domingo, 24 de agosto de 2014

O UNIVERSO DOS SONHOS

INTRODUÇÃO

Viajante neste mundo vivo a cada dia os questionamentos da segurança de cada passo a ser dado em direção ao aperfeiçoamento progressivo da virtude. Sei que a virtude está no encanto da inspiração de um mundo perfeito onde os homens experimentam a elevação de sua essência espiritual. A virtude não é uma faculdade interiorizada como uma caixa preta que não pode ser desvendada nas relações entre seres humanos. Ela é a luz que reflete a beleza da alma com todas as suas cores e detalhes. Dá os contornos mais brilhantes a personalidade humana, atenuante os defeitos. Por isto, a virtude é a companheira inseparável da sabedoria e conduz os homens para o incomensurável mundo das ideias.
A CAIXA-PRETA DA ALMA

Lembro-me das lições aprendidas com os mestres sobre os filósofos socráticos que exaltavam a virtude como a elevação espiritual a ser buscada por todos os homens. Contudo, reconheciam sua aquisição como uma joia rara, devido ao conflito interior contra os impulsos materiais, próprios da dualidade corpo e alma. Sabiam que a busca até a última gota do prazer, pensada como a plenitude da alegria, incorreria na mais irracional das pulsões conflitando com a prática da virtude. Uma das reflexões mais produtiva foi à recomendação à administração equilibrada das palavras e uso moderado da ira.

Como tenho percebido, as palavras tem sido a conexão entre os pensamentos e as ações. As palavras trazem consigo enigmas do universo conflituoso da alma, filtradas pela censura moral que abraçamos por meio das nossas crenças e ideologias. A disciplina moral nos humaniza e nos resguarda da escravidão dos impulsos que nos rodeia à espreita dos enganos da razão. Tudo isso porque nos vimos envolvido em conflitos interiores cujas motivações, por vezes, desconhecemos.

É muito difícil colocar-se no lugar do outro porque implicaria na renúncia da satisfação das nossas primeiras vontades. Teríamos que refletir sobre a culpa de se alimentar da fraqueza dos outros por querer disputar a solidão do primeiro lugar. Para alguns, a trapaça é legítima para que realização dos impulsos egocêntricos e compulsivos seja a expressão de um grito de liberdade e de poder. Claro, a sensação é que as regras são escravizantes e transgredi-las acrescenta a biônica sensação de prazer e perigo para incluir-se no rol dos privilegiados a desafiar as normas de um grupo de indivíduos. 

Fico pensando como a transgressão está inserida na disputa de poder e no desafio a toda e qualquer ordem. Há quem acredite na falibilidade dos projetos e da justiça humanos para estabelecer-se como exceção à regra. A busca da exceção acena para os privilégios dos atalhos, pois existe sempre alguém quem desconfia que as normas sejam realmente justas ou se a vigilância é eficiente. Essa é razão porque nos impressionamos como alguém declaradamente valente, quando confrontado pelo rigor da justiça, busca a fuga das consequências dos seus atos.

O homem como ser moral traz a conjugação dos seus sentimentos que são interpretados por pensamentos e materializados por meio de atos. É difícil decifrar a natureza dos sentimentos que, por vezes, nos induz a cometer equívocos. Essa é a clara evidência de que desconhecemos a nossa própria interioridade ou enigmas da nossa própria alma. Acreditamos piamente nos órgãos dos sentidos: a visão, a audição, o olfato, a gustação e o tato, pois nos entrega às impressões materiais do universo que nos cerca. A partir das sensações apreendidas se faz a leitura da realidade que são organizadas em forma de pensamentos. Talvez, a ilusória leitura da realidade gere em alguns pensamentos contraditórios e a falsa consciência seja a motivação para muitos conflitos.

A pressão psicológica traz uma carga de sensações físicas tão opressoras que os pensamentos se desorganizam como um exército de soldados que procura desesperadamente se defender em várias frentes. Procuramos inundar com lágrimas nossos medos, insegurança e amargura. Ficamos a mercê da autocomiseração e julgamo-nos o mais insignificante de todos os seres humanos. Isto explica como a mente organiza nossas crenças no otimismo ou nos empurra para o pântano do pessimismo após termos nossas expectativas frustradas. Tal empreendimento mostra a falibilidade das verdades que construímos a partir das impressões pessoais.

Nos sonhos, libertamos a nossa alma para viajar no universo das ideias e materializamos nossos medos e motivações sem a natural repressão que disciplina as nossas ações. No mundo dos sonhos há liberdade de criação e da imaginação. Em outras vezes, nos assusta agigantando os nossos medos e culpas. Por isto, muitos têm pesadelos por se julgarem insignificantes e impotentes diante dos seus temores. Tendemos a temer aquilo que desconhecemos. Para superar o medo, o homem buscar a explicação do mundo pelo conhecimento.
AS EXPECTAÇÕES DO CONHECIMENTO

Conta-se uma lenda que o conhecimento fora enviado ao mundo na forma de um grande espelho. Porém, antes de chegar a Terra, o espelho teria se partido em vários pedaços e se espalhado por diferentes partes do mundo. As pessoas ficaram impressionadas com o pedaço do espelho, pois viam o reflexo da sua própria imagem e personalidade. Pensaram que a verdade refletiam os seus próprios pensamentos e tornaram-se individualistas e arrogantes. Desde então, por defesa de pontos de vistas acentuaram os conflitos e pelejas. Os cientistas conseguiram reunir outras partes do espelho e pensaram que tinham descoberto a verdade por inteiro e transformaram o conhecimento em atividade lucrativa e um instrumento de poder. No afã de semear sua doutrina sobre o universo e os fenômenos naturais pensaram que eram deuses.

Muitos intelectuais gostaram tanto do conhecimento que o transformaram em um brinquedo ordinário. Para tanto, recriaram o mundo a partir de suas concepções na lente de aumento do saber sistematizado. Debocharam da fé e do senso comum para definir o status da verdade segundo a ciência. Desde então, as pessoas são classificadas entre os inteligentes e os ignorantes. Assim, disseminaram a ideia de que o conhecimento é o presente dos deuses aos nobres escolhidos e que a todos enriquecidos por essa dádiva foram-lhe dados poder e autoridade sobre os demais homens.

O conhecimento é mais poderoso que o uso da força, visto que a inteligência é a arma dos fracos e corajosos. Em determinado momento da história, o homem precisou usar o pensamento para entender a natureza, superar os seus medos e usar estratégias para superar as feras e adversários que eram mais poderosos que ele. Era necessário empregar algo que valorizasse seus pontos fortes e atacasse as fraquezas do adversário.  

Aprendi que o conhecimento vence o medo e ensina o homem a pensar a estratégia. A inteligência possibilita ter domínio sobre o problema para que ele seja ferramenta de trabalho e não um empecilho na realização dos sonhos. A inteligência é resultante do processo mental que organiza nossos problemas em fórmula de cálculo. Os cálculos nos proporcionam o desafio que nos levará aos passos para a solução dos problemas.

