sexta-feira, 24 de março de 2017

QUANDO AS EXPECTATIVAS FALHAM

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Professor Gelcimar da Silva Pereira Nunes
INTRODUÇÃO
Falar de expectativas é refletir sobre as motivações e convicções que movem os nossos olhos para o lugar onde gostaríamos de estar. Geralmente nossa imaginação faz uma viagem em direção ao sonho como se estivéssemos no oásis da felicidade. Devido a beleza do sonho, nos empenhamos no caminho e no caminhar. Contudo, o caminho do sonho é construído a partir de decisões sábias. Tal como o patriarca hebreu José, não estamos isentos de frustrações e das lições que esses momentos têm para nos ensinar.
O ENCANTO DA EXPECTATIVA
Ao olhar o horizonte, captamos a beleza da montanha que, mesmo diante da sua grandiosidade, não pode ser escondida pela engenharia das construções que povoam o solo do nosso habitat. Percebemos que o encanto da expectativa que temos não pode ser encoberto por maior que seja o obstáculo para alcançá-la. Porém, quanto mais descemos à intimidade do solo, ladeados de obstáculos, mais distante ficamos da possibilidade de contemplar os montes. Na frieza do piso terrestre, temos a materialidade das limitações de que qualquer expectativa se perde em meio ao caos. Doutro modo, precisaremos de força extra para enxergar socorro e refúgio.
Então me lembro que os hebreus, ao entoarem os cânticos das subidas, expressavam o calor da fé inabalável acima das circunstâncias. Eles olhavam para as montanhas para contemplar a esperança do socorro divino. Eles tiveram a grandeza de perceber que a montanha não era apenas obstáculo a ser superado. Podia ser refúgio e esconderijo contra as tempestades mentais e as flechas da autocomiseração. Da montanha, podiam organizar as estratégias com as armas da fé, ter supremacia sobre o medo e alcançar a vitória.
A montanha fala do tamanho da nossa dificuldade e da forma como enxergamos os problemas. Às vezes, o problema é pequeno, mas o medo nos faz perceber como anões lutando contra gigantes. A força do desespero suga as energias físicas e mentais e impõe o seguinte dilema: ter uma postura acovardada ou render-se ao milagre da fé? Desistir ou continuar lutando até triunfar?
Nisto nos ensina o pastor e ativista Martin Luther King (1929 - 1968 a lutar pelos ideais, contrariando as próprias expectativas. Ele lutou com convicção de modo a inspirar pessoas a acreditarem que sua luta era verdadeira e traria equidade social. Logo, mesmo que a batalha seja renhida, não lutamos contra seres humanos, pois eles erram por causa da ignorância. A nossa luta primordial é contra a própria incredulidade em relação ao nosso potencial. Também, lutamos para adquirir conhecimento e nos libertar das algemas da ignorância. Assim, com o conhecimento, poderemos ter convicções sublimes capazes de inspirar outras pessoas. Aliás, verdadeiros líderes não buscam seguidores como se fossem mercadores de ideias. Pelo contrário, atraem seguidores pela riqueza das suas convicções e experiências.
A RELAÇÃO FRACASSO E SUCESSO
O sucesso não é um fenômeno herdado, mas a coroação de um trabalho árduo construído com as pérolas da inteligência, utilizando as oportunidades que surgem no decorrer da existência. Ele é escrito diariamente nas páginas da vida com as tintas preparadas com a lágrima, o suor do cansaço e o calor da ansiedade, com entusiasmo e alegria. Requer sacrifício diário no altar do comprometimento e da obstinação com a causa que nos empenhamos.
O fracasso que experimentamos em nossos empreendimentos não representa o fim da história. Reporta a máxima “de perder para ganhar”, com gota ardente de sacrifício de suor e lágrimas. A tristeza inaugural da derrota nos leva a perguntar: Por quê?  Logo, as perguntas são a fonte para a busca das respostas. O cérebro reúne os elementos racionais para extrair a explicação lógica. Os sentimentos são convocados para imaginar a retrospectivas em flashback de cada ato falho e a desenhar o caminho propício.
Quando as expectativas vão se agigantando a cada dia, ficamos sórdidos na autoconfiança por acreditar no enquadramento da rotina à nossa zona de conforto. Então, descansamos na certeza de que as estratégicas são factíveis para o sucesso dos planos de comodidade no tempo vindouro. Acreditamos que o comprometimento diário se reverterá adiante em um patrimônio moral inesgotável e que o legado será inspirador.
Nossa imaginação flerta com o universo celestial no antegozo do divino. Almejamos a paz sublime repleta da perfeição da natureza e da harmonia fraterna. Nossa ideia máxima é repleta de boas intenções, mas ao celebrar a perfeição no universo fantástico dos sonhos, temos os olhos vendados para os erros inevitáveis.
