sexta-feira, 24 de outubro de 2014

O ENCANTO E O DESENCANTO DA EDUCAÇÃO


Professor Gelcimar da Silva Pereira Nunes
INTRODUÇÃO

Faço da experiência na educação uma reminiscência dos encantos dos primeiros anos da vida em que a beleza da fantasia estava presente na minha leitura do mundo. O encanto do sonho fazia com que a educação fosse a última gota de esperança para melhoria de vida de uma geração acostumada com a vida repleta de dificuldades. A realização do sonho dos pais era sentir a felicidade dos filhos na contramão das dificuldades que eles tiveram. Por isto o maior investimento era a educação que davam aos filhos mesmo desconhecendo a grandiosidade dos valores que eles transmitiam na simplicidade das palavras.
A SIMPLICIDADE DO ENSINO 

Por isto, invisto na memória com uma saudação nostálgica à inocência dos meus primeiros anos. Eram momentos em que o sonho era complacente com a imaginação fértil da infância. Nesse universo colorido, até a lágrima tinha o sabor da fantasia cujo enredo se renovava a cada vivência. O expecto da felicidade estava na simplicidade de ver o mundo na pureza do olhar, sem a rudeza adulta que nos cercava. Em cada brincadeira estávamos construindo o nosso mundo a partir da música de Deus que escutávamos na natureza. Essa era a nossa leitura de mundo com a sua beleza e cores. Os dias eram longos, intermináveis, como a história sem fim e fazíamos da brincadeira o sonho da realidade que desejávamos viver. Na pureza do encanto, vivíamos a beleza da liberdade mesmo alardeada pelo desencanto do não. A simplicidade da existência estava no fato de bebermos a pureza da inocência sem a culpa e a igualdade da convivência sem medo e constrangimentos. Estávamos aprendendo a viver a vida pela emoção da novidade com o mundo que se apresentava sem as contradições no horizonte. Assim enxergávamos o mundo e fazia sua leitura e escrevíamos as imagens com as penas da imaginação nas páginas do coração.

Lembro-me das noites a conversar sob a luz da candeia em que as histórias rimavam com a sabedoria popular aprendida de geração em geração. Era a tradição oral com os seus rituais nas rodas de conversas sobre a experiência vivida pelos ancestrais, trazendo à memória sua origem e feitos. Devido à curiosidade, os contos eram mais vigorosos que a literatura que hoje conhecemos. Livros eram raridade, mas os preceitos essenciais da vida estavam sendo impressos nas tábuas do coração. Não tínhamos a sistematização complexa de hierarquia. Isto não bastava. O exemplo dos mais velhos nos empurrava para a vocação de querer imitá-los pelo simples prazer de ser ensinados pelos “deuses”. A aura da verdade estava na palavra empenhada, na fé de um simples aperto de mãos, dispensando quaisquer laudas cartoriais. Portanto, o senso de justiça era regulado pela crença de considerar reciprocamente o próximo superior em relação a si mesmo. Essa concepção de serviço ao próximo era o retrato humanitário dos mais humildes. Pessoas desprovidas da instrução acadêmica, mas que aprenderam a reconstruir o mundo a partir de suas experiências de vida. Não eram perfeitas, mas não viviam prostradas diante de repetições de erros que haviam sepultado em passado pregresso. Suas experiências eram lições morais que inspiravam os mais jovens a serem iluminados no processo de tornar-se pessoa. A dignidade moral era a virtude mais excelente que indicava a prontidão do jovem para a vida adulta, propício a tomar suas próprias decisões, inaugurando sua autonomia intelectual e social.

O universo do sonho era atravessado na esperança de superação da dureza da vida pela instrução escolar. Apesar da funcionalidade, ler e escrever eram apenas o divisor entre o analfabetismo e a escolarização. Buscava-se a facilidade do trânsito diário na condução das soluções simples para a vida social. A ambição de cada pessoa estava na humildade de perpetuar seu nome por gerações à essência espiritual aprendida pelos genitores. Portanto, grau acadêmico seria apenas um adorno a toda herança cultural rica em valores e representações sociais marcantes de um povo. Isto tornava a vida simples por que o conhecimento eram pinturas desenhadas na alma e na intensidade da vida de forma natural e intuitiva.

Passo a lembrar dos relatos do filósofo Carlos Eduardo Brandão sobre os primórdios da educação. Ele mostra que a roda de conversa propicia a abertura de alguém ensinável, abraçado a genial humildade de ser um aprendiz. A beleza do diálogo está na prontidão de alguém buscar se alimentar da sabedoria com vigor de suas forças mentais e com alegria de saciar-se nos banquetes do conhecimento. Isto pode ser visualizado nas comunidades simples onde a aprendizagem da criança parte do reconhecimento da sua identidade cultural no meio em que vive. A exploração dos órgãos dos sentidos reveste a aprendizagem da emoção do patrimônio imaterial que é experimentado a cada dia, criando expectativas de vivenciar experiências significativas na plenitude da idade adulta.

Lembro-me da deidade da sabedoria dos anciãos que apregoavam o caminho da dignidade por meio das histórias de suas experiências de vida. O mundo das ideias adentrava nas mentes por meio da imaginação dos seus atos heroicos. A cada conversa uma lição de vida que nos convidava a imitá-los. Eram humanos, mas na nossa imaginação eram deuses que nos abençoavam por meio de palavras. Essas palavras eram vigorosas e proporcionavam a ação educativa de viver a dignidade acima de qualquer bem material.

A novidade do mundo do trabalho era introduzida aos infantes com a arte de mostrar a predestinação de se construir uma vida adulta autônoma. Construía-se o ciclo a partir da infância com a doçura do olhar, perplexo com intento de se aventurar ao mundo da responsabilidade. Gozava-se a infância de forma vagarosa, sem a exigência da velocidade no aprendizado. Respeitava-se a lei da natureza de crescer na estação própria para colher os frutos da maturidade com a qualidade da vida.

Nessa aprendizagem da vida, destacava-se o senso de preservação das crianças para que elas não adentrassem prematuramente nas contradições do mundo adulto. Estavam propositalmente excluídas das informações e debates acalorados promovidos nas rodas das pessoas crescidas. Importava que elas vivessem a infância, respeitando o seu universo de ludicidade e encanto.

Então, as crianças deveriam captar o conhecimento do mundo pela beleza do olhar, pela naturalidade das palavras e pelo encanto dos gestos. Nada de conhecimento prematuro, apressado e impositivo. Tudo aconteceria no momento certo, seguindo a lógica da curiosidade e da descoberta. Contudo, não era custoso mostrar o caminho a ser percorrido com segurança em situações do cotidiano. Aprender fazendo e questionando seus próprios erros era a forma de produzir maturidade psicológica e emocional. O sentimento de culpa era usufruído com uma tristeza causada por um arrependimento e traria gozo em momento oportuno. O gesto amoroso da correção levava a reflexão sobre as oportunidades de praticar a virtude como o espelho do homem ideal a ser formado. Mas, o homem ideal não estava carregado da áurea da santidade, isento de todos os defeitos e protegido de todos os sentimentos indesejáveis. Era tão próximo e tão marcante como nossa própria carne. Por isto, cultuávamos em nossos pais o respeito dos deuses.