Cito a parábola do leão e do elefante. O leão não é forte, nem o mais inteligente, ágil e alto. Contudo, compensa suas limitações pela atitude e assim valoriza a estratégia para apanhar as suas presas. Por outro lado, o elefante é o mais forte, mais alto e sucumbe diante da ousadia do leão. Explico que o leão vive em função daquilo que acredita e valoriza a estratégia, mas o elefante vive em função daquilo que vê e ouve e aprendeu a ter medo do rugido do leão.  Por isto, a fé alimenta as nossas atitudes por mais ilógicas que possam parecer, superando a visão limitada da razão que coloca termos para as nossas possibilidades.

Ainda hoje, o conhecimento é apregoado como o néctar dos deuses. Alguns acreditam que ao nascer foram premiados pela inteligência para que tivessem relevância dentre os homens. Assim, impõem reverência para que sejam reconhecidos como notáveis e admirados como excelência pelos demais indivíduos.

Creio que a sabedoria é alma da mais excelente das virtudes: o amor. A sabedoria tem uma essência espiritual que tem conexão com a fé. A sabedoria se submete a necessidade dos homens para iluminar o caminho em direção da virtude. O homem sem a virtude está moralmente morto. É escravo das suas paixões e se submete aos seus impulsos mais sórdidos. A sabedoria conduz o homem ao domínio dos impulsos de sua natureza, distinguindo-os dos demais seres viventes. Por isto, a sabedoria mais importante que o conhecimento e mais vigorosa que a inteligência.

Gosto muito da opinião do educador, filósofo, teólogo e psicólogo Rubem Alves. Ele que expressa que é preciso entender que “nossas ideias não passam de passam de palpites”. Traduzem uma opinião sobre determinado assunto em determinado momento, mas, conversando mansamente com outras pessoas, extraímos outros pontos de vista que irão enriquecer o nosso entendimento e compreensão da realidade que é dinâmica e sofre constantes mutações.  Não se trata da aniquilação do pensamento individual – extrato da consciência e da personalidade. O pensamento é a propriedade imaterial do ser humano que se revela por meio do diálogo. Apesar de divergente é salutar nas relações humanas.

Acredito que os pensamentos podem evoluir e se transformar em ideias. As ideias tem comprometimento com a posteridade. Não basta apenas pensar. É preciso conversar para extrairmos as contribuições dessa arena do debate divergente. Pela conversa dividimos pensamentos e pelo calor da divergência tornamos mais brilhantes nossas ideias.

Por vezes, somos egoístas, egocêntricos e os nossos pensamentos refletem a nossa postura defensiva no trato com os nossos semelhantes. É o meio que temos ao tomar como referência o nosso próprio corpo para orientar a visão de mundo. Assim, cada um tem a verdade particular como tacape no seu grito de guerra quando se sentir ameaçado. Parece que o homem ama no íntimo a liberdade que, como medida extrema, é capaz de abominar as regras. Ledo engano. Prevalece o medo de não querer ser controlado por outro ser humano. Os construtos mentais denunciam a nossa individualidade que clama por liberdade – é a inscrição primordial da nossa alma. Por outro lado, a mesma liberdade amedronta e ele reclama por limites por meio da rebeldia.

Concordo com o Dr. Myles Munroe que o homem nasceu líder e não admite a opressão em sua forma mais banal. Como obra prima na coroa da criação, temos o comando instintivo da dominação sobre a natureza e o desejo ardente de controlá-la, de modo que o desconhecido nos inquieta. O problema que esse domínio se revela opressor ao longo da história tanto em relação à natureza e os demais seres animais e humanos.
CONCLUSÃO

Por vezes fico perplexo como a cultura traz elementos do patriarcado com requintes de machismo, sexismos e preconceitos. Acreditava-se que a agressividade era causada por pessoas ignorantes, analfabetos ou com pouca formação acadêmica. Agora fico impressionado com a brutalidade dos intelectuais que, também, não renunciam as fraquezas dos seus instintos mais primitivos: a raiva, a inveja, o orgulho, a traição, etc. A diferença é que o enredo da agressão é mais elaborado e sórdido. Eu entendo que o saber não liberta o homem dos seus instintos primitivos. Apenas sofistica os argumentos da injustiça.  Creio que é possível ser líder no universo dos sonhos para projetar sua realização por meio de ações concretas.
REFERÊNCIAS

BOTTON, Alain. Arquitetura da Felicidade. Tradução de Talita M. Rodrigues. Rio de Janeiro: Rocco, 2007.

________. Desejo de Status. Tradução de Ryta Vinagre. Rio de Janeiro: Rocco, 2005.

BRIZOTTI, Alan. Identidade Cristã: resgatando a verdadeira identidade cristã. Goiânia: Primícias, 2012.


CHALITA, Gabriel. Educação: A solução está no afeto. Rio de Janeiro: Editora da Gente, 2001.

quarta-feira, 14 de maio de 2014

PÉROLAS DA SABEDORIA

 
Professor Gelcimar da Silva Pereira Nunes          

INTRODUÇÃO

Na sublimidade do silêncio, busco a inspiração para compor a poesia no ritmo das batidas do coração. Sou convidado a adentrar no mundo das ideias e colher os favos de sabedoria plantados no átrio espiritual do Eterno. Claro, do silêncio busco a renovação das forças cujas energias foram empregadas no serviço ao próximo. Essa renovação é fugaz e expressa a própria necessidade do ser de drenar sua ansiedade quanto as expectativas de ser o próximo alvo da solidariedade orgânica. Então a reciprocidade dá-nos a sensação de que seremos recompensados em toda boa obra; que nossas virtudes serão louvadas e os nossos defeitos esquecidos.

EXPECTATIVAS
O desenho da realidade é belo no universo dos nossos sonhos e gostaríamos de vivê-la na integralidade da realidade. Mas, as pessoas que nos cercam confrontam em nós as expectativas de um mundo perfeito. O mundo ideal é reclamado no universo dos direitos e nem todos não aceitam as agruras como estágio de aperfeiçoamento do ser humano. Reclamam por atalhos e pelo produto pronto sem defeitos. A realidade fast foot expôs as tragédias da velocidade da rotina dos indivíduos, plastificada, mecânica e fetichizada. Não há tempo para pensar, para ler e refletir, pois o mais importante é o resultado e não o processo.
 
Creio que a beleza das palavras está decorada na sublimidade da verdade. Não quero presentear a beleza com ingredientes da falsa consciência. A ilusão do elogio está na fragilidade da segurança que ele traduz. A fé da boa qualidade da índole e das intenções não introduz ninguém no universo das mudanças. A expectativa é que faz as coisas melhorarem, embora nem sempre mudar signifique que as coisas melhorem.
 
Nossas expectativas são sonhos desenhados com sentimentos carregados de otimismo. Essas pérolas de esperança fazem da verdade a tábula da certeza de que o universo se revestiu da perfeição para atender as nossas preces. Então percebemos que estamos adentrando em uma seara perigosa. E se as nossas expectativas de perfeição forem frustradas? Então só nos restarão a ira, o desânimo e a autocomiseração?
 