Na verdade, a infâmia do fracasso é causada pela falta de entendimento da realidade e suas possibilidades. Por isso, pessoas correm de um lado para outro em busca de soluções mágicas e apresentam suas libações no altar das superstições. Muitas dessas superstições se baseiam na onipotência de pensamentos – o meu pensamento tem poder! Então, inconscientemente acreditam na conexão simbólica entre o pensar e o realizar como forma de influenciar os deuses e as forças da natureza. Mas tudo isso, não passa de atalhos ilusórios, paliativos de problemas bem maiores relacionados a autoestima e a incredulidade. Esses atalhos supersticiosos expõem publicamente a crença no panteão da felicidade por meio de escambos espirituais.
A gênese da humanidade é materialista e individualista. Logo o caminho do sucesso tem obstáculos relacionados à corrupção coletiva do gênero humano. A inveja e a trapaça dos outros não devem ser ignoradas nesse empreendimento individual. É possível que alguém te veja como concorrente e não como parceiro da vida. Contudo, não existe voo solitário, dependemos uns dos outros para a consecução dos nossos objetivos.
A bem da verdade, algumas pessoas fizeram a opção de fracassar no projeto existencial e por ignoraram as placas de sinalização da responsabilidade moral. Infelizmente, muitos lançam seu projétil a esmo e, como bala perdida, atingem nossa verdade e confronta a nossa equidade. Aliás, essa é a ilusão de quem utiliza sua liberdade sem consciência da sua responsabilidade moral.
Em cima da tragédia dos fracassados por irresponsabilidade moral e social, surge a ideologia de proteção às vítimas sociais, invertendo os valores da virtude daqueles triunfaram na vida com méritos. Por essa ideologia a culpa pela tragédia dos fracassados é transferida para aqueles que alcançaram o sucesso e a toda a sociedade. Ignoram que o fracasso é consequência da liberdade de consciência e das atitudes erradas como a negligência e a rebeldia.
Há sempre alguém que pensa que a liberdade é salvo conduto para impor seu individualismo e outros adereços do ego até as últimas consequências em busca de satisfação eminentemente carnal. A liberdade tem um valor inigualável, mas impõe limites morais com objetivo de preservar a sociedade da opressão do mais forte sobre o mais fraco. Por isto, o mau uso da liberdade causa separação, violência e degeneração social.
APRENDENDO COM AS ADVERSIDADES
Descobrimos que somos frágeis, como pássaros, diante das tempestades quando são frustrados os planos de voo.  Às vezes, somos induzidos a acreditar que voar é o símbolo maior da liberdade. Contudo, a liberdade real é consequência do autoconhecimento que, por sua vez, pressupõe um aprendizado persistente em dominar os obstáculos. Nossa liberdade de voar nos planos da imaginação depende da força das circunstâncias que, por vezes, se encontra com as adversidades.
Essas adversidades não nos perguntam a oportunidade e intensidade para chegarem a porta da nossa vida. Também, não pedem educadamente licença para entrar nem perguntam se há espaço na nossa agenda e diário de bordo para assumi-la incondicionalmente. Então, a adversidade não aceita suas desculpas de que não está preparado emocionalmente ou que não tem recursos para assumir todas as consequências. Aliás, é impossível prever a dimensão desse oceano de infortuno que tenta nos afogar com suas ondas de ansiedade e stress.
O universo da dor proporciona,, na medida da sua intensidade, a renúncia à autossuficiência e expõe as fragilidades do ser humano mais incauto e arrogante. Nesse momento, busca-se nas trincheiras da alma a arma de defesa mais apropriada para salvar o resquício de egoísmo e individualismo. Aliás, a dor traz a radiografia da fragilidade do bioma humano no confronto direto com a razão.
Claro todos nós somos tentados conforme as nossas convicções e visões de mundo ideal. O universo das ideologias é confrontado quando a nossa expectativa de um mundo perfeito é frustrada por meio de uma fatalidade que vem em nosso encontro.
Então, somos provados quanto a resistência emocional para lidar com os problemas. Somos bombardeados intensamente por questionamentos relacionados à justiça e à equidade do caráter. Além disso, brota sentimento de culpa e de autocomiseração.
CONCLUSÃO
O âmago do ser humano é ter vida estável isenta de frustrações, mesmo consciente dessa impossibilidade. Ensejamos pelos estritos parâmetros da felicidade como se a existência finita se esgotasse nas perspectivas de um mundo perfeito. Por outro, saturamos com a rotina e desejamos que a experiência seja renovada para que nossa história seja coroada de glórias. Contudo, as lutas são elementos desafiadores para os nossos processos mentais e, de forma inequívoca, torneiam a nossa inteligência, dando-nos as estratégias para triunfar.