A experiência religiosa era introduzida no caminho, no caminhar e suas ondulações eram conhecidas com o brilho no olhar. No sonho era plantada a esperança que estava presente na existência dando-lhe beleza nas cores. Educar para a esperança era mostrar que as dificuldades da vida era um processo dinâmico a ser superado com o tempo para olhar mais adiante pelo retrovisor da experiência.
AS MARCAS DO ENSINO NO CORAÇÃO

Assim, as palavras eram tintas que nos marcavam e grudavam em nós, dando forma aos nossos pensamentos e ajudando-nos a estruturar ideias. As palavras tinham o valor de ouro e não causavam enfado aos ouvidos. Isto por que tínhamos o orgulho de ter a ignorância como a nossa nobre fraqueza. O reconhecimento da ignorância era o pensamento que embasava a nossa humildade. Ao praticar a virtude da humildade, o mais importante era ouvir para apreender a exposição oral, deixando a imaginação construir as imagens das informações. Não importava tanto fotografias e filmes. Todo o ensino quando chegava ao nosso entendimento se transformava em um conteúdo autobiográfico. Inevitavelmente entrávamos na história, vivendo ao lado dos personagens como se estivesse presenciando suas aventuras. Assim, construíamos os significados, dando cores e imagens às palavras, mesmo que elas fossem instruções e advertências.

Por consequência, algumas palavras nos marcaram como vergões. Nem mesmo adultos nos esquecemos delas. Eram bem diferentes desses jargões que martelam a nossa mente com suas exaustivas repetições. Os jargões não passam de uma celebração à ignorância e uma violência contra a educação, pois transforma pessoas em receptores passivos e repetidores involuntários de palavras ou frases. O que me refiro é o encanto de receber as palavras como pérolas para adornar a experiência de vida. É lembrar-se das palavras e relacioná-las a pessoas e acontecimentos de vida, bem como a experiência marcante da história. Nessas lembranças, às vezes, temos a experiência do flashback, imaginando as vozes e as imagens do passado. Aliás, a memória nos faz viajar para trazer a lembrança dos aprendizados que precisamos usar como ferramentas em momento oportuno.

Agora lembro que, certa vez, a poetisa Adélia Prado refletiu que o nosso corpo é feito de palavras. É impressionante como as imagens, que vimos, interiorizam a leitura do mundo. As palavras têm uma conexão simbólica com a leitura de mundo com suas imagens e cores. Fazemos-nos participantes da história nos construtos da mente. É o modo solene pelo qual adentramos no mundo das ideias onde o pensamento se materializa com o jogo simbólico das imagens que criamos.

A mesma coisa disse Rubem Alves, explicando que as palavras grudam em nosso corpo como uma tinta ou tatuagem. O que ouvimos não poderá ser removido e que novas palavras são inseridas no conhecimento que já temos como a nossa própria vivência. Isso faz parte da experiência com seus casos e percalços.
A CORRUPÇÃO DO SONHO PELA TEORIZAÇÃO DA REALIDADE

Agora cito Friedrich Wilhelm Nietzsche (1844 -1900) para falar do sofrimento. Para Nietzche, o sofrimento é algo vantajoso na vida. Sem sofrimento não há vitória, não há sucesso. Alguém pode imaginar que o sucesso é algo fácil e natural, mas não existe um caminho reto até o topo. Ele escreveu.

"Não falem de dons ou talentos inatos. Podemos listar muitas figuras importantes que não tinham talento, mas conquistaram seu mérito e transformaram-se em gênios. Elas fizeram isso superando dificuldades."

O sofrimento e as dificuldades enfrentadas por muitos em sua infância e juventude ajudou a valorizar a educação familiar e escolar como a essência da própria virtude. Para alguns, o chão da escola estava no quintal da casa e nos afazeres domésticos. As aprendizagens fluíam com a naturalidade do crescimento físico com a mesma graça e verdade. A cada momento era plantada a semente da esperança doada pela experiência dos mais velhos. Cada palavra plantava o sonho da imitação da virtude dos pais. O orgulho de pertencimento à família dava-se em função da proximidade do respeito e do reconhecimento.

Atualmente a renúncia ao sofrimento tem corrompido à criança. Prega-se uma realidade ausente de fraquezas, tristezas e frustrações. A criança é o centro do universo com suas queixas e direitos, precursor da formação de um adulto servo do paternalismo exacerbado. Como consequência, temos a imaturidade e a rebeldia do adolescente e do jovem. O enfraquecimento do pátrio poder é uma realidade evidente nos nossos dias com pais inseguros e impotentes diante da desobediência de seus filhos. A intervenção do Estado nas famílias decorre dessa insegurança e desespero.

Todos esses problemas deságuam na escola como se fosse um espaço para cobrir a ociosidade das crianças que reclamam por curtição e irresponsabilidade. A tragédia da educação inaugura-se na sala de aula pelo enfraquecimento da capacidade da escola de resolver conflitos com origem familiar. O desrespeito aos profissionais da educação inaugura a época da violência simbólica, verbal e física. Os pequenos ditadores ameaçam, constrangem e agridem, fazendo com que os atos infracionais sejam uma rotina no ambiente escolar. As famílias incentivam o desrespeito ao professor quando os tratam como empregados dos seus filhos. A obsessão pela aprovação faz com a educação seja uma mercadoria muito barata em detrimento do conhecimento real. Agora esperemos o tiro de misericórdia na educação com a promoção automática dos alunos, inclusive daqueles que não moveram sequer um dedo para apreender uma gota de conhecimento.

Espera-se com a educação progressista e libertadora (que nunca se entendeu o que era) venha tornar a educação uma mercadoria por meio de barganha política do poder público com o lobby dos intelectuais. A posição secundária imputada aos educadores faz com o aluno e suas famílias estejam no centro da razão e excluídos de responsabilidades com relação ao fracasso escolar.

CONCLUSÃO

A reflexão nostálgica não se encerra nessas linhas. A imaginação inaugura reticências com as indagações e explicações a serem buscadas. Sou apenas um especulador teórico usando a nossa vã filosofia para entender os mistérios que existem no céu e na terra. Estou limitado para compreender a evolução do pensamento humano e as inúmeras contradições que surgem no duelo de palavras inúteis, onde cada um deles busca convencer-se da verdade. Portanto, a ideologia se alimenta do ego em relação ao próprio conhecimento. Quanto a mim, voltarei a dormir na simplicidade do humilde conhecimento aprendido pelos antigos, dialogando com os saberes que me são apresentados.

REFERÊNCIAS


ALVES, Rubem. Um Céu Numa Flor Silvestre: a Beleza Em Todas as Coisas. Campinas: Verus, 2009.

BOTTON, Alain. Desejo de Status. Tradução de Ryta Vinagre. Rio de Janeiro: Rocco, 2005.

BRANDÃO, Carlos Rodrigues. O Que é Educação. São Paulo: Editora Brasiliense, 1981.

CHALITA, Gabriel. Educação: A solução está no afeto. Rio de Janeiro: Editora da Gente, 2001.

CURY. Augusto. Os segredos do Pai-Nosso. A solidão de Deus: um estudo psicológico da oração mais conhecida no mundo. Rio de Janeiro: Sextante, 2006.