Folgo na verdade pela convicção do seu conteúdo ético não apenas como arma de defesa da insegurança. A verdade não pode ser falsificada pelo medo para ser uma arma nas mãos dos iníquos. Sei, porém, que cada um busca justificar suas posições políticas-racionais com o argumento de verdade. Essa sanha egocêntrica cria polos de divergência, imprime dúvidas e falsifica as certezas. Claro, as pessoas anseiam que suas posições individualistas prevaleçam sobre as demais para o bem estar de suas convicções e para reafirmar supremacia. Não gosto desse conceito de supremacia embrulhado com requintes de competição. Essa ilusão de liderança que estabelece diferenças entre fracos e os mais adaptados. Creio que a liderança deve estar enlaçada no compromisso de inspirar pessoas sem a conotação de domínio. Assim, a luz da verdade das ações das pessoas excelentes são marcas rochosas que não podem ser apagadas com o silêncio da morte. São vozes reproduzidas no legado das gerações.
 
O silêncio dos puros sonega, às vezes, atitudes de altruísmo contra as injustiças. A verdade roga por arautos humanos assim como a terra seca anseia pela chuva. Isto mesmo, a verdade quando chega planta a semente da justiça e, ao mesmo tempo, sangra as contradições do engano para estabelecer-se de forma triunfante. Quando a verdade se estabelece pela contradição, vejo na melodia do pranto abrir as oportunidades de um arrependimento sincero.
MEU ENTUSIASMO
Meu entusiasmo, foca em todas as possibilidades de transformação do ser humano pelo resgate da sensibilidade que foi perdida pela ilusão do ego e do materialismo. Inevitavelmente, somos vítimas do ego ferido porque deixamos a ilusória satisfação do individualismo e do materialismo nos corromper. Creio que as nossas virtudes nos fazem mais excelentes do que os demais homens e até mesmo a pretensa humildade entra na cota elementar da nossa satisfação. Mas, a nossa importância está no mesmo limite da nossa insignificância, pois todos os homens foram colocados no mesmo centro do universo. Então, as motivações das injustiças estão plantadas no coração humano que foi corrompido pelo materialismo das relações pessoais, com requintes de individualismo dominador e orgulhoso.
 
Agora sei que a minha defesa de fé está nas convicções de que a vida não é um produto pessoal, mas um usufruto coletivo. Fomos plantados na história a partir de um propósito de utilidade. A vida não foi um acidente que nos introduziu na existência. Aliás, existe uma diferença entre viver e existir. Alguém pode viver a vida do seu jeito sem entender nada. Viver como se fosse um animal dentro de um ciclo biológico ou simplesmente pensando em experimentar até a última gota de prazer antes que chegue a tragédia da morte. A existência convida a desfrutar a vida com significado. É introduzir-se na consciência espiritual que nos faz vigorosos na fé e na esperança, apesar das conflituosas relações humanas existentes na sociedade. A existência faz as pessoas serem sócias de outros homens e mulheres nesse imenso ecossistema. Claro, a existência pressupõe uma solidariedade orgânica entre pessoas e isso vai além de uma simples especulação filosófica. A existência revela o ser na sua integralidade com a sua essência espiritual: sentimento, inteligência e vontade. É o homem revestido da sua consciência moral e de sua origem gregária. Ou seja, uma vida atrelada a uma consciência social de promoção do bem-estar dos demais seres humanos.
 
Minha vivência traz as expectações das alegrias e frustrações da convivência humanas. Aliás, a convivência social é carregada de emoções. Assim, partilhamos as fraquezas da carne que extravasam nas palavras não calculadas, traídas pela impulsividade do espírito. Não poderemos reclamar a perfeição como algo absoluto, mas poderemos experimentar o aperfeiçoamento progressivo que nos faz homens e mulheres maduros, em desenvolvimento pleno enquanto pessoa. Sou forjado a partir dessas experiências que humanizam e me revestem de sensibilidade para olhar o outro com o sentimento da própria carne. Essa vazão do sentimento é capaz de produzir uma gota ardente no olhar: a lágrima. A lágrima é a prova mais evidente das emoções que explodem nos momentos irremediáveis dos infortúnios. Ela revela a nossa mais nobre fraqueza; faz o coração de carne se romper e força os mais corajosos a retroceder o seu espírito belicoso. Se bem que a lágrima, às vezes, é traiçoeira como laço de trapaça a espera dos incautos. Porém, a palavra da sabedoria adorna com a verdade a sala de estar do coração e descortina todo o engano e até o mesmo o fetiche da lágrima.
 
A verdade está tão perto e distante de mim. Ela se revestiu das virtudes divinas e anseia por ser desejada, buscada. Mas por que ela não se corrompe pela tutela das definições científicas? Existe alguém que disse que a verdade deve experimentada, provada, experimentada e percebida pelos órgãos dos sentidos. Seria o resultado da experiência e tão simples a ponto de ser materializada?  Hoje, a verdade está sendo lançada na arena do contraditório, perdida no julgamento de teses, por um método racional pelo qual o julgamento moral está força dos argumentos do que na sublimidade dos princípios. No duelo de palavras, há quem fragmente a verdade, aprisionando-a nos pressupostos da subjetividade. Agora, fala-se em verdades, extraindo a objetividade e sua singularidade. Parece ser a aposta mais conveniente para o individualismo no qual todos estão certos e, ao mesmo tempo, todos estão errados.  Assim, cada um carrega debaixo do braço sua verdade e a arma de defesa mais usada é: “cada cabeça, uma sentença”.
 
A renúncia da objetividade faz que os valores sejam relativos e suscita o questionamento ao modelo de sociedade objetivo e conservador. A diversidade desprovida de unidade de consenso faz com que até mesmo o crime seja repensado pela subjetividade. Isso leva a relativização da culpa e a marginalização passa ser considerada, por determinadas bandeiras sociais, uma consequência e não uma causa em si mesma. Colocar o criminoso como vítima de um sistema social desigual é o argumento mais estúpido da corrente pós-modernista que abraça a subjetividade até as últimas consequências. Por isso, a reversão dos direitos humanos vê no meliante uma vítima a ser protegida do Estado opressor. A marginalização do Estado é a teoria mais insana de determinados militantes políticos. A inversão de valores é pressuposto da injustiça social que sufoca a ousadia dos homens piedosos, temerosos da criminalização de suas posições contra o erro e o engano.
 
Então quero estar adornado com pérolas da sabedoria. Não quero ser o inteligente, o culto, o mestre ou doutor em ciências e até mesmo perito em teorias sociais. O mundo está cheio de mestres e doutores e, ao mesmo tempo, carente de sábios. O saber acadêmico é vital para o modelo econômico capitalista e faz diferença em um mundo competitivo.
 
Para alguns peritos em teorias, a brutalidade e a delinquência é produto da ignorância; que a educação é o caminho para a formação de gerações conscientes e mais humanas. Seus argumentos consideram que a desigualdade social é o reflexo das injustiças históricas que embrutece a nossa sociedade.
 
