
Vivemos em uma sociedade perversa e isto nos desafia a não nos conformar com ela, pois, de outro modo, seremos enquadrados em seus moldes. Primeiro, aceitando intelectualmente seus preceitos e, depois, considerando convenientes suas práticas. Por isto, a renovação do pensamento é vital para a sobrevivência moral e espiritual nesse mundo de valores controvertidos. Podemos considerar essa renovação como a remoção de um vírus, quando se torna necessário formatar o computador e reinstalar todos os seus programas originais sem danos à memória e ao processamento das informações. Assim, a renovação do pensamento não é um convite à ignorância e ao radicalismo, mas um caminho permanente à integridade moral e aos valores absolutos da fé e da razão.
A prática de pensamento e vida moral sadios leva o homem a desenvolver o domínio próprio. Ou seja, posso fazer o que quiser, mas não vou fazer tudo o que quero. Por exemplo, posso revidar por palavras ou atos quando provocado, mas eu determino que não vou pagar o mal com o mal, mas, sim, com o bem. Acredito que, mesmo em uma sociedade marcada pela competição e o individualismo, posso marcar minha geração, deixando um legado moral inatacável. A nossa sociedade clama por exemplos. Por isto, qualquer ato isolado de um mendigo que devolve uma quantidade de dinheiro achada no lixo ao seu verdadeiro dono é comemorado como um fenômeno de honestidade. Parece que a imprensa quer fazer um contraponto à corrupção dos políticos e dos poderosos ao mostrar que um pobre pode abdicar da sua necessidade em favor de um valor mais excelente que é a honestidade.
CONCLUSÃO
A fé e a razão não estão em dois extremos como pregam algumas pessoas. A fé é cultuada racionalmente, despida de fanatismo e materialismo, como doutrina sadia, amorosa e servil ao próximo. A renovação do pensamento nos liberta das obras mortas do passado e aponta para o descortinar de um novo amanhecer. Assim, posso dormir em paz com a sensação de que ao acordar colherei os frutos saborosos da árvore da esperança. Também, nos meus sonhos não estou sozinho, pois a colheita dos frutos da esperança é a celebração da caridade fraternal.
REFERÊNCIAS:
Não vou citar referências. Recomendo a leitura de obras do filósofo Sêneca sobre a brevidade da vida.

quinta-feira, 30 de junho de 2011

O SISTEMA DE CRENÇAS NO PÓS-MODERNISMO.

  
Professor Gelcimar da Silva Pereira Nunes
INTRODUÇÃO
A doutrina plural criada por intelectuais, artistas, jornalistas e outros formadores de opinião, tenta desconstruir o pensamento das massas populares. A forma de pensar das massas possui a riqueza mística, metafísica que traduz a herança cultural do povo, suas crenças, religião e costumes. Mas, a proposta da racionalidade localizada na areia movediça da subjetividade torna toda crença e conhecimento adquiridos uma verdade de valor duvidoso, diante do novo argumento que suplanta todas as certezas.
A SUBJETIVIDADE NO PÓS-MODERNISMO
O advento do pós-modernismo colocou em cheque todas as certezas para dar razão a todas as vozes. Nessa nova ordem, os direitos de todos e de cada um tornam-se abrangentes e alienantes pelo clamor das vozes de todas as classes, segmentos e minorias. 