NIETZSCHE. Coleção Os Pensadores. Vol. 1. São Paulo: Nova Cultural, 1987.

domingo, 24 de agosto de 2014

O UNIVERSO DOS SONHOS

INTRODUÇÃO

Viajante neste mundo vivo a cada dia os questionamentos da segurança de cada passo a ser dado em direção ao aperfeiçoamento progressivo da virtude. Sei que a virtude está no encanto da inspiração de um mundo perfeito onde os homens experimentam a elevação de sua essência espiritual. A virtude não é uma faculdade interiorizada como uma caixa preta que não pode ser desvendada nas relações entre seres humanos. Ela é a luz que reflete a beleza da alma com todas as suas cores e detalhes. Dá os contornos mais brilhantes a personalidade humana, atenuante os defeitos. Por isto, a virtude é a companheira inseparável da sabedoria e conduz os homens para o incomensurável mundo das ideias.
A CAIXA-PRETA DA ALMA

Lembro-me das lições aprendidas com os mestres sobre os filósofos socráticos que exaltavam a virtude como a elevação espiritual a ser buscada por todos os homens. Contudo, reconheciam sua aquisição como uma joia rara, devido ao conflito interior contra os impulsos materiais, próprios da dualidade corpo e alma. Sabiam que a busca até a última gota do prazer, pensada como a plenitude da alegria, incorreria na mais irracional das pulsões conflitando com a prática da virtude. Uma das reflexões mais produtiva foi à recomendação à administração equilibrada das palavras e uso moderado da ira.

Como tenho percebido, as palavras tem sido a conexão entre os pensamentos e as ações. As palavras trazem consigo enigmas do universo conflituoso da alma, filtradas pela censura moral que abraçamos por meio das nossas crenças e ideologias. A disciplina moral nos humaniza e nos resguarda da escravidão dos impulsos que nos rodeia à espreita dos enganos da razão. Tudo isso porque nos vimos envolvido em conflitos interiores cujas motivações, por vezes, desconhecemos.

É muito difícil colocar-se no lugar do outro porque implicaria na renúncia da satisfação das nossas primeiras vontades. Teríamos que refletir sobre a culpa de se alimentar da fraqueza dos outros por querer disputar a solidão do primeiro lugar. Para alguns, a trapaça é legítima para que realização dos impulsos egocêntricos e compulsivos seja a expressão de um grito de liberdade e de poder. Claro, a sensação é que as regras são escravizantes e transgredi-las acrescenta a biônica sensação de prazer e perigo para incluir-se no rol dos privilegiados a desafiar as normas de um grupo de indivíduos. 

Fico pensando como a transgressão está inserida na disputa de poder e no desafio a toda e qualquer ordem. Há quem acredite na falibilidade dos projetos e da justiça humanos para estabelecer-se como exceção à regra. A busca da exceção acena para os privilégios dos atalhos, pois existe sempre alguém quem desconfia que as normas sejam realmente justas ou se a vigilância é eficiente. Essa é razão porque nos impressionamos como alguém declaradamente valente, quando confrontado pelo rigor da justiça, busca a fuga das consequências dos seus atos.

O homem como ser moral traz a conjugação dos seus sentimentos que são interpretados por pensamentos e materializados por meio de atos. É difícil decifrar a natureza dos sentimentos que, por vezes, nos induz a cometer equívocos. Essa é a clara evidência de que desconhecemos a nossa própria interioridade ou enigmas da nossa própria alma. Acreditamos piamente nos órgãos dos sentidos: a visão, a audição, o olfato, a gustação e o tato, pois nos entrega às impressões materiais do universo que nos cerca. A partir das sensações apreendidas se faz a leitura da realidade que são organizadas em forma de pensamentos. Talvez, a ilusória leitura da realidade gere em alguns pensamentos contraditórios e a falsa consciência seja a motivação para muitos conflitos.

A pressão psicológica traz uma carga de sensações físicas tão opressoras que os pensamentos se desorganizam como um exército de soldados que procura desesperadamente se defender em várias frentes. Procuramos inundar com lágrimas nossos medos, insegurança e amargura. Ficamos a mercê da autocomiseração e julgamo-nos o mais insignificante de todos os seres humanos. Isto explica como a mente organiza nossas crenças no otimismo ou nos empurra para o pântano do pessimismo após termos nossas expectativas frustradas. Tal empreendimento mostra a falibilidade das verdades que construímos a partir das impressões pessoais.

Nos sonhos, libertamos a nossa alma para viajar no universo das ideias e materializamos nossos medos e motivações sem a natural repressão que disciplina as nossas ações. No mundo dos sonhos há liberdade de criação e da imaginação. Em outras vezes, nos assusta agigantando os nossos medos e culpas. Por isto, muitos têm pesadelos por se julgarem insignificantes e impotentes diante dos seus temores. Tendemos a temer aquilo que desconhecemos. Para superar o medo, o homem buscar a explicação do mundo pelo conhecimento.
AS EXPECTAÇÕES DO CONHECIMENTO

Conta-se uma lenda que o conhecimento fora enviado ao mundo na forma de um grande espelho. Porém, antes de chegar a Terra, o espelho teria se partido em vários pedaços e se espalhado por diferentes partes do mundo. As pessoas ficaram impressionadas com o pedaço do espelho, pois viam o reflexo da sua própria imagem e personalidade. Pensaram que a verdade refletiam os seus próprios pensamentos e tornaram-se individualistas e arrogantes. Desde então, por defesa de pontos de vistas acentuaram os conflitos e pelejas. Os cientistas conseguiram reunir outras partes do espelho e pensaram que tinham descoberto a verdade por inteiro e transformaram o conhecimento em atividade lucrativa e um instrumento de poder. No afã de semear sua doutrina sobre o universo e os fenômenos naturais pensaram que eram deuses.

Muitos intelectuais gostaram tanto do conhecimento que o transformaram em um brinquedo ordinário. Para tanto, recriaram o mundo a partir de suas concepções na lente de aumento do saber sistematizado. Debocharam da fé e do senso comum para definir o status da verdade segundo a ciência. Desde então, as pessoas são classificadas entre os inteligentes e os ignorantes. Assim, disseminaram a ideia de que o conhecimento é o presente dos deuses aos nobres escolhidos e que a todos enriquecidos por essa dádiva foram-lhe dados poder e autoridade sobre os demais homens.

O conhecimento é mais poderoso que o uso da força, visto que a inteligência é a arma dos fracos e corajosos. Em determinado momento da história, o homem precisou usar o pensamento para entender a natureza, superar os seus medos e usar estratégias para superar as feras e adversários que eram mais poderosos que ele. Era necessário empregar algo que valorizasse seus pontos fortes e atacasse as fraquezas do adversário.  

Aprendi que o conhecimento vence o medo e ensina o homem a pensar a estratégia. A inteligência possibilita ter domínio sobre o problema para que ele seja ferramenta de trabalho e não um empecilho na realização dos sonhos. A inteligência é resultante do processo mental que organiza nossos problemas em fórmula de cálculo. Os cálculos nos proporcionam o desafio que nos levará aos passos para a solução dos problemas.

Cito a parábola do leão e do elefante. O leão não é forte, nem o mais inteligente, ágil e alto. Contudo, compensa suas limitações pela atitude e assim valoriza a estratégia para apanhar as suas presas. Por outro lado, o elefante é o mais forte, mais alto e sucumbe diante da ousadia do leão. Explico que o leão vive em função daquilo que acredita e valoriza a estratégia, mas o elefante vive em função daquilo que vê e ouve e aprendeu a ter medo do rugido do leão.  Por isto, a fé alimenta as nossas atitudes por mais ilógicas que possam parecer, superando a visão limitada da razão que coloca termos para as nossas possibilidades.

Ainda hoje, o conhecimento é apregoado como o néctar dos deuses. Alguns acreditam que ao nascer foram premiados pela inteligência para que tivessem relevância dentre os homens. Assim, impõem reverência para que sejam reconhecidos como notáveis e admirados como excelência pelos demais indivíduos.