Creio que a pobreza não exime ninguém da cultura moral mais excelente que cultuavam os nossos avós. Eles cumprimentavam as pessoas no trânsito diário com a simplicidade da amizade e do respeito. Sabiam o tempo e as estações, julgavam as pessoas pelo caráter e não pela aparência. Cultuavam a hospitalidade e a misericórdia como bondade praticada a um parente mais próximo. Eles produziam no presente a esperança como semente de um fruto saboroso a ser colhido na posteridade. Detestavam a velocidade dos compromissos e o tempo para o trabalho estava marcado para o nascer e o pôr-do-sol.  Assim tinham conhecimento da mais nobre de todas as Leis: a “Lei da Natureza”, também conhecida como a “Lei da Semeadura”, cuja máxima é: “tudo tem o seu próprio tempo”.
CONCLUSÃO

Por isto gosto da sabedoria por que ela enleva o espírito e enobrece o caráter. Ela está presente nas palavras de conselho que nos ajudam a evitar o mal e a praticar o bem. Protege-nos dos modismos, mesmo que ampla maioria siga princípios contraditórios como se fosse a última verdade do universo. A sabedoria nos ajuda a fortalecer as nossas convicções de justiça, de respeito ao próximo e a amar a verdade acima de todas as coisas. Sobretudo, ajuda a compreender a vida como uma dádiva recebida do Eterno e compartilhada com todos na Terra dos Viventes.

REFERÊNCIAS
Vou apenas recomendar a leitura de alguns livros:
 
BRIZOTTI, Alan. Identidade Cristã: resgatando a verdadeira identidade cristã. Goiânia: Primícias, 2012.
 
CURY. Augusto. Os segredos do Pai-Nosso. A solidão de Deus: um estudo psicológico da oração mais conhecida no mundo. Rio de Janeiro: Sextante, 2006.
CHALITA, Gabriel. Educação: A solução está no afeto. Rio de Janeiro: Editora da Gente, 2001.

segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

MEU SILÊNCIO

Professor Gelcimar da Silva Pereira Nunes
INTRODUÇÃO
Passado algum tempo, retomo a recreação de escrever as simples expectações do meu pensamento, na beleza da nossa estimada língua portuguesa. Há tempos, estive refugiado no trabalho, nas tentativas incessantes de buscar respostas para a ansiedade que invadem o coração. Bem sabia que a ansiedade era amiga inseparável do medo do universo incerto do futuro que nos avizinha. Nesse caso, somos presas fáceis da nossa insegurança e ficamos a mercê das imaginações dos pensamentos que buscam antecipar sucessos e fracassos.

MINHAS VIVÊNCIAS

É verdade que, nós seres humanos, gostamos de estar sempre no controle de tudo e até do resultado das nossas ações. Gostamos de antever o futuro e essa é a razão da nossa insegurança. Mas, depois, parece que a ansiedade vai diminuindo à medida que somos envolvidos na atmosfera da ação. Percebemos que os erros e acertos são inevitáveis e que a nossa sorte está lançada. Não podemos retroceder. Ainda bem que temos a confiança de que nos cerca uma força extra que impulsiona a lutar contra as adversidades. Daí, nós tiramos a motivação para buscar as alternativas em todas as tentativas mal sucedidas e não fazer da frustração a nossa perene morada.

Nesse momento, percebemos que não estamos sozinhos, que existem pessoas certas no nosso caminho por mais que pareça incerta a nossa caminhada. Logo, não poderemos reivindicar a exclusividade nos louros das vitórias, pois o nosso trabalho é solidário. E como disse um ilustre professor: “Ninguém é feliz sozinho!” Temos sempre alguém no nosso caminho, no nosso caminhar. E é nessa certeza que revigoro as esperanças, sabendo de antemão que as dificuldades nos exercitam a paciência e nos protegem do pântano alagadiço do desespero. Tal esperança enobrece o desafio quando percebemos que somos capazes de superá-lo com inteligência, abraçando todas as oportunidades que encontrarmos no caminho.

Aprendi a não ser demasiadamente otimista e fiz do pressuposto do filósofo estoico Lucius Aneus Sêneca (4 a.C. – 65 d.C.) uma porta de segurança para as possíveis frustrações. Porém, estou precavido contra o exacerbado pessimismo que fecha os olhos da alma e impedem enxergar todas as possibilidades inauguradas no universo da esperança.
Assim, quero despoluir meu coração da dúvida, pois à tarde e pela manhã terei de adentrar no labor diário da convivência humana. Então, percebo que o desafio é resultado dos temores dessa convivência, dos enfrentamentos das contradições de cada indivíduo. Nesse jogo de egos dependemos de um diálogo cognoscente para a saúde vital do nosso entendimento. Da compreensão do outro, passamos a amar as motivações de parceria e do senso de prestação de serviço ao próximo. Logo, não estamos para sermos servidos, mas para inclinarmos a necessidade do outro com as pérolas divinas da sabedoria. O caráter da assistência é recíproco. Pelo menos deveria ser. Mas, o vírus do egocentrismo tem contaminado a alma até dos infantes e o duelo de palavras é próprio de quem quer ter razão até para as atitudes mais mesquinhas.

Vejo que até os lábios mais puros não escapam do escárnio das contradições da vida. Não temos como zombar das nossas fraquezas e defeitos! Bem, quem não gosta de encobri-los? É mais fácil fiscalizar as fraquezas dos outros e sobre elas tecer teses e fazer mídia, tudo isso para produzir um sarcasmo ou uma recreação gratuita. Nesse fetiche materialista é fácil transformar pessoas em coisas, em brinquedos, provocá-las, dar nomes e sobrenomes a partir do rótulo da perfeição imposta socialmente por uma minoria pensante e influente.

Tenho visto debaixo do sol, que a ansiedade tem relação para resposta de aceitação por um grupo social. O medo de fracassar nos rodeia como feras esfomeadas prontas para roubar a nossa estima e reputação. Por vezes, esquecemos que a virtude nos ajudou a lograr êxitos incalculáveis na história de vida. Aquilo que julgamos ser obra do acaso, da sorte, foram resultados da condescendência divina na nossa história. Cremos, então, na intervenção do Criador e em uma vida estruturada a partir de um propósito. Então as pedras não foram lançadas a esmo, mas colocadas caprichosamente no nosso caminho para entendermos a direção e administrarmos com paciência a carreira que nos está proposta.