Entendemos que a história é dinâmica tal como um barco que navega no oceano da existência. Às vezes navegamos nas águas calmas da rotina e da acomodação e ficamos satisfeitos com a liberdade da nossa felicidade. Em outros momentos, as ondas tenebrosas dos acontecimentos nos querem afogar nos sentimentos de desespero e desânimo. Então, percebemos que a reflexão sobre o propósito da adversidade nos levará a um aprendizado.
REFERÊNCIAS
BOTTON, Alain de. As consolações da Filosofia. São Paulo: Saraiva, 2012.
______. Desejo de Status. São Paulo: Saraiva, 2013.
BRIZOTTI, Alan. Identidade Cristã: resgatando a verdadeira identidade. São Paulo: Primícias, 2013
KOYZIS, David T. Visões e ilusões políticas: uma análise e crítica cristã das ideologias contemporâneas. São Paulo: Editora Vida Nova, 2014.

LOPES, Hernandes Dias. Voando nas alturas. São Paulo: Hagnos, 2015

terça-feira, 20 de setembro de 2016

EU TENHO FÉ E ESPERANÇA

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Professor Gelcimar da Silva Pereira Nunes
INTRODUÇÃO
Diante das circunstâncias, encontro renovação do espírito na esperança, considerando que adversidades foram vencidas com fé e perseverança. Apesar de todas as implicações psicológicas, percebo que o caráter é forjado nos momentos de pressão e adversidade.
O ECOSSISTEMA DOS SONHOS
Acordar bem cedo é como desfrutar da experiência da ressurreição do corpo que se entrega a fraqueza do cansaço para desfrutar da renovação da vida no amanhecer. Quando o corpo repousa das energias gastas no dia-a-dia, temos a sensação de que a alma caminha em direção ao universo fantástico dos sonhos à procura da fonte da vitalidade no afã de encontrar a imortalidade.
A partir daí surgiu a parábola do sono para ilustrar a morte e o renascer da esperança de uma nova vida. Isto porque o homem se recusa a aceitar a morte como capítulo final da vida e reconhece que a essência imaterial do ser humano está revestida da imortalidade. Essa essência imaterial é entendida como alma.
Também, acredito que a mente encontra no ecossistema dos sonhos: ideias, vitalidade e esperança. O ecossistema dos sonhos é tão fantástico que, na maioria das vezes, esquecemos as imagens dada a liberdade de encontrar o verdadeiro EU isento de mecanismos de qualquer repressão. É como se o homem interior viajasse na exploração do mundo espiritual e não comunicasse a nossa consciência sua dimensão e significados devido a imaturidade da nossa mente para entender tamanha grandeza.
Alguém porventura argumentará que o sono tranquilo é a evidência de paz interior e de uma consciência livre. Dirá que o sonho é o jardim de delícias para aqueles que desfrutam da paz como companheira inseparável inclusive nos momentos mais difíceis da vida. Enquanto outros enfrentam o açoite dos pesadelos que vão de encontro dos seus medos e temores diante da culpa e do ressentimento de uma mente debilitada.
O sonho tem a razoabilidade na mente dos cientistas que a tratam como atividade mecânica do cérebro por meio reações químicas produzidas pelo organismo humano. Pensam que a emoção, a sensibilidade e múltiplas informações da memória encontram campos férteis no universo dos sonhos. Consideram as imagens dessa aventura mensagens do cérebro diante do bombardeio de informações recebidas cotidianamente que se manifestam em resposta ao temor ou ao desejo.
Algumas teorias tendem equivocar o impacto do espiritual para remeter todas as informações esquecidas ao termo mental inconsciente como se o sonho fosse resultado de reações químicas do cérebro impactados pela multiplicidade de informações que não conseguiu absorver empurrando-as para a despensa da alma. Invocam a influência dos desejos, dos medos e da culpa despertados no momento do sono por meio de cenas fantásticas.
Para o médico psiquiatra e psicanalista Augusto Cury, a memória não é seletiva quanto ao registro das informações que recebemos no dia-a-dia. Cada pensamento e emoção é registrado na memória automaticamente e não é descartado com o tempo. O problema não é a informação boa ou ruim que recebemos, mas a forma como a interpretamos e dela iremos utilizar para o proveito ou destruição da autoestima. Essa é a razão porque devemos cultivar pensamentos e emoções saudáveis para termos boas influências na autoestima, inteligência e tomada de decisão.
Especialistas no estudo da mente acreditam que no depósito da memória estão guardadas muitas informações não processadas pelo cérebro que retomam a consciência em forma de lembrança nos sonhos. Contudo, a relação da memória com a mente continua envolta em mistério, suscitando várias especulações e teorias.