Creio que a sabedoria é alma da mais excelente das virtudes: o amor. A sabedoria tem uma essência espiritual que tem conexão com a fé. A sabedoria se submete a necessidade dos homens para iluminar o caminho em direção da virtude. O homem sem a virtude está moralmente morto. É escravo das suas paixões e se submete aos seus impulsos mais sórdidos. A sabedoria conduz o homem ao domínio dos impulsos de sua natureza, distinguindo-os dos demais seres viventes. Por isto, a sabedoria mais importante que o conhecimento e mais vigorosa que a inteligência.

Gosto muito da opinião do educador, filósofo, teólogo e psicólogo Rubem Alves. Ele que expressa que é preciso entender que “nossas ideias não passam de passam de palpites”. Traduzem uma opinião sobre determinado assunto em determinado momento, mas, conversando mansamente com outras pessoas, extraímos outros pontos de vista que irão enriquecer o nosso entendimento e compreensão da realidade que é dinâmica e sofre constantes mutações.  Não se trata da aniquilação do pensamento individual – extrato da consciência e da personalidade. O pensamento é a propriedade imaterial do ser humano que se revela por meio do diálogo. Apesar de divergente é salutar nas relações humanas.

Acredito que os pensamentos podem evoluir e se transformar em ideias. As ideias tem comprometimento com a posteridade. Não basta apenas pensar. É preciso conversar para extrairmos as contribuições dessa arena do debate divergente. Pela conversa dividimos pensamentos e pelo calor da divergência tornamos mais brilhantes nossas ideias.

Por vezes, somos egoístas, egocêntricos e os nossos pensamentos refletem a nossa postura defensiva no trato com os nossos semelhantes. É o meio que temos ao tomar como referência o nosso próprio corpo para orientar a visão de mundo. Assim, cada um tem a verdade particular como tacape no seu grito de guerra quando se sentir ameaçado. Parece que o homem ama no íntimo a liberdade que, como medida extrema, é capaz de abominar as regras. Ledo engano. Prevalece o medo de não querer ser controlado por outro ser humano. Os construtos mentais denunciam a nossa individualidade que clama por liberdade – é a inscrição primordial da nossa alma. Por outro lado, a mesma liberdade amedronta e ele reclama por limites por meio da rebeldia.

Concordo com o Dr. Myles Munroe que o homem nasceu líder e não admite a opressão em sua forma mais banal. Como obra prima na coroa da criação, temos o comando instintivo da dominação sobre a natureza e o desejo ardente de controlá-la, de modo que o desconhecido nos inquieta. O problema que esse domínio se revela opressor ao longo da história tanto em relação à natureza e os demais seres animais e humanos.
CONCLUSÃO

Por vezes fico perplexo como a cultura traz elementos do patriarcado com requintes de machismo, sexismos e preconceitos. Acreditava-se que a agressividade era causada por pessoas ignorantes, analfabetos ou com pouca formação acadêmica. Agora fico impressionado com a brutalidade dos intelectuais que, também, não renunciam as fraquezas dos seus instintos mais primitivos: a raiva, a inveja, o orgulho, a traição, etc. A diferença é que o enredo da agressão é mais elaborado e sórdido. Eu entendo que o saber não liberta o homem dos seus instintos primitivos. Apenas sofistica os argumentos da injustiça.  Creio que é possível ser líder no universo dos sonhos para projetar sua realização por meio de ações concretas.
REFERÊNCIAS

BOTTON, Alain. Arquitetura da Felicidade. Tradução de Talita M. Rodrigues. Rio de Janeiro: Rocco, 2007.

________. Desejo de Status. Tradução de Ryta Vinagre. Rio de Janeiro: Rocco, 2005.

BRIZOTTI, Alan. Identidade Cristã: resgatando a verdadeira identidade cristã. Goiânia: Primícias, 2012.


CHALITA, Gabriel. Educação: A solução está no afeto. Rio de Janeiro: Editora da Gente, 2001.

quarta-feira, 14 de maio de 2014

PÉROLAS DA SABEDORIA

 
Professor Gelcimar da Silva Pereira Nunes          

INTRODUÇÃO

Na sublimidade do silêncio, busco a inspiração para compor a poesia no ritmo das batidas do coração. Sou convidado a adentrar no mundo das ideias e colher os favos de sabedoria plantados no átrio espiritual do Eterno. Claro, do silêncio busco a renovação das forças cujas energias foram empregadas no serviço ao próximo. Essa renovação é fugaz e expressa a própria necessidade do ser de drenar sua ansiedade quanto as expectativas de ser o próximo alvo da solidariedade orgânica. Então a reciprocidade dá-nos a sensação de que seremos recompensados em toda boa obra; que nossas virtudes serão louvadas e os nossos defeitos esquecidos.

EXPECTATIVAS
O desenho da realidade é belo no universo dos nossos sonhos e gostaríamos de vivê-la na integralidade da realidade. Mas, as pessoas que nos cercam confrontam em nós as expectativas de um mundo perfeito. O mundo ideal é reclamado no universo dos direitos e nem todos não aceitam as agruras como estágio de aperfeiçoamento do ser humano. Reclamam por atalhos e pelo produto pronto sem defeitos. A realidade fast foot expôs as tragédias da velocidade da rotina dos indivíduos, plastificada, mecânica e fetichizada. Não há tempo para pensar, para ler e refletir, pois o mais importante é o resultado e não o processo.
 
Creio que a beleza das palavras está decorada na sublimidade da verdade. Não quero presentear a beleza com ingredientes da falsa consciência. A ilusão do elogio está na fragilidade da segurança que ele traduz. A fé da boa qualidade da índole e das intenções não introduz ninguém no universo das mudanças. A expectativa é que faz as coisas melhorarem, embora nem sempre mudar signifique que as coisas melhorem.
 
Nossas expectativas são sonhos desenhados com sentimentos carregados de otimismo. Essas pérolas de esperança fazem da verdade a tábula da certeza de que o universo se revestiu da perfeição para atender as nossas preces. Então percebemos que estamos adentrando em uma seara perigosa. E se as nossas expectativas de perfeição forem frustradas? Então só nos restarão a ira, o desânimo e a autocomiseração?
 
Folgo na verdade pela convicção do seu conteúdo ético não apenas como arma de defesa da insegurança. A verdade não pode ser falsificada pelo medo para ser uma arma nas mãos dos iníquos. Sei, porém, que cada um busca justificar suas posições políticas-racionais com o argumento de verdade. Essa sanha egocêntrica cria polos de divergência, imprime dúvidas e falsifica as certezas. Claro, as pessoas anseiam que suas posições individualistas prevaleçam sobre as demais para o bem estar de suas convicções e para reafirmar supremacia. Não gosto desse conceito de supremacia embrulhado com requintes de competição. Essa ilusão de liderança que estabelece diferenças entre fracos e os mais adaptados. Creio que a liderança deve estar enlaçada no compromisso de inspirar pessoas sem a conotação de domínio. Assim, a luz da verdade das ações das pessoas excelentes são marcas rochosas que não podem ser apagadas com o silêncio da morte. São vozes reproduzidas no legado das gerações.
 