Também, é possível enxergar positivamente o medo, desnudo da irracionalidade. É possível entendê-lo como o receio do erro e com os ingredientes ricos da respeitabilidade humana. Aprendi que sem o medo das consequências ninguém entenderá os limites da liberdade. Claro, a liberdade tem sabor quando se tem consciência que o direito do outro é o limite da minha liberdade. A ausência do medo faz fronteira com a arrogância, o desejo de status e o esnobismo. A soberba cavalga na autoconfiança dos estúpidos que se julgam mais importantes que a própria sombra. Por isso, a humilhação do próximo é a atividade recreativa de quem se julga superior, que desafia a ordem e procura alguém para parar a sua arte patética, colocando em sua frente o medo que tanto procura. É loucura fugir das consequências dos seus atos, razão por que há pessoas que só cumprem regras quando se sentem vigiadas ou quando ameaçadas de punição do mal feito. Pena que a cultura da obediência sob a vigilância está institucionalizada nos decretos do coração das pessoas insolentes e atinge até a incompletude da alma infantil.

MINHAS PERCEPÇÕES

Outra percepção imediata debaixo do sol é que quando estamos junto com a multidão, ficamos desesperados para sermos ouvidos e carentes da atenção, sob pena de sermos ignorados, embora haja pessoas que não se incomodam em ser anônimas em um grupo, mesmo que seja pequeno. Claro, o sujeito repleto de virtudes está condicionado ao anonimato a não ser que exerçam certa influência em seu grupo. Por outro lado, na maioria das vezes, a punição dá fama aquele que descumpre regras e está em confronto com a lei. As boas ações não são louváveis, mas espetacularização do crime tem a mais abominável mídia que encanta até o olhar dos inocentes. Então, como não reconhecer que o ser humano quer atenção? O mundo está carente da candura das palavras e do conforto do abraço. Tenho visto muita gritaria e cada um querendo passar na frente do outro na disputa da atenção. É a disputa de quem quer falar primeiro, de que tem razão, que precisa mais, de quem manda ou quer ter prioridade. É difícil perceber quem está disposto a ceder a vez ou abandonar seus impulsos mesquinhos em prol da necessidade do próximo. Parece que a nossa necessidade é mais importante do que a necessidade do outro e entramos no campeonato imaginário do nosso ego.

Aprendi que devemos ter cuidado com o uso recreativo das nossas palavras por mais inocente que seja a nossa imaginação. Agora estou mais crédulo de que toda brincadeira tem um lado sério; que nem sempre dizemos o que pensamos. Então, lembro-me do filme “O carteiro e o poeta” no qual o ator que representa o poeta Pablo Neruda afirma que “as palavras não passam de metáforas”. Ou seja, os sentimentos são tão profundos que os gestos são insuficientes para traduzi-los; precisamos, então, das palavras que também não comportam tamanha grandeza. Aí, que mora o perigo. As palavras passam a ter um sentido particular para cada pessoa e o raciocínio traditivo (entendimento pessoal, particular) faz que um elogio seja entendido como uma ofensa e uma brincadeira torna-se uma provocação. Por consequência, os maus entendidos são males que destroem até as mais sólidas amizades, pois suas desculpas não curam as feridas da alma do ofendido. As palavras são insuficientes para conquistar a cidadela forte da amargura de coração. Quem sabe o tempo traga consigo a reflexão sobre a virtude, o entendimento das contradições da vida e vento da restauração da amizade perdida?

Gosto então de contemplar a beleza do perdão, de exaltar o poder da comunicação entre pessoas. Por isso, quero estar em todos os momentos de celebração da amizade e de ser participante de todos os eventos que unem pessoas. Gosto da alegria das brincadeiras desses momentos que nos levam a retrospectiva da gloriosa infância.
Entendo que o medo de ser sincero está ligado ao receio de melindrar pessoas e de não se portar com a elegância das palavras. Alguém teme que a sinceridade seja uma lâmina que fere o orgulho das pessoas, que coloca em xeque todas as certezas e tira a venda da realidade que não queria enxergar. Por outro lado, há pessoas que no salto alto da arrogância se julgam no direito de dizer o que bem entender, usando palavras como arma, sob o pretexto da verdade e da sinceridade.  

Gosto muito do conselho de Rubem Alves de que as nossas palavras não passam de palpites e de que, dessa forma, é possível conversar amigavelmente sobre todos os assuntos e até sobre aquilo que nos incomoda sem a perspectiva do confronto.
Sinto-me feliz diante de pessoas de coração aberto para celebrar a amizade como o néctar dos deuses. São essas pessoas que florescem o diálogo na floresta de possibilidades da elevação da dignidade do ser humano. Quando o diálogo flui com humildade, torna-se possível conhecer o outro, valorizar suas virtudes e compreender suas fraquezas. Assim, o julgamento cínico dá lugar a parceria beneficente que faz pessoas trocar o individualismo pelo espírito de grupo. Portanto, não há protagonistas. Todos são importantes como uma orquestra em que cada músico com o seu instrumento diferente produz coletivamente uma uniformidade sonora. Logo, a minha diferença se encaixa na diversidade do grupo para produção da eficiência do resultado. Acredito que as diferenças não são motivos de confrontos, mas de oportunidade de diálogo e de parceria.

Agora caminho na reflexão de Fernando Pessoa (1888 – 1935) de “que tudo vale a pena se a alma não for pequena”. Portanto, a ansiedade produziu motivações para superar os obstáculos. Fiz da ansiedade um senso de responsabilidade e de respeito às pessoas. Pude perceber que a competência será cobrada em todas as atividades de prestação de serviço. As pessoas não gostam de ser cobradas nem criticadas e esses fantasmas atormentam antes de começar qualquer empreendimento.  
CONCLUSÃO
Chega-se ao fim do ano e conclui-se que o labor proporcionou crescimento relacional e espiritual. Banhamos nas águas do rio da existência e fomos transformados pela convivência com outras pessoas. Pessoas que encontramos no caminho e nos enriqueceram com suas experiências. Aprendemos a ter segurança no enfrentamento das adversidades e abraçar a esperança como companheira inseparável.

REFERÊNCIAS

Recomendo a leitura dos livros:
BOTTON, Alain. Arquitetura da Felicidade. Tradução de Talita M. Rodrigues. Rio de Janeiro: Rocco, 2007.

_______. Desejo de Status. Tradução de Ryta Vinagre. Rio de Janeiro: Rocco, 2005.

CHALITA, Gabriel. Educação: A solução está no afeto. Rio de Janeiro: Editora da Gente, 2001.