Podemos considerar que o pós-modernismo trouxe o benefício do reconhecimento de direitos das crianças, dos idosos, dos deficientes, etc. Mas, também, trouxe algumas polêmicas que conflitam na orientação cristã de grande parcela da população, como alguns direitos reivindicados por homossexuais, por movimentos que defendem o reconhecimento profissional das prostitutas, a legalização e discriminação de todas as drogas, a liberação do aborto e da eutanásia.
A gritaria de certos segmentos em reclamar direitos esbarra-se na muralha das crenças da população. Ou seja, a discussão de determinação políticas de direitos coletivos deveria considerar a discussão ético-religiosa. Do ponto de vista individual, a discussão ética encontra consonância no princípio do livre-arbítrio, pois cada pessoa pode fazer o que lhe convém, desde que não seja um meio para se omitir das obrigações legais. Em uma discussão filosófica existencialista, o livre arbítrio é o exercício moral da razão que pode ser limitado por determinadas convenções, pois cada pessoa no afã de satisfazer as suas vontades até as últimas conseqüências fica atraída por seus instintos mais primitivos a agredir o próximo. Essa agressão é mais moral do que física, pois há marcos históricos cuja remoção gerará sérios conflitos ideológicos.
O povo brasileiro nasceu no berço esplêndido da orientação judaico-cristã, tendo, em sua história da educação, a escola dos jesuítas e sua doutrinação de fé. A cultura judaico-cristã que nos abraça é a nossa herança moral que norteia os valores prevalecentes na sociedade. Inclusive a Constituição Federal invoca a “Proteção de Deus”, reforçando a influência religiosa em um Estado que se proclama laico. Assim, a laicidade do Estado não é pressuposto de eliminação de crenças, mas do ordenamento do respeito a todas as suas manifestações. Por isto, estamos cercados de templos e de preceptores que reproduzem esses valores: amor, casamento, sobriedade, preservação da vida, etc. Por causa da tradição religiosa cristã, o pastor e o padre têm mais autoridade do que qualquer político e intelectual en seus ensinamentos de profissão de fé. Porém, há de lamentar como, em casos isolados, lideres utilizam a manipulação e o uso sórdido do poder em benefício próprio, tornando propícia a inútil frase de Karl Marx: “a religião é o ópio do povo”.
Contudo, a prática de fé do povo brasileiro é contraditória do que é ensinado, do que se crê e o que pratica. O sincretismo religioso revela a convivência com diferentes religiões de princípios doutrinários antagônicos que se fundem gerando uma more mística. Por isto, há quem se declare religioso não praticante, aceitando a vivência da fé da conveniência. A polarização entre católicos e evangélicos resulta da crise das instituições, resultando a convivência com novas formas de pensamento, incluindo o pós-modernismo. Disto resulta o crescente materialismo das disputas por números de adeptos numa gritante denúncia da coisificação do homem. Isto acontece até mesmo entre igrejas do mesmo segmento. Daí surge a ortodoxia doutrinária da conveniência que torna mais visível essas disputas de poder eclesiástico e político, dando tom ao movimento religioso contemporâneo.
Considero relevante a opinião de Myles Munroe de que “ninguém pode matar uma ideia, pois ela vai se multiplicar” e dá uma dica de que “para acabar com uma ideia deve combatê-la como uma ideia melhor”. Logo, o duelo de ideias torna-se uma premissa para desconstruir uma crença nascida com o povo brasileiro.
Uma das estratégias é desqualificar a crença no livro sagrado, utilizando o método crítico do texto chamado Desconstrucionismo, que julga todas as interpretações igualmente válidas ou igualmente destituídas de significado (dependendo do ponto-de-vista de quem o analisa). Isto significa desconstruir a verdade, inserindo a dialética da suspeição, mudando sua vertente para uma interpretação mais condizente como o ponto de vista de quem lê, apontando incoerências e erros.
Nesse caso, os princípios do pós-modernismo implica o individualismo, a subjetividade, o relativismo moral e o pluralismo de ideias, tornando a sociedade uma babel com muitas vozes e disputa de espaço de razão e de poder.


O fundamentalismo da subjetividade se contrapõe a qualquer valor que se julgue absoluto, enquadrando a objetividade nos critérios científicos e jurídicos, dando-lhe a vestimenta da imprecisão. Aliás, a única verdade objetiva é: “cada cabeça tem uma sentença” ou como Rubem Alves costuma dizer: “o que dizemos é apenas um palpite...”
A LIBERDADE E O PLURALISMO DE IDEIAS
O pós-modernismo tem também sua substância no pluralismo religioso, ético e moral. Logo, o pressuposto da suspeição dissemina a doutrina de que todas as religiões estão certas ou todas estão erradas, que cada pessoa tem a liberdade para definir o que é certo ou errado para sua vida, pois todos são constituídos de direitos sobre o seu próprio corpo, interesses e vontades. Esse perigo da inconsistência de princípios torna a sociedade contaminada por um crescente individualismo, fomentando a disputa por pontos de vista, razão e aumenta o pleito por aquilo que julga de direito, gerando a inversão de valores. Por isto, a marcha pela legalização da maconha por mais reprovável que seja, encontra substância na interpretação jurídica da liberdade de pensamento que, por sua vez, se opõe a proibição legal do comércio de drogas e à discussão ética judaico-cristã.