O silêncio dos puros sonega, às vezes, atitudes de altruísmo contra as injustiças. A verdade roga por arautos humanos assim como a terra seca anseia pela chuva. Isto mesmo, a verdade quando chega planta a semente da justiça e, ao mesmo tempo, sangra as contradições do engano para estabelecer-se de forma triunfante. Quando a verdade se estabelece pela contradição, vejo na melodia do pranto abrir as oportunidades de um arrependimento sincero.
MEU ENTUSIASMO
Meu entusiasmo, foca em todas as possibilidades de transformação do ser humano pelo resgate da sensibilidade que foi perdida pela ilusão do ego e do materialismo. Inevitavelmente, somos vítimas do ego ferido porque deixamos a ilusória satisfação do individualismo e do materialismo nos corromper. Creio que as nossas virtudes nos fazem mais excelentes do que os demais homens e até mesmo a pretensa humildade entra na cota elementar da nossa satisfação. Mas, a nossa importância está no mesmo limite da nossa insignificância, pois todos os homens foram colocados no mesmo centro do universo. Então, as motivações das injustiças estão plantadas no coração humano que foi corrompido pelo materialismo das relações pessoais, com requintes de individualismo dominador e orgulhoso.
 
Agora sei que a minha defesa de fé está nas convicções de que a vida não é um produto pessoal, mas um usufruto coletivo. Fomos plantados na história a partir de um propósito de utilidade. A vida não foi um acidente que nos introduziu na existência. Aliás, existe uma diferença entre viver e existir. Alguém pode viver a vida do seu jeito sem entender nada. Viver como se fosse um animal dentro de um ciclo biológico ou simplesmente pensando em experimentar até a última gota de prazer antes que chegue a tragédia da morte. A existência convida a desfrutar a vida com significado. É introduzir-se na consciência espiritual que nos faz vigorosos na fé e na esperança, apesar das conflituosas relações humanas existentes na sociedade. A existência faz as pessoas serem sócias de outros homens e mulheres nesse imenso ecossistema. Claro, a existência pressupõe uma solidariedade orgânica entre pessoas e isso vai além de uma simples especulação filosófica. A existência revela o ser na sua integralidade com a sua essência espiritual: sentimento, inteligência e vontade. É o homem revestido da sua consciência moral e de sua origem gregária. Ou seja, uma vida atrelada a uma consciência social de promoção do bem-estar dos demais seres humanos.
 
Minha vivência traz as expectações das alegrias e frustrações da convivência humanas. Aliás, a convivência social é carregada de emoções. Assim, partilhamos as fraquezas da carne que extravasam nas palavras não calculadas, traídas pela impulsividade do espírito. Não poderemos reclamar a perfeição como algo absoluto, mas poderemos experimentar o aperfeiçoamento progressivo que nos faz homens e mulheres maduros, em desenvolvimento pleno enquanto pessoa. Sou forjado a partir dessas experiências que humanizam e me revestem de sensibilidade para olhar o outro com o sentimento da própria carne. Essa vazão do sentimento é capaz de produzir uma gota ardente no olhar: a lágrima. A lágrima é a prova mais evidente das emoções que explodem nos momentos irremediáveis dos infortúnios. Ela revela a nossa mais nobre fraqueza; faz o coração de carne se romper e força os mais corajosos a retroceder o seu espírito belicoso. Se bem que a lágrima, às vezes, é traiçoeira como laço de trapaça a espera dos incautos. Porém, a palavra da sabedoria adorna com a verdade a sala de estar do coração e descortina todo o engano e até o mesmo o fetiche da lágrima.
 
A verdade está tão perto e distante de mim. Ela se revestiu das virtudes divinas e anseia por ser desejada, buscada. Mas por que ela não se corrompe pela tutela das definições científicas? Existe alguém que disse que a verdade deve experimentada, provada, experimentada e percebida pelos órgãos dos sentidos. Seria o resultado da experiência e tão simples a ponto de ser materializada?  Hoje, a verdade está sendo lançada na arena do contraditório, perdida no julgamento de teses, por um método racional pelo qual o julgamento moral está força dos argumentos do que na sublimidade dos princípios. No duelo de palavras, há quem fragmente a verdade, aprisionando-a nos pressupostos da subjetividade. Agora, fala-se em verdades, extraindo a objetividade e sua singularidade. Parece ser a aposta mais conveniente para o individualismo no qual todos estão certos e, ao mesmo tempo, todos estão errados.  Assim, cada um carrega debaixo do braço sua verdade e a arma de defesa mais usada é: “cada cabeça, uma sentença”.
 
A renúncia da objetividade faz que os valores sejam relativos e suscita o questionamento ao modelo de sociedade objetivo e conservador. A diversidade desprovida de unidade de consenso faz com que até mesmo o crime seja repensado pela subjetividade. Isso leva a relativização da culpa e a marginalização passa ser considerada, por determinadas bandeiras sociais, uma consequência e não uma causa em si mesma. Colocar o criminoso como vítima de um sistema social desigual é o argumento mais estúpido da corrente pós-modernista que abraça a subjetividade até as últimas consequências. Por isso, a reversão dos direitos humanos vê no meliante uma vítima a ser protegida do Estado opressor. A marginalização do Estado é a teoria mais insana de determinados militantes políticos. A inversão de valores é pressuposto da injustiça social que sufoca a ousadia dos homens piedosos, temerosos da criminalização de suas posições contra o erro e o engano.
 
Então quero estar adornado com pérolas da sabedoria. Não quero ser o inteligente, o culto, o mestre ou doutor em ciências e até mesmo perito em teorias sociais. O mundo está cheio de mestres e doutores e, ao mesmo tempo, carente de sábios. O saber acadêmico é vital para o modelo econômico capitalista e faz diferença em um mundo competitivo.
 
Para alguns peritos em teorias, a brutalidade e a delinquência é produto da ignorância; que a educação é o caminho para a formação de gerações conscientes e mais humanas. Seus argumentos consideram que a desigualdade social é o reflexo das injustiças históricas que embrutece a nossa sociedade.
 
Creio que a pobreza não exime ninguém da cultura moral mais excelente que cultuavam os nossos avós. Eles cumprimentavam as pessoas no trânsito diário com a simplicidade da amizade e do respeito. Sabiam o tempo e as estações, julgavam as pessoas pelo caráter e não pela aparência. Cultuavam a hospitalidade e a misericórdia como bondade praticada a um parente mais próximo. Eles produziam no presente a esperança como semente de um fruto saboroso a ser colhido na posteridade. Detestavam a velocidade dos compromissos e o tempo para o trabalho estava marcado para o nascer e o pôr-do-sol.  Assim tinham conhecimento da mais nobre de todas as Leis: a “Lei da Natureza”, também conhecida como a “Lei da Semeadura”, cuja máxima é: “tudo tem o seu próprio tempo”.
CONCLUSÃO

Por isto gosto da sabedoria por que ela enleva o espírito e enobrece o caráter. Ela está presente nas palavras de conselho que nos ajudam a evitar o mal e a praticar o bem. Protege-nos dos modismos, mesmo que ampla maioria siga princípios contraditórios como se fosse a última verdade do universo. A sabedoria nos ajuda a fortalecer as nossas convicções de justiça, de respeito ao próximo e a amar a verdade acima de todas as coisas. Sobretudo, ajuda a compreender a vida como uma dádiva recebida do Eterno e compartilhada com todos na Terra dos Viventes.

REFERÊNCIAS
Vou apenas recomendar a leitura de alguns livros:
 
BRIZOTTI, Alan. Identidade Cristã: resgatando a verdadeira identidade cristã. Goiânia: Primícias, 2012.
 