sexta-feira, 29 de março de 2013

O QUE OS OLHOS VÊEM

Professor Gelcimar da Silva Pereira Nunes
INTRODUCÃO
Na beleza do silêncio busco a minha inspiração para as linhas que imprimem o meu pensamento. As ideias são gotas ardentes de um pensamento às vezes irregular, confuso e envolvido no contraditório. Outras vezes, o pensamento flui naturalmente e as palavras são desenhadas no universo da fantasia e da criatividade.
No exercício da criatividade, fecho os meus olhos e caminho em direção ao mundo das ideias que os filósofos gregos tanto profetizaram em suas crônicas. Esse mundo em que a imaginação aflora com a naturalidade da chuva nas regiões tropicais. Assim, alcanço a libertação dos sentimentos de repressão e do medo em descumprir as normas da nossa gloriosa língua portuguesa. 
O QUE VEJO NO MUNDO DA IMAGINAÇÃO
Acredito que a imaginação aflora quando desenhamos com cores diferentes a realidade que vivemos. O extremo realismo é um obstáculo tamanho para a pretensão de qualquer escritor. É preciso apelar para a sensibilidade que nos aproxima da criatividade. Nesse caso, o olhar passa a ser subjetivo e abstrato, fugindo da crueldade das relações concretas da nossa realidade. O olhar subjetivo desenha aquilo que desejamos com o som da batida do coração e flerta com o mundo dos sonhos.
Há pessoas que acreditam que a realidade determina o potencial dos nossos sonhos e onde queremos chegar. Para elas, o realismo não é uma vertente teórica da Filosofia, mas um determinismo da natureza, produzida por fatos sociais historicamente construídos. A realidade se prende a um relógio dinâmico da história onde o enredo já está escrito e é repetido cotidianamente, diferenciando-se o tempo, a cultura, o conhecimento e tecnologia. Então, competiria ao ser humano atenuar as consequências danosas do crescente individualismo e combater as situações gritantes de desajuste social.
Ainda bem que há pessoas acreditando no potencial das ideias. Apregoam que as ideias podem mudar o mundo por meio da ação consciente das pessoas. As ideias libertam pessoas da escura ignorância, retirando-as da visão iludida da realidade em que vivem. Na ignorância prevalece a ilusão de ótica do que é real e verdadeiro. São presas frágeis do engano e da manipulação. As pessoas aprenderam a acreditar naquilo que veem e pode ser tocado e observado. Por isto, elas constroem totem para adorar que pode ser um político, uma liderança carismática ou até uma imagem. Claro, a ignorância produz dependência, prática supersticiosa e medo.
Gosto do idealismo por que vai além da demarcação de território. Não há limites para o sonho nem convenções teóricas e sociais. Basta liberar a imaginação que as cores brotam no mundo das ideias. Não há visão turba ou pensamentos vagos e confusos, pois, no mundo das ideias, a organização é natural e flui sem se prender a enredos e contextos.
Houve alguém que tentou explicar a diferença entre sentimentos e pensamentos. Mas, não há definição precisa do que é sentimento. O conceito mais usual revela serem informações ou reações biológicas dos seres vivos quando se deparam com alguma situação como, por exemplo: medo, raiva, alegria, tristeza, etc. Por exemplo: o medo é uma reação imediata a uma situação de perigo. Isto envolve liberação de hormônios no sangue como a adrenalina. Por consequência, esses sentimentos se expressam por meio de pensamentos. Os pensamentos são produtos do intelecto ou reação à resolução de problemas. Os problemas ou obstáculos suscitam a elaboração de teses no aprendizado do ensaio: tentativa x erro x acerto.  Para tanto, a Epistemologia emergiu da Filosofia para explicar como acontece a construção do pensamento no ser humano.
Quando os pensamentos se estruturam de forma lógica e em estruturas psíquicas, eles se transformam em ideias. Para tanto, é preciso amar os seus pensamentos e rever analiticamente tudo por meio da observação ou contemplação da realidade. Os filósofos adoravam observar a rotina das pessoas e verificar todas as coincidências para refletirem sobre o cotidiano. A palavra “Reflexão” significa “voltar para dentro de si mesmo”. Ou seja, os filósofos empreenderam uma viagem dentro do seu EU para construírem pontes entre o ideal e a realidade. Eles buscaram inspiração em um mundo onde o espírito humano vaga em busca com total liberdade: o mundo da imaginação. Então, eles colheram as palavras e plantaram as suas ideias.
As palavras somente são conhecidas como ideias quando revestidas de propósito. É preciso saber qual o valor de cada palavra ou linha escrita. Do contrário é perda de perda tempo e não produz significado na vida das pessoas. Claro, o propósito precede a existência de cada coisa; ou seja, a finalidade determina o começo da existência. É preciso ter uma ideia para determinar o fim e depois começar. É preciso saber aonde quer chegar para escolher o caminho.
As pessoas são abraçadas pelas ideias ou o contrário as ideias caminham em direção às pessoas. Isto norteará a filosofia de vida de cada um. Ninguém conseguirá viver à parte de uma ideologia, visto que cada ação é determinada por uma forma de pensar. Por exemplo: a violência contra mulher é determinada pelo pensamento da supremacia masculina. Mesmo sendo pensamento odioso, não é possível banir de imediato essa ideologia, pois é uma estrutura cultural instituída ao longo dos anos. Podemos suplantá-la por uma ideia melhor propagada por uma persistente educação moral e igualitária.
AS IDEIAS SE REVELAM NO CONTRADITÓRIO
Aparentemente, a frase “ideias podem mudar o mundo” é ilusória. Ninguém sozinho conseguirá mudar o mundo por meio de palavras. É preciso ter seguidores, pessoas que acreditam nessa ideia melhor e superar a ideologia da supremacia escravizadora, preconceituosa e desigual. O mundo está repleto de pessoas que conseguiram mudar o mundo por meio de suas ideias. Apresento alguns nomes.