A liberdade e o pluralismo de ideias encontram vazão no arcabouço da democracia, que é uma das melhores formas de governos comparada com a ditadura, aristocracia e outros regimes totalitários. Mas, devemos considerar que a democracia embora seja uma das formas de governo mais aceitáveis em todo mundo tem suas fragilidades. A democracia é o braço direito do capitalismo e ajuda a capitalizar dos pobres em favor dos ricos, contribuindo para a desigualdade social. Essa desigualdade acirra a guerra de classes e segmentos, pois a sensação de perda, de precariedade frente a leniência dos governos e instituições.
A idealização imprecisa de um modelo de sociedade é construída por muitas vozes e a ideia de uma sociedade plural é a somatória de conflitos de interesses de diferentes segmentos. Não se trata apenas do antagonismo de ideias, mas de uma disputa de poder de que tem mais influência nos bastidores da política, dando as suas motivações natureza legal.
O antagonismo poder público e sociedade civil resulta da ausência de aliamento de interesses, pois a política de fachada eleitoral prevalece nas obras, projetos e programas com o pressuposto de bem comum. Assim, a via de consenso não se estabelecerá pela dialética, mas por uma nova cultura de probidade e transparência.


CONCLUSÃO
A discussão da política de direitos sem um debate moral inaugura uma guerra ideológica. É impossível remover um sistema de crenças instituída como herança cultural a um povo. A transformação do pensamento acontece no decorrer de gerações, mas preserva a sua essência; por isto, não se conseguiu mudar a disciplina dos povos orientais, mesmo com os regimes totalitários e o advento do capitalismo.
A imposição legal não resolve o problema da aceitação e do consenso a determinadas práticas, pois a criminalização não elimina um sistema de crença. Apostar na educação escolar também não poderá suplantar a essência das crenças, pois mesmo o evolucionismo não conseguir eliminar a crença no criacionismo presente na cultura judaico-cristã.


REFERÊNCIAS
Não indico referências, mas convido a ler o artigo o “Pluralismo do Pós-modernismo”, de Heber Carlos de Campos.