CURY. Augusto. Os segredos do Pai-Nosso. A solidão de Deus: um estudo psicológico da oração mais conhecida no mundo. Rio de Janeiro: Sextante, 2006.
CHALITA, Gabriel. Educação: A solução está no afeto. Rio de Janeiro: Editora da Gente, 2001.

segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

MEU SILÊNCIO

Professor Gelcimar da Silva Pereira Nunes
INTRODUÇÃO
Passado algum tempo, retomo a recreação de escrever as simples expectações do meu pensamento, na beleza da nossa estimada língua portuguesa. Há tempos, estive refugiado no trabalho, nas tentativas incessantes de buscar respostas para a ansiedade que invadem o coração. Bem sabia que a ansiedade era amiga inseparável do medo do universo incerto do futuro que nos avizinha. Nesse caso, somos presas fáceis da nossa insegurança e ficamos a mercê das imaginações dos pensamentos que buscam antecipar sucessos e fracassos.

MINHAS VIVÊNCIAS

É verdade que, nós seres humanos, gostamos de estar sempre no controle de tudo e até do resultado das nossas ações. Gostamos de antever o futuro e essa é a razão da nossa insegurança. Mas, depois, parece que a ansiedade vai diminuindo à medida que somos envolvidos na atmosfera da ação. Percebemos que os erros e acertos são inevitáveis e que a nossa sorte está lançada. Não podemos retroceder. Ainda bem que temos a confiança de que nos cerca uma força extra que impulsiona a lutar contra as adversidades. Daí, nós tiramos a motivação para buscar as alternativas em todas as tentativas mal sucedidas e não fazer da frustração a nossa perene morada.

Nesse momento, percebemos que não estamos sozinhos, que existem pessoas certas no nosso caminho por mais que pareça incerta a nossa caminhada. Logo, não poderemos reivindicar a exclusividade nos louros das vitórias, pois o nosso trabalho é solidário. E como disse um ilustre professor: “Ninguém é feliz sozinho!” Temos sempre alguém no nosso caminho, no nosso caminhar. E é nessa certeza que revigoro as esperanças, sabendo de antemão que as dificuldades nos exercitam a paciência e nos protegem do pântano alagadiço do desespero. Tal esperança enobrece o desafio quando percebemos que somos capazes de superá-lo com inteligência, abraçando todas as oportunidades que encontrarmos no caminho.

Aprendi a não ser demasiadamente otimista e fiz do pressuposto do filósofo estoico Lucius Aneus Sêneca (4 a.C. – 65 d.C.) uma porta de segurança para as possíveis frustrações. Porém, estou precavido contra o exacerbado pessimismo que fecha os olhos da alma e impedem enxergar todas as possibilidades inauguradas no universo da esperança.
Assim, quero despoluir meu coração da dúvida, pois à tarde e pela manhã terei de adentrar no labor diário da convivência humana. Então, percebo que o desafio é resultado dos temores dessa convivência, dos enfrentamentos das contradições de cada indivíduo. Nesse jogo de egos dependemos de um diálogo cognoscente para a saúde vital do nosso entendimento. Da compreensão do outro, passamos a amar as motivações de parceria e do senso de prestação de serviço ao próximo. Logo, não estamos para sermos servidos, mas para inclinarmos a necessidade do outro com as pérolas divinas da sabedoria. O caráter da assistência é recíproco. Pelo menos deveria ser. Mas, o vírus do egocentrismo tem contaminado a alma até dos infantes e o duelo de palavras é próprio de quem quer ter razão até para as atitudes mais mesquinhas.

Vejo que até os lábios mais puros não escapam do escárnio das contradições da vida. Não temos como zombar das nossas fraquezas e defeitos! Bem, quem não gosta de encobri-los? É mais fácil fiscalizar as fraquezas dos outros e sobre elas tecer teses e fazer mídia, tudo isso para produzir um sarcasmo ou uma recreação gratuita. Nesse fetiche materialista é fácil transformar pessoas em coisas, em brinquedos, provocá-las, dar nomes e sobrenomes a partir do rótulo da perfeição imposta socialmente por uma minoria pensante e influente.

Tenho visto debaixo do sol, que a ansiedade tem relação para resposta de aceitação por um grupo social. O medo de fracassar nos rodeia como feras esfomeadas prontas para roubar a nossa estima e reputação. Por vezes, esquecemos que a virtude nos ajudou a lograr êxitos incalculáveis na história de vida. Aquilo que julgamos ser obra do acaso, da sorte, foram resultados da condescendência divina na nossa história. Cremos, então, na intervenção do Criador e em uma vida estruturada a partir de um propósito. Então as pedras não foram lançadas a esmo, mas colocadas caprichosamente no nosso caminho para entendermos a direção e administrarmos com paciência a carreira que nos está proposta.

Também, é possível enxergar positivamente o medo, desnudo da irracionalidade. É possível entendê-lo como o receio do erro e com os ingredientes ricos da respeitabilidade humana. Aprendi que sem o medo das consequências ninguém entenderá os limites da liberdade. Claro, a liberdade tem sabor quando se tem consciência que o direito do outro é o limite da minha liberdade. A ausência do medo faz fronteira com a arrogância, o desejo de status e o esnobismo. A soberba cavalga na autoconfiança dos estúpidos que se julgam mais importantes que a própria sombra. Por isso, a humilhação do próximo é a atividade recreativa de quem se julga superior, que desafia a ordem e procura alguém para parar a sua arte patética, colocando em sua frente o medo que tanto procura. É loucura fugir das consequências dos seus atos, razão por que há pessoas que só cumprem regras quando se sentem vigiadas ou quando ameaçadas de punição do mal feito. Pena que a cultura da obediência sob a vigilância está institucionalizada nos decretos do coração das pessoas insolentes e atinge até a incompletude da alma infantil.

MINHAS PERCEPÇÕES

Outra percepção imediata debaixo do sol é que quando estamos junto com a multidão, ficamos desesperados para sermos ouvidos e carentes da atenção, sob pena de sermos ignorados, embora haja pessoas que não se incomodam em ser anônimas em um grupo, mesmo que seja pequeno. Claro, o sujeito repleto de virtudes está condicionado ao anonimato a não ser que exerçam certa influência em seu grupo. Por outro lado, na maioria das vezes, a punição dá fama aquele que descumpre regras e está em confronto com a lei. As boas ações não são louváveis, mas espetacularização do crime tem a mais abominável mídia que encanta até o olhar dos inocentes. Então, como não reconhecer que o ser humano quer atenção? O mundo está carente da candura das palavras e do conforto do abraço. Tenho visto muita gritaria e cada um querendo passar na frente do outro na disputa da atenção. É a disputa de quem quer falar primeiro, de que tem razão, que precisa mais, de quem manda ou quer ter prioridade. É difícil perceber quem está disposto a ceder a vez ou abandonar seus impulsos mesquinhos em prol da necessidade do próximo. Parece que a nossa necessidade é mais importante do que a necessidade do outro e entramos no campeonato imaginário do nosso ego.

Aprendi que devemos ter cuidado com o uso recreativo das nossas palavras por mais inocente que seja a nossa imaginação. Agora estou mais crédulo de que toda brincadeira tem um lado sério; que nem sempre dizemos o que pensamos. Então, lembro-me do filme “O carteiro e o poeta” no qual o ator que representa o poeta Pablo Neruda afirma que “as palavras não passam de metáforas”. Ou seja, os sentimentos são tão profundos que os gestos são insuficientes para traduzi-los; precisamos, então, das palavras que também não comportam tamanha grandeza. Aí, que mora o perigo. As palavras passam a ter um sentido particular para cada pessoa e o raciocínio traditivo (entendimento pessoal, particular) faz que um elogio seja entendido como uma ofensa e uma brincadeira torna-se uma provocação. Por consequência, os maus entendidos são males que destroem até as mais sólidas amizades, pois suas desculpas não curam as feridas da alma do ofendido. As palavras são insuficientes para conquistar a cidadela forte da amargura de coração. Quem sabe o tempo traga consigo a reflexão sobre a virtude, o entendimento das contradições da vida e vento da restauração da amizade perdida?