Jesus Cristo foi o personagem mais importante da história por conseguir transformar vidas por meio de suas palavras. Ele não escreveu nenhum livro, mas suas ideias foram transmitidas ao mundo por meio dos seus discípulos. Também, mostrou que as ideias são maiores do que a vida. Pode matar um homem, mas não suas ideias. Ou seja, as ideias são mais fortes que a morte. Tem existência espiritual, produzem crença que determinam filosofia de vida e prática cotidiana.
Madre Tereza de Calcutá mostrou que as ideias tornam-se mais vívidas por meio do exemplo. Podemos não saber cada frase proferida pela honrosa freira, mas temos a impressão mental de todos os gestos de solidariedade humana por ela praticados. Assim, mostra que a prática de vida vale mais do que a beleza das palavras ou a riqueza da oratória. Claro, as palavras penetram no intelecto, porém o exemplo inspira pessoas. Quero dizer que haverá sempre alguém a desejar ser igual ou parecido com as pessoas dotadas de virtudes excelentes. Portanto, o exemplo apresenta o lado prático das ideias com o argumento do convencimento junto as diferentes opiniões. As pessoas podem discordar das ideias; contudo, são constrangidas a reconhecer a sua pertinência e coerência.
Posso citar o exemplo do pastor batista Martin Luther King Junior que realizou manifestações pacíficas contra a segregação racial nos Estados Unidos da América. As suas ideias eram carregadas de sentimentos de fé e de esperança. Gosto muito do discurso “Eu tenho um sonho” (em inglês: I Have a Dream), proferido no dia 28 de agosto de 1963 nos degraus do Memorial Lincoln, em Washington. Nesse discusso, ele defendia a união e coexistência harmoniosa entre negros e brancos no futuro. Mesmo, depois de morto, as suas ideias revelam que o seu martírio foi à semente na luta dos direitos civis dos negros nos Estados Unidos e em todo mundo.
Poderia de outros exemplos como Mohandas Karamchand Gandhi (1869 a 1948), grande líder indiano, e Nelson Rolihlahla Mandela, heroi na luta contra o aparteid na Africa do Sul. Esses exemplos mostram que a fé nos ideais é maior que as adversidades e a dor. Quem acredita no seu sonho não teme a morte, pois acredita na perenidade da verdade impressa nas tábuas do coração. É essa convicção que move as pessoas a serem participantes do mesmo ideal.
Há quem reclame que os idealistas são alienados que perdem tempo com ilações sobre a transformação da sociedade. Outros, porém, acreditam que tanto a ideias podem determinar a realidade como a realidade pode produzir sínteses das ideias anteriormente produzidas. Apresentam a contradição como elemento novo e realidade em constante conflito. Acreditam que as palavras devem ser impostas por um exercito de mobilização pública e o convencimento por decreto das palavras de ordem. Logo, para eles, a serenidade da exortação é um recurso espúrio adotado pelos idealistas.
Eu, porém, acredito que são as ideias inspiram pessoas, porém são constituídas de valor pelo exemplo dos líderes. Os líderes são agentes transitórios na propagação das ideias, algumas delas milenares como a religião cristã. As ideias não são apenas palavras. São estruturas culturais e se transformam em doutrinas. Uma doutrina é uma crença partilhada, não imposta e está além dos sabores de humor ou vontade de seguidores. Aliás, a doutrina é anterior à existência do seguidor; ou seja, ela estruturada e reproduzida historicamente. Logo é um bem moral pacífico e revestido de fé.
Como Rubem Alves, acredito que as palavras como uma tinta grudam no nosso corpo e passam a fazer parte da história da nossa existência. A partir delas são moldados o nosso caráter e personalidade. Contudo, vale ressalvar que as palavras são instrumentos do ensino e fazem parte das nossas impressões sobre o mundo em que vivemos. Um bom ensino é instrumento de transformação e libertação, mas a má educação são algemas que escravizam o homem no seu narcisismo e o conduzem a práticas abomináveis.
Logo, não fico a espreita das boas palavras, mas do ensino que me conduz a transformação todos os dias e que me liberta dos resquícios do egocentrismo tão marcantes pelo humanismo em voga na literatura e academias. Não busco ideias novas. Procuro apenas a reedificação de um corpo e mente rodeado de inúmeros perigos. 
Assim, sou obstinado a olhar o mundo com os olhos da fé e da esperança mesmo diante das intempéries constantes. Sou moldado a vivenciar desafios e acreditar no potencial dos meus sonhos.
CONCLUSÃO
O poder da palavra está relacionado à vivência e a necessidade do coração das pessoas. Digo que o principal problema não é dinheiro e conforto, mas preencher o vazio existencial e atender o clamor de liberdade plena que anseiam. Não me refiro a essa libertinagem de alguém pensar que pode falar ou fazer tudo que desejar, sem impedimento algum. Refiro-me a libertação por meio da verdade na qual a pessoa passa a conhecer a resposta para todos os seus dilemas. Essa libertação conduz disciplina sobre os impulsos e o homem passa a determinar suas ações por meio da consciência e não da vontade. Deste modo, alcança satisfação em ser livre pelo que é e não pelo que tem.
REFERÊNCIAS
Recomendo a leitura do livro
ALVES, Rubem, O céu numa flor silvestre: a beleza em todas as coisas. São Paulo: Versus Editora, 2008.
LOPES, Hernandes Dias. Voar nas Alturas. São Paulo: LPC Comunicações, 2011.
LUCADO, Max. Viver sem Medo: redescobrindo uma vida de tranquilidade e paz interior. Tradução de Bárbara Coutinho e Leonardo Barroso. Rio de Janeiro: Thomas Nelson Brasil, 2009.