quarta-feira, 15 de junho de 2011

O IDEAL DE UM MUNDO PERFEITO

 
professor Gelcimar da Silva Pereira Nunes
INTRODUÇÃO
Lembro-me quando ouvi pela primeira vez a música “Perfeição”, da banda Legião Urbana, composta por Renato Russo (1960 – 1996), que trazia um protesto contra a infâmia da nossa sociedade, citando a estupidez humana, a injustiça e o descaso dos governos. Sua ironia em celebrar "com os idiotas" as desgraças ocorridas todos os anos revelava um desejo enrustido de um mundo melhor. Assim, convidava todos a fazer uma auto-crítica daquilo que vimos em nossa sociedade e preferimos ignorar.
Para o poeta Fernando Pessoa (1888 – 1935), “adoramos a perfeição, porque não a podemos ter; repugna-la-íamos, se a tivéssemos. O perfeito é desumano, porque o humano é imperfeito”. Aliás, amamos a perfeição com um ideal inatingível, por isto, criticamos os outros, cobrando os impostos das nossas expectativas não atendidas. Assim, esperamos granjear servos das nossas convicções para que o jardim do coração se ilumine das flores da vaidade do ego.
O DIÁLOGO DA PERFEIÇÃO COM A IMPERFEIÇÃO
A imperfeição é marca constitutiva do ser humano e revela a incompletude do conhecimento sobre si mesmo e do mundo ao redor. Diferente de Adão que foi um adulto instantâneo, surgimos crianças em um corpo nu, com memória rasa, tendo que aprender desde o estímulo da sucção aos valores da cultura e da educação até o final dos nossos dias. Ainda, persiste a sensação de incompletude que nos leva a buscar o conhecimento como a última novidade da vida.
O mundo perfeito navega no ideal de felicidade do homem; deságua no oceano dos sonhos de um ambiente sem tristeza, justo e com conforto. Por isto, entendo porque o capitalismo universaliza o sonho de aquisição de bens, fama e poder como um meio de se alcançar a felicidade. Aliás, a desigualdade social torna mais desejável a realização do sonho, porém a crueza da realidade do pobre gera autocomiseração pela incapacidade de ascensão social no horizonte mágico do sonho.
O filósofo das frustrações, Lucius Aneu Sêneca (4 a.C – 65 d.C), conhecia um homem rico chamado Védio Póllio, amigo do imperador Otávio Augusto, cujo escravo deixou cair uma bandeja com copos de vidro durante uma festa. Esse homem ficou tão furioso com o som dos vidros se quebrando que mandou matar o escravo, de forma cruel, atirando-o num fosso cheio de lampreias. Ao comentar sobre esse episódio, Alain de Botton ironiza dizendo que Védio Póllio acreditava em um mundo em que os copos não se quebravam.
Nesse caso, uma das manifestações de quadro clínico de delírio é ira, descontrolável, impulsiva na sessão de descarrego brutal da insanidade.
Nas reportagens de grandes tragédias, ouvi algumas vezes o assassino dizer que estava cego que não podia ouvir a voz da sensata razão. Porém, fico escandalizado como o agressor se apresenta vítima da situação, como tivesse o direito de não ser contrariado. Ou seja, no mundo ideal compreende a satisfação dos seus desejos mais mesquinhos, que não podem ser negados, como, por exemplo, o amor de uma mulher.
Nas relações de poder, a cobrança pela perfeição manifesta os instintos mais primitivos de dominação sobre seres humanos. É a forma caprichosa de alguém se deleitar nas fragilidades do outro, impondo-lhe o sentimento de incapacidade e limitação.
Podemos entender que ao adquirir o poder, riqueza e influência, alguém pode julgar que reúne condições para superar o advento das frustrações, pois caprichosamente terá capital para comprar quem possa atender aos seus desejos. Também, pode se iludir, crendo que o dinheiro é o meio de satisfação e prazer, podendo alcançar a almejada felicidade.
Há pessoas como folhas secas a voar sem saber onde chegar, influenciadas pelo que vêem e pelo que sentem. A vida pode ser uma linda flor, mas suas pétalas se derramam pelo chão a cada estação. Assim, o desenho da felicidade anunciado no romantismo da novela  se apaga no fim de cada capítulo.
Para alguns em seu mundo perfeito  não pode faltar a bajulação e o elogio por mais reprovável que seja o seu comportamento. Nas asas do poder, a sensação de segurança encontra substância na quantidade de apoiadores, mesmo que inconstantes e interesseiros. O espelho transparente da crítica, por mais dolorosa que seja, mostra as nossas imperfeições e nos convida a banhar nas águas límpidas da reflexão das motivações dos nossos atos.
A imperfeição do mundo se manifesta nos contrastes das motivações humanas que vão além da situação posicional de alguém. As concepções de poder e de razão se manifesta na classificação das pessoas: ricos e pobres, intelectuais e leigos, aristocratas e servos, dentre outros exemplos. Daí pode-se inferir como surgiu a ideia de eugenia, de raça superior e as concepções do homem perfeito.