Gosto então de contemplar a beleza do perdão, de exaltar o poder da comunicação entre pessoas. Por isso, quero estar em todos os momentos de celebração da amizade e de ser participante de todos os eventos que unem pessoas. Gosto da alegria das brincadeiras desses momentos que nos levam a retrospectiva da gloriosa infância.
Entendo que o medo de ser sincero está ligado ao receio de melindrar pessoas e de não se portar com a elegância das palavras. Alguém teme que a sinceridade seja uma lâmina que fere o orgulho das pessoas, que coloca em xeque todas as certezas e tira a venda da realidade que não queria enxergar. Por outro lado, há pessoas que no salto alto da arrogância se julgam no direito de dizer o que bem entender, usando palavras como arma, sob o pretexto da verdade e da sinceridade.  

Gosto muito do conselho de Rubem Alves de que as nossas palavras não passam de palpites e de que, dessa forma, é possível conversar amigavelmente sobre todos os assuntos e até sobre aquilo que nos incomoda sem a perspectiva do confronto.
Sinto-me feliz diante de pessoas de coração aberto para celebrar a amizade como o néctar dos deuses. São essas pessoas que florescem o diálogo na floresta de possibilidades da elevação da dignidade do ser humano. Quando o diálogo flui com humildade, torna-se possível conhecer o outro, valorizar suas virtudes e compreender suas fraquezas. Assim, o julgamento cínico dá lugar a parceria beneficente que faz pessoas trocar o individualismo pelo espírito de grupo. Portanto, não há protagonistas. Todos são importantes como uma orquestra em que cada músico com o seu instrumento diferente produz coletivamente uma uniformidade sonora. Logo, a minha diferença se encaixa na diversidade do grupo para produção da eficiência do resultado. Acredito que as diferenças não são motivos de confrontos, mas de oportunidade de diálogo e de parceria.

Agora caminho na reflexão de Fernando Pessoa (1888 – 1935) de “que tudo vale a pena se a alma não for pequena”. Portanto, a ansiedade produziu motivações para superar os obstáculos. Fiz da ansiedade um senso de responsabilidade e de respeito às pessoas. Pude perceber que a competência será cobrada em todas as atividades de prestação de serviço. As pessoas não gostam de ser cobradas nem criticadas e esses fantasmas atormentam antes de começar qualquer empreendimento.  
CONCLUSÃO
Chega-se ao fim do ano e conclui-se que o labor proporcionou crescimento relacional e espiritual. Banhamos nas águas do rio da existência e fomos transformados pela convivência com outras pessoas. Pessoas que encontramos no caminho e nos enriqueceram com suas experiências. Aprendemos a ter segurança no enfrentamento das adversidades e abraçar a esperança como companheira inseparável.

REFERÊNCIAS

Recomendo a leitura dos livros:
BOTTON, Alain. Arquitetura da Felicidade. Tradução de Talita M. Rodrigues. Rio de Janeiro: Rocco, 2007.

_______. Desejo de Status. Tradução de Ryta Vinagre. Rio de Janeiro: Rocco, 2005.

CHALITA, Gabriel. Educação: A solução está no afeto. Rio de Janeiro: Editora da Gente, 2001.