domingo, 27 de janeiro de 2013

AS INSTITUIÇÕES SÃO DURADOURAS

Professor Gelcimar da Silva Pereira Nunes
INTRODUCÃO
A Catedral de Notre-Dame de Paris completou 850 anos de existência em 15 de dezembro de 2012. Trata-se de uma construção medieval de arquitetura gótica, inaugurada no ano de 1345, localizada às margens do Rio Sena, conhecida na ficção e pela sua resistência nos eventos mais sombrios da história da Humanidade como a Revolução Francesa e a 1ª e 2ª Guerra Mundial. Também, fico pensando quantas pessoas que por ali passaram: administradores, subordinados e visitantes. Enfim, a gama de relações humanas que se estabeleceu ao longo dos anos. Muitas pessoas se foram, mas a Catedral se manteve de pé, devido a estrutura, organização e maturidade firmadas pelo aprendizado das adversidades.
A PERENIDADE DAS INSTITUIÇÕES
Percebo que há outras instituições centenárias e até milenares que também atravessaram os períodos mais sombrios da história. Isso me leva a entender que podemos apegar afetivamente a uma organização, mas ela é anterior a nós e a sua perenidade é atestada por aquilo que ela construiu desde a sua história. Não a nada que podemos fazer além do que foi estabelecido. Podemos mudar rituais, mas não a sua estrutura. Logo, estamos de passagem e ocupamos o lugar na história e participamos de organizações humanas por causa do universo cultural em que estamos envolvidos. Contudo, ninguém é obrigado a permanecer em uma organização à parte do seu sistema de crenças e motivações pessoais. Do contrário perde-se o significado que move a paixão de participar do empreendimento.
Cada instituição é norteada por uma filosofia que determina a sua organização e vivência. A filosofia é construída por pessoas e vai se aperfeiçoando ao longo do tempo. Contudo, sua estrutura lógica mantém-se inalterada, pois, de outro modo, a descaracterização dos objetivos e finalidades iniciais seria uma séria ameaça a sua sobrevivência. Por exemplo, a catedral é um lugar litúrgico e orienta-se por princípios sacros e, mesmo com o advento do modernismo, sua estrutura doutrinária é maior do que as motivações humanas, incutindo a obediência à fé apregoada. Logo, a ideologia presente nas organizações é mais poderosa do que qualquer arma, razão porque as guerras não conseguiram destruir as grandes catedrais.
Agora sabemos que as instituições têm existência indeterminada, mas não são eternas. Elas trazem em si marcas da história que nos induzem a pensar como sobrepõem à vida temporal dos seres humanos. É fato que as organizações foram criadas pelos homens para estabelecer o vínculo na busca de um objetivo comum. Surgiram de uma necessidade humana de agregação e de benefícios recíprocos. Mas, elas foram ganhando a impessoalidade e força coercitiva, determinando valores e moldando a cultura pelo sistema de crenças que estabelece. Aliás, não há alguém que consiga viver a parte de um sistema crenças, pois essa é a ideologia que vai determinar o seu estilo de vida e o seu destino.
As instituições foram criadas pelo homem à medida que as sociedades foram se desenvolvendo e se tornando complexas. São demandas das relações humanas, escopo de regras e padrões sociais baseadas em crenças, ideologias ou experiência de um ou vários grupos sociais. Dentre as instituições podemos citar a família, o serviço público, a igreja, a escola e os partidos políticos.
O que marca uma instituição é a forma como ela consegue estabelecer as sínteses entre as contradições existentes entre indivíduos e grupos sociais. Esse sistema de relações é recorrente. A forma como é administrada e são compartilhadas certas características é que vai determinar a sua durabilidade. Claro, as pessoas são diferentes, movidas pelo pensar e ambições. Logo, torna-se necessário estabelecer nessa rede de interações: direitos e obrigações a serem respeitados a fim de garantir a boa ordem e disciplina. Aliás, não existem instituições sem regras ou princípios que regem a sua existência. Assim, o ingresso e a permanência de alguém nela vão depender dos princípios que a pessoa se identificou e prometeu seguir.
É evidente que a sociedade é composta de pessoas e de grupos sociais, sendo a família a instituição mais antiga. Tornou-se senso comum que a família é a célula máter da sociedade. Assim, a sociedade é o reflexo de todas as contradições existentes na família e nos demais grupos sociais. Claro, a sociedade é o agregado de famílias e de outros grupos sociais e toda educação e mores dependem das informações que recebemos. Daí a importância da valorização da família, porque todos os desajustes são desaguados na sociedade, tais como: vícios, crimes e ilicitudes. Portanto, a família é o reflexo das virtudes e defeitos de cada um, resultante do aprendizado da convivência entre o ambiente cultural que nos cerca.
Gosto de falar da família, pois é o berço de toda a humanidade. O texto canônico declara enfaticamente a importância do casamento para a constituição da família. Inclusive evidencia que a árvore genealógica de todos passa pelo primeiro casal. Para quem acredita na verdade absoluta não há razão para ficar refém dos pressupostos da ciência sobre a origem do universo que é remoto e sua história fleta com a eternidade. Da eternidade temos um imenso silêncio e escuridão tanto para a investigação e a compreensão dos fatos.
Assim, falar da família como primeira instituição traz uma clareza cultural da sua importância em todos os lugares e momentos históricos. Por ela foi-se constituindo o patriarcado, as tribos e a formação dos povos. As nações que marcam o berço da histórica surgem de grupos étnicos bem definidos e algumas delas sobreviveram ao risco da extinção, devido à cultura que não deixaram desaparecer mesmo estando espalhados ou exilados em outros países. Logo, a cultura é o patrimônio imaterial de um povo a ser valorizado como instrumento de integração nacional, tal como fizeram os judeus até se estabelecerem como Estado nacional e, também, os curdos e outros povos que ainda não tem pátria.
Contudo, há de se lamentar que os ventos da pós-modernidade tenha trazido novas percepções e ideais de família, entrando em confronto com os valores estabelecidos anteriormente. Temos uma sociedade desajustada, repleta de problemas de exclusão e desajustes de toda ordem, bem como conflitos de limites e de autoridade, emergindo no seio da família. Daí, vimos ausência de referências morais sólidas por parte da infância e da juventude transviada, mergulhada nas drogas e outras ilicitudes.
Anteriormente tínhamos a escola como a segunda família e a continuidade dos valores iniciados na família. Mas, agora, a escola reflete de forma muito evidente as contradições da nossa sociedade. Nela desagua todos os conflitos familiares, expectativas e desilusões. A escola deixou de ser a universidade do sonho, da brincadeira e da amizade para se tornar uma agência de serviços de educação. Deixou de lado a relação interpessoal do afeto para priorizar a perspectiva dos direitos e dos deveres. Com isso, os pais e os alunos deixaram de lado o aprendizado e passaram a valorizar a nota, a cobrar capacidade para passar nas universidades. Ou seja, prevaleceu a lógica da competição. Como prestadora de serviços, a escola passou a ser a mediadora de conflitos de educandos irascíveis. Por consequência a indisciplina converteu-se em ato infracional quando a delinquência adentrou em seus espaços. Lamentalmente, temos como principais vítimas da violência: o professor e o aluno.
Também, vivemos uma época de crises nas instituições, a começar pela família. O ambiente é de insatisfação geral. Reclamamos do governo, da escola, da igreja, do clube... Todos estão errados e não atendem conforme as nossas expectativas. Às vezes acreditamos que as instituições mudarão quando mudarmos as pessoas e desconsideramos como fator preponderante a questão cultural. É possível mudar pessoas no comando e não mudar a cultura da corrupção, da ineficiência e do autoritarismo. O cenário já tem suas peças e o enredo já pronto e a resistência em alterar os moldes gera conflito institucional. É quase impossível realizar mudança sem conflitos, sem a reação do exército dos insatisfeitos e inclusive com a ameaça da desordem e a sobrevivência da organização. Não se faz mudança sem considerar os círculos de influência e de poder, daqueles que mandam e exercem fascínio sobre o seu grupo social. A eminência de rebelião ou oposição sempre existirá em um processo de mudança na perspectiva cultural. A mudança é necessária para a sobrevivência da instituição para que ela possa oxigenar suas estruturas e se fortalecer nos momentos de crises.  
Creio que nenhuma organização humana se mantém por muito tempo sem o aprendizado dos reveses. As constantes adversidades produzem certo desequilíbrio emocional das pessoas dirigentes e a ameaça de cessar tudo o que foi construído até então. Suscita o desafio do ajuste interno e a reengenharia da organização para que a instituição continue sobrevivendo. Então surge a virtude da persistência como o elemento mais eficiente para produzir experiência, a solução dos conflitos e a certeza que os obstáculos serão removidos. Ou seja, a vivência das adversidades é o motivo da sobrevivência histórica de muitas instituições.
CONCLUSÃO
Como foi dito, as instituições podem ter o momento de crise como uma oportunidade para se fortalecerem. Há o risco de se enfraquecerem e desaparecem se mergulharem na crise a procura de culpados e não se ocuparem com a causa e solução dos problemas. Procurar culpados pode ser uma forma de encobrir incompetência e transferência de responsabilidade aos outros. A instituição se fortalece quando a crise proporciona firmar compromisso de grupo, distribuir competência e sacrifícios pelo bem comum. Aliás, não há instituição que não viva sem o momento de crises, pois a realidade é dinâmica e o sistema capitalista está constantemente envolvido em crises que afeta todo o mundo.
Agora entendo que não devo ser demasiadamente otimista e pessimista em relação ao futuro. Sou apenas um entusiasta na medida do possível, crendo que decisões são marcadas por pessoas com poder temporal, que estão de passagem como eu. Não são eternas, são movidas pela vontade de fazer história na história que foi iniciada e produzida por outros. Por reflito como William Shakespeare: O mundo inteiro é um palco. E todos os homens e mulheres não passam de meros atores. Eles entram e saem de cena E cada um no seu tempo representa diversos papéis.
REFERÊNCIAS
Recomendo a leitura do livro
BOTTON, Alain. Arquitetura da Felicidade. Tradução de Talita M. Rodrigues. Rio de Janeiro: Rocco, 2007.
CHALITA, Gabriel. Educação: A solução está no afeto. Rio de Janeiro: Editora da Gente, 2001.