Os duelos de palavras são manifestações inconscientes do desejo que o mundo atenda as nossas expectativas. Nesse caso, as pessoas seriam perfeitas e não iriam cometer falhas, erros, pecados ou desatinos reprováveis aos nossos olhos. Talvez, essa seja a forma mais confortável de nos abrigarmos na caverna da indiferença dos nossos próprios tropeços. A trave que nos cega foi construída por nós para proteger a nossa própria verdade, sagrada na convicção de que não somos mais excelentes.
A roda que gira o mundo está manchada do sangue dos mártires que defendiam suas verdades até as últimas conseqüências. A honra dos mártires não se degeneraliza, pois essas vítimas da intolerância são testemunha da história contra aqueles que mão admitiam a coexistência de ideias divergentes, de pessoas diferentes à frente do seu tempo.
As frustrações são inerentes ao ser humano, pois são resultantes dessas expectativas não atendidas. Nos relacionamentos pessoais e profissionais podemos ser induzidos ao erro de não poderemos nos decepcionar com alguém que estamos intimamente ligados. Mesmo conscientes da imperfeição humana, cremos no ideal de que há relações perfeitas até mesmos nos níveis mais íntimos de amizade. Contudo, aprendi que se conhecermos as imperfeições da cada pessoa, poderemos compreendê-la, respeitar suas limitações e não teremos ocasião para reclamar da imperfeição. Ou seja, só podemos reclamar decepção daquilo que não conhecemos e não estávamos preparados para conviver em um momento oportuno. Por exemplo, se você convive com alguém que é chocalheiro (“sem papas na língua”) não será novidade se ele em determinado momento for traído pelos defeitos da sua natureza. Então, qual o motivo para você se decepcionar com ele, se sabia de suas deficiências. O máximo é ter uma ira momentânea, porém estéril em suas conseqüências.
A BUSCA DA FELICIDADE
A busca da felicidade rima com os anseios de um mundo perfeito, que não será encontrada enquanto perdurar o vazio existencial do ser humano. É como uma casa bela por fora, adornada com móveis por dentro, porém sem moradores. Torna-se uma morada dos sentimentos que se comunicam com imprecisão com a razão, dando arbítrio para a vontade se manifestar ao sabor das paixões. Segundo o filósofo italiano Remo Bodei, as paixões podem ser benignas ou perigosas, dependendo da lógica e do delírio de cada um.  
Tenho aprendido que o caminho da perfeição está perfumado pelas flores do amor. Por isto, as sábias epístolas paulinas apontam o vínculo da perfeição enraizado na rocha firme do amor. Por isto, acredito que o amor é o remédio sem contra indicações para solucionar os males relacionados ao ciúme, à inveja e a soberba, pois o amor é benigno.
O amor embeleza amizade e supera todos os defeitos, tornando cada pessoa um sacerdote na tarefa de perfumar o ambiente pela satisfação da presença do outro. As palavras tornam-se instrumentos na construção de relações sólidas, edificadas com pedras vivas da confiança e da lealdade. Acredito que o amor é uma floresta que ajuda a despoluir os nossos corações do mal.
Por isto, gosto da concepção teológica do “Reino dos Céus” como uma experiência inerente a transformação do caráter do ser humano, pela inauguração de uma nova ética, no respeito ao próximo, inspirada nas palavras de Cristo. A ética do Sermão da Montanha é um divisor de águas entre a tradição histórica de disputas mesquinhas e o ecossistema benigno da fraternidade. O mundo perfeito é fraterno tal como a comunidade apostólica onde todos tinham tudo em comum e celebravam as festas da caridade com alegria e simplicidade.
A felicidade é simples e não precisa do enfeite da riqueza, da fama e do poder. Ela não tem dono, pois sua existência e morada são eternas. É um bem tão precioso que ninguém pode reclamar propriedade exclusiva, porque é contagiosa, em sua influência, e desejável pelo ser humano. A tristeza é o hospede mais indesejável do coração humano e flerta com a morte. Por outro lado, a felicidade anuncia a abertura das portas da alma para a vida.
CONCLUSÃO
Um mundo perfeito pressupõe a existência de pessoas perfeitas, que não podem falhar nem decepcionar alguém. São pessoas que existem no jardim do coração, compartilhadas no universo do desejo, do prazer e da complacência da satisfação egocêntrica, mesquinha e fratricida. Mas do ponto de diversidade do gênero humano, cada ser humano é imperfeito para que ao se completar com outra pessoa possa superar as suas limitações.
REFERÊNCIAS
BOTTON, Alain de. Filosofia um guia para a felicidade. Série de documentários para a TV, 2009.
RUSSO, Renato. Perfeição in Descobrimento do Brasil. Gravadora EMI, 1993.
CONEXÃO ROBERTO D’AVILA. Entrevista com o filósofo Remo Bodei. TVE Brasil, 07 de março de 2007.