sexta-feira, 29 de março de 2013

O QUE OS OLHOS VÊEM

Professor Gelcimar da Silva Pereira Nunes
INTRODUCÃO
Na beleza do silêncio busco a minha inspiração para as linhas que imprimem o meu pensamento. As ideias são gotas ardentes de um pensamento às vezes irregular, confuso e envolvido no contraditório. Outras vezes, o pensamento flui naturalmente e as palavras são desenhadas no universo da fantasia e da criatividade.
No exercício da criatividade, fecho os meus olhos e caminho em direção ao mundo das ideias que os filósofos gregos tanto profetizaram em suas crônicas. Esse mundo em que a imaginação aflora com a naturalidade da chuva nas regiões tropicais. Assim, alcanço a libertação dos sentimentos de repressão e do medo em descumprir as normas da nossa gloriosa língua portuguesa. 
O QUE VEJO NO MUNDO DA IMAGINAÇÃO
Acredito que a imaginação aflora quando desenhamos com cores diferentes a realidade que vivemos. O extremo realismo é um obstáculo tamanho para a pretensão de qualquer escritor. É preciso apelar para a sensibilidade que nos aproxima da criatividade. Nesse caso, o olhar passa a ser subjetivo e abstrato, fugindo da crueldade das relações concretas da nossa realidade. O olhar subjetivo desenha aquilo que desejamos com o som da batida do coração e flerta com o mundo dos sonhos.
Há pessoas que acreditam que a realidade determina o potencial dos nossos sonhos e onde queremos chegar. Para elas, o realismo não é uma vertente teórica da Filosofia, mas um determinismo da natureza, produzida por fatos sociais historicamente construídos. A realidade se prende a um relógio dinâmico da história onde o enredo já está escrito e é repetido cotidianamente, diferenciando-se o tempo, a cultura, o conhecimento e tecnologia. Então, competiria ao ser humano atenuar as consequências danosas do crescente individualismo e combater as situações gritantes de desajuste social.
Ainda bem que há pessoas acreditando no potencial das ideias. Apregoam que as ideias podem mudar o mundo por meio da ação consciente das pessoas. As ideias libertam pessoas da escura ignorância, retirando-as da visão iludida da realidade em que vivem. Na ignorância prevalece a ilusão de ótica do que é real e verdadeiro. São presas frágeis do engano e da manipulação. As pessoas aprenderam a acreditar naquilo que veem e pode ser tocado e observado. Por isto, elas constroem totem para adorar que pode ser um político, uma liderança carismática ou até uma imagem. Claro, a ignorância produz dependência, prática supersticiosa e medo.
Gosto do idealismo por que vai além da demarcação de território. Não há limites para o sonho nem convenções teóricas e sociais. Basta liberar a imaginação que as cores brotam no mundo das ideias. Não há visão turba ou pensamentos vagos e confusos, pois, no mundo das ideias, a organização é natural e flui sem se prender a enredos e contextos.
Houve alguém que tentou explicar a diferença entre sentimentos e pensamentos. Mas, não há definição precisa do que é sentimento. O conceito mais usual revela serem informações ou reações biológicas dos seres vivos quando se deparam com alguma situação como, por exemplo: medo, raiva, alegria, tristeza, etc. Por exemplo: o medo é uma reação imediata a uma situação de perigo. Isto envolve liberação de hormônios no sangue como a adrenalina. Por consequência, esses sentimentos se expressam por meio de pensamentos. Os pensamentos são produtos do intelecto ou reação à resolução de problemas. Os problemas ou obstáculos suscitam a elaboração de teses no aprendizado do ensaio: tentativa x erro x acerto.  Para tanto, a Epistemologia emergiu da Filosofia para explicar como acontece a construção do pensamento no ser humano.
Quando os pensamentos se estruturam de forma lógica e em estruturas psíquicas, eles se transformam em ideias. Para tanto, é preciso amar os seus pensamentos e rever analiticamente tudo por meio da observação ou contemplação da realidade. Os filósofos adoravam observar a rotina das pessoas e verificar todas as coincidências para refletirem sobre o cotidiano. A palavra “Reflexão” significa “voltar para dentro de si mesmo”. Ou seja, os filósofos empreenderam uma viagem dentro do seu EU para construírem pontes entre o ideal e a realidade. Eles buscaram inspiração em um mundo onde o espírito humano vaga em busca com total liberdade: o mundo da imaginação. Então, eles colheram as palavras e plantaram as suas ideias.
As palavras somente são conhecidas como ideias quando revestidas de propósito. É preciso saber qual o valor de cada palavra ou linha escrita. Do contrário é perda de perda tempo e não produz significado na vida das pessoas. Claro, o propósito precede a existência de cada coisa; ou seja, a finalidade determina o começo da existência. É preciso ter uma ideia para determinar o fim e depois começar. É preciso saber aonde quer chegar para escolher o caminho.
As pessoas são abraçadas pelas ideias ou o contrário as ideias caminham em direção às pessoas. Isto norteará a filosofia de vida de cada um. Ninguém conseguirá viver à parte de uma ideologia, visto que cada ação é determinada por uma forma de pensar. Por exemplo: a violência contra mulher é determinada pelo pensamento da supremacia masculina. Mesmo sendo pensamento odioso, não é possível banir de imediato essa ideologia, pois é uma estrutura cultural instituída ao longo dos anos. Podemos suplantá-la por uma ideia melhor propagada por uma persistente educação moral e igualitária.
AS IDEIAS SE REVELAM NO CONTRADITÓRIO
Aparentemente, a frase “ideias podem mudar o mundo” é ilusória. Ninguém sozinho conseguirá mudar o mundo por meio de palavras. É preciso ter seguidores, pessoas que acreditam nessa ideia melhor e superar a ideologia da supremacia escravizadora, preconceituosa e desigual. O mundo está repleto de pessoas que conseguiram mudar o mundo por meio de suas ideias. Apresento alguns nomes.
Jesus Cristo foi o personagem mais importante da história por conseguir transformar vidas por meio de suas palavras. Ele não escreveu nenhum livro, mas suas ideias foram transmitidas ao mundo por meio dos seus discípulos. Também, mostrou que as ideias são maiores do que a vida. Pode matar um homem, mas não suas ideias. Ou seja, as ideias são mais fortes que a morte. Tem existência espiritual, produzem crença que determinam filosofia de vida e prática cotidiana.
Madre Tereza de Calcutá mostrou que as ideias tornam-se mais vívidas por meio do exemplo. Podemos não saber cada frase proferida pela honrosa freira, mas temos a impressão mental de todos os gestos de solidariedade humana por ela praticados. Assim, mostra que a prática de vida vale mais do que a beleza das palavras ou a riqueza da oratória. Claro, as palavras penetram no intelecto, porém o exemplo inspira pessoas. Quero dizer que haverá sempre alguém a desejar ser igual ou parecido com as pessoas dotadas de virtudes excelentes. Portanto, o exemplo apresenta o lado prático das ideias com o argumento do convencimento junto as diferentes opiniões. As pessoas podem discordar das ideias; contudo, são constrangidas a reconhecer a sua pertinência e coerência.
Posso citar o exemplo do pastor batista Martin Luther King Junior que realizou manifestações pacíficas contra a segregação racial nos Estados Unidos da América. As suas ideias eram carregadas de sentimentos de fé e de esperança. Gosto muito do discurso “Eu tenho um sonho” (em inglês: I Have a Dream), proferido no dia 28 de agosto de 1963 nos degraus do Memorial Lincoln, em Washington. Nesse discusso, ele defendia a união e coexistência harmoniosa entre negros e brancos no futuro. Mesmo, depois de morto, as suas ideias revelam que o seu martírio foi à semente na luta dos direitos civis dos negros nos Estados Unidos e em todo mundo.
Poderia de outros exemplos como Mohandas Karamchand Gandhi (1869 a 1948), grande líder indiano, e Nelson Rolihlahla Mandela, heroi na luta contra o aparteid na Africa do Sul. Esses exemplos mostram que a fé nos ideais é maior que as adversidades e a dor. Quem acredita no seu sonho não teme a morte, pois acredita na perenidade da verdade impressa nas tábuas do coração. É essa convicção que move as pessoas a serem participantes do mesmo ideal.
Há quem reclame que os idealistas são alienados que perdem tempo com ilações sobre a transformação da sociedade. Outros, porém, acreditam que tanto a ideias podem determinar a realidade como a realidade pode produzir sínteses das ideias anteriormente produzidas. Apresentam a contradição como elemento novo e realidade em constante conflito. Acreditam que as palavras devem ser impostas por um exercito de mobilização pública e o convencimento por decreto das palavras de ordem. Logo, para eles, a serenidade da exortação é um recurso espúrio adotado pelos idealistas.
Eu, porém, acredito que são as ideias inspiram pessoas, porém são constituídas de valor pelo exemplo dos líderes. Os líderes são agentes transitórios na propagação das ideias, algumas delas milenares como a religião cristã. As ideias não são apenas palavras. São estruturas culturais e se transformam em doutrinas. Uma doutrina é uma crença partilhada, não imposta e está além dos sabores de humor ou vontade de seguidores. Aliás, a doutrina é anterior à existência do seguidor; ou seja, ela estruturada e reproduzida historicamente. Logo é um bem moral pacífico e revestido de fé.
Como Rubem Alves, acredito que as palavras como uma tinta grudam no nosso corpo e passam a fazer parte da história da nossa existência. A partir delas são moldados o nosso caráter e personalidade. Contudo, vale ressalvar que as palavras são instrumentos do ensino e fazem parte das nossas impressões sobre o mundo em que vivemos. Um bom ensino é instrumento de transformação e libertação, mas a má educação são algemas que escravizam o homem no seu narcisismo e o conduzem a práticas abomináveis.
Logo, não fico a espreita das boas palavras, mas do ensino que me conduz a transformação todos os dias e que me liberta dos resquícios do egocentrismo tão marcantes pelo humanismo em voga na literatura e academias. Não busco ideias novas. Procuro apenas a reedificação de um corpo e mente rodeado de inúmeros perigos. 
Assim, sou obstinado a olhar o mundo com os olhos da fé e da esperança mesmo diante das intempéries constantes. Sou moldado a vivenciar desafios e acreditar no potencial dos meus sonhos.
CONCLUSÃO
O poder da palavra está relacionado à vivência e a necessidade do coração das pessoas. Digo que o principal problema não é dinheiro e conforto, mas preencher o vazio existencial e atender o clamor de liberdade plena que anseiam. Não me refiro a essa libertinagem de alguém pensar que pode falar ou fazer tudo que desejar, sem impedimento algum. Refiro-me a libertação por meio da verdade na qual a pessoa passa a conhecer a resposta para todos os seus dilemas. Essa libertação conduz disciplina sobre os impulsos e o homem passa a determinar suas ações por meio da consciência e não da vontade. Deste modo, alcança satisfação em ser livre pelo que é e não pelo que tem.
REFERÊNCIAS
Recomendo a leitura do livro
ALVES, Rubem, O céu numa flor silvestre: a beleza em todas as coisas. São Paulo: Versus Editora, 2008.
LOPES, Hernandes Dias. Voar nas Alturas. São Paulo: LPC Comunicações, 2011.
LUCADO, Max. Viver sem Medo: redescobrindo uma vida de tranquilidade e paz interior. Tradução de Bárbara Coutinho e Leonardo Barroso. Rio de Janeiro: Thomas Nelson Brasil, 2009.