terça-feira, 31 de maio de 2011

VOU CONTINUAR

Professor Gelcimar da Silva Pereira Nunes
INTRODUÇÃO
A vida nos ensina nas diversas circunstâncias, inclusive nas intempéries que nos fragilizam, mas, por outro lado, nos torna sensíveis aos clamores da alma. Os momentos de melancolia da alma são propícios a introspecção necessária para pensar a vida, as atitudes, os acertos e erros. Aliás, descobri que os meus momentos mais criativos acontecem nos momentos de melancolia, quando os pensamentos afloram como a naturalidade do orvalho para brotar poesia em brasa.
Por isto, entendo porque os poetas como Alvarez de Azevedo, Casemiro de Abreu e Fernando Pessoa eram melancólicos e, ao mesmo tempo, iluminavam as pessoas com a beleza criativa da poesia, falando sobre a natureza, o amor e sobre o dilema da vida: a morte. A transitoriedade da vida era calculada pelo ideal de um mundo sem tristeza, sem a aflição do espírito. O engodo desses poetas era destruir o corpo por meio de uma vida boêmia, pois estavam embriagados pela desesperança do mundo presente, abraçando o mal do século para flertar com a morte.

A COMOVISÃO DA VIDA E DA MORTE
Os poetas românticos morreram jovens com idade variável de 21 e 25 anos. Porém, hoje flertar com a morte não está ligado ao ideal do romantismo do século VIII, que foi movimento associado à filosofia, a poesia, música, teatro e literatura. Atualmente, há jovens que se expõem a riscos devido a banalização da vida, embriagados pelo entretenimento suicida das bebidas, das drogas e de ilicitudes. Aliás, são realidades de fuga para o tédio, para a vida familiar opressora ou um meio de curiosidade para fazer uma viagem eufórica e suicida sem volta.
Lembro dos ensinos de História sobre a escravatura no Brasil e, na minha tristeza, reflito que nenhum regime opressor se perpetuará por muito tempo, pois o espírito humano que é livre sempre clamará contra a escravidão. Mas, também, penso que as algemas psicológicas persistem quando há pessoas que não conseguem se libertar de diferentes vícios e complexos. Estamos convivendo com pessoas zumbis, escravizadas pelas drogas, sem poder de decisão, sem julgamento moral sobre seus impulsos, sem afeto natural e respeito a pais e mães. Por outro lado, vejo a proliferação das fobias, da depressão e dos traumas pelas tragédias e fatalidades. As pessoas estão encarceradas em seus palácios e residências, em seus muros e grades, iludidas pela sensação de segurança na polícia e na segurança particular.
Em meio ao caos urbano, assistimos passivamente a decadência da poesia e vimos ascender à crueza da guerra contra a criminalidade. Ao invés das histórias familiares e dos contos literários, as crianças vêem as estatísticas do crime na televisão e proliferação do evangelho do medo, de uma geração sem alma, incutindo o respeito ao bandido e ao menor delinquente que nos abordar.
Percebo que as discussões ganharam alcance social, porém individualmente é egocêntrico, apesar de apregoar o bem coletivo. Assim, a barca dos insatisfeitos é revestida do realismo fantástico de busca por uma sociedade igualitária, com respeito mútuo, etc. Só não entendo por que, ao cessar a revolta, cada um volta ao nicho e a rotina, ficando os chavões guardados para o revival. Parece que as reivindicações são pedras lançadas ao lago cujos sons e ondas são respostas mesquinhas que agradam os expectadores.
Outro ponto de confronto é a beleza da amizade que e prejudicada por relações de interesse. Não basta ser amigo, até a aproximação afetuosa com determinadas pessoas passou a ser estigmatizada. Ou seja, deve amar a um e aborrecer a outro, mesmo que não haja motivo para tal feito.
Contudo, vou continuar acreditando na honestidade do riso, apregoada pelo educador Rubem Alves, pois ele convida ao exercício da sensibilidade pela percepção da natureza e da simplicidade das relações humanas. Desta forma, exorta que o riso é saudável e poético porque a beleza está em todo lugar, desde que os olhos da alma estejam abertos para apreender o mundo com sua cosmovisão.

VOU CONTINUAR NAS MINHAS CONVICÇÕES
Por isto, vou continuar na mesmice das minhas convicções sobre a vida, sustentada nessa crença, nessa cosmovisão, apesar dos reclames do realismo estéril da virtude e da beleza da graça. Apesar da pregação sobre a laicidade, firmo a minha convicção teológica sobre a existência de Yavé, sobre uma vida de propósito, de uma existência predestinada. Acredito na vida como uma história escrita no sacrifício diário de suor e sangue, na aflição, na ansiedade, na dor, mas, sobretudo, na alegria, no amor e na esperança.
Vou continuar a viver na fé que sustenta essa força para erguer a espada contra todos os males que afligem o espírito. A fé é uma arma contra a discórdia e o desamor, pois a fé é a filha mais velha do amor. A fidelidade como gomo do amor tem o mesmo sabor da mansidão, da alegria, da paciência e do domínio próprio. Assim, a busca da perfeição é um ideal a ser perseguido como utopia festiva e cada degrau deve ser comemorado com festa.
Vou continuar a viver indiferente da opinião dominante, expressar minhas próprias idéias mesmo que seja censurado por alguns. Prefiro ser autêntico a ser politicamente correto e fazer da minha sinceridade o retrato do meu caráter, fugindo do jogo de cena costumeiramente adotado pela política da boa convivência.
Vou continuar a verbalizar o meu compromisso ao direito ao respeito ao próximo, em suas vertentes da vontade, da identidade, do ideal e das ações. Toda crítica a comportamentos e atitudes estão firmadas na livre expressão do pensamento, sem afrontar a dignidade de alguém. Como Nelson Mandela prego o respeito à integridade do maior adversário que possa defrontar. A denúncia do erro é impessoal; ou seja, não privilegia pessoas e agride outras, é um compromisso com a verdade e o bem-estar do próximo.
Vou continuar a vivenciar a felicidade de ouvir a música de Deus nos momentos solitários, fazer auto-estame das motivações para verificar se há algum dano a integridade, se em algum lance fui traído pelo orgulho e pela autoconfiança. Claro, a autoconfiança é causa da queda de muitos que se julgavam intocáveis, poderosos, inatingíveis.
Vou continuar a não confiar no poder dos homens como se por meio deles se alcançar algum favor. Passei a acreditar no meu potencial e a honrar o compromisso que fiz em minhas entranhas de ser fiel às minhas convicções, de fazer do trabalho uma profissão de fé. Não ter o trabalho como um fim em si mesmo, mas considerar um altar de sacrifício devocional e, desta forma, as convenções laborais são apêndices de um ideal mais elevado. Por isto, a tristeza do cansaço é parte do sacrifício devocional e não se compara a gloria da alegria da profissão de fé.
CONCLUSÃO
A poesia é um retrato pintado da realidade pelo olhar de quem sonha. Até a tristeza se converte em beleza para quem vê o mundo pelos olhos da alma. Por isto, acredito no carpie dien: “viver intensamente a vida como se estivesse colher um fruto saboroso a cada dia”.
Apesar da incerteza de hoje e de amanhã, acredito que o fruto de amanhã será mais saboroso, pois a experiência traz consigo a sabedoria para discernir as armadilhas do caminho. Assim, não serei guiado pelo impulso, pois trago em meu corpo as marcas dos acoites dos erros cometido em vida. Os fracassos são legados que nos ensinam a não repetir os mesmos erros e o convite a escrever uma nova história.
REFERÊNCIAS
ALVES, Rubem, O céu numa flor silvestre: a beleza em todas as coisas. São Paulo: Versus Editora, 2008.