A COMPLEXIDADE DA ALMA E A NATUREZA DA FÉ
Algumas vezes, somos impactados pela lembrança do sonho a ponto de entendê-la como uma comunicação divina de propósito e de acontecimentos futuros. Amparados na crença, buscamos explicação para os significados dos códigos e das imagens que nos foram apresentadas. Cremos na conexão divina, da revelação do desconhecido no sentido de entender o propósito das circunstâncias que nos serão apresentadas.
Embora o sono seja uma atividade mecânica, os sonhos trazem enigmas a serem desvendados com relação da dualidade do corpo e alma/espirito. A crença que o corpo é o tabernáculo da alma se mostra com nitidez quando a matéria repousa e o espírito apresenta sua condição de imaterialidade complexa.
Alguns pesquisadores ao dissertarem sobre a dualidade corpo e espírito, concluíram que a psique humana tem uma afinidade com Deus e está além dos limites da consciência. Aliás, a consciência é incapaz de conceber a dimensão da alma, pois o transcurso da alma quando o corpo está inerte será sempre desconhecido inclusive para as mentes mais brilhantes. Diante desse mistério, amparamos a crença de que a resposta se encontra no fundamento divino da existência da vida. Portanto, alma é a chama ou combustível da vida, pois sem ela o corpo seria um cadáver. Essa essência espiritual da alma abre janelas na mente para abrigar a fé com resposta à vida.
Nesse aspecto surge a teologia de que os olhos da alma são a fé e a esperança. A fé é a firme convicção da verdade que temos sem a exigência absoluta da prova de que seja verdade. A fé ocupa os espaços que a evidente existência da matéria não consegue preencher nem a sensorial lógica empirista pode explicar. Surge como alternativa para superar os limites estabelecidos pela lei da natureza e a superação da lógica racionalista.
Por contrariar a ética das possibilidades, a fé flerta com o impossível, proporcionando acontecimentos fora do comum que não reúnam argumentos para explicá-los.Então, acusamos o milagre amparados na crença do sobrenatural. Acreditamos que o milagre deixa de se apresentar nas circunstâncias do acaso e, pela perseverança da fé deixamo-nos envolver pela esperança.
A abstração da fé só consegue ser tocada pela necessidade da alma de se conectar com o divino. Ela apela para a natureza sobrenatural da alma para expressar a sede de imortalidade que nenhum ser humano conseguiu satisfazer com sua concepção carnal. Por isto, a fé testemunha a existência do favor divino antes da sua materialidade, amparada no fundamento da graça irresistível. Então a fé enfrenta no plano da consciência uma batalha intrépida para esmagar a dúvida e faz resplandecer a esperança no meio do caos.
Há de se conceber que a fé está amparada no conhecimento da verdade, isenta das comprovações sensoriais empiristas. As riquezas da tradição oral das concepções de fé dos antepassados foram reunidas no livro sagrado para transmitir o conhecimento, a verdade e a justiça de geração em geração. Não há como negar que as concepções moral e ética foram construídas no universo da fé no sentido de estabelecer valores humanos nas relações interpessoais. Faz-se a escola da vida na seara dos pensamentos, palavras e ações, apresentando doutrina moral na qual há consequência em cada decisão tomada à margem da sua crença.
Por ser uma virtude excelente atinge as faculdades da alma: emoções, inteligência e vontade. A fé é uma experiência repleta de fervor da emoção e mexe com as sensações humanas: ansiedade, tristeza, alegria. A fé é uma arma contra o medo, pois, apesar das adversidades que conspiram em favor das dúvidas, ela fortalece cada vez mais as convicções.
A fé é inteligente porque está amparada no sistema de pensamentos que existe desde os primórdios da humanidade: a religião. Alguns ideólogos quiseram desqualificar a fé ao conceituá-la como meio de fuga das pessoas ignorantes para se alienar diante dos problemas sociais e políticos que enfrentavam. Por isso, alguns agentes políticos, no afã de querer prevalecer sua ideologia marxista, impuseram estratégias para anular qualquer forma de teísmo e de crença. Contudo, vacilaram pois não conseguiram anular a necessidade do ser humano que de se conectar com o divino – anseio primitivo da alma que reclama por imortalidade.
A imortalidade surge da esperança por que a alternativa biológica dos seres de perpetuar-se por meio dos seus descendentes não satisfaz a sede de eternidade que reclama o espirito humano. O ciclo de vida comum a todas as pessoas é finito, realça a brevidade da vida com a seguinte reflexão:
 -  Nossa existência humana é breve. Nossos dias passam rapidamente como um conto ligeiro. Rubem Alves destacou que na percepção das crianças um dia inteiro é longo, mas para os adultos, as horas passam num momento, frustrando nossas expectativas. Logo, lamentamos como a idade avançou sem que antes pudéssemos realizar aquilo que havíamos intentado fazer e sentirmos satisfeitos.
-    Nossa estrutura humana é frágil, por isto nos debilitamos física e mentalmente diante de circunstância adversas no ambiente e relacionamento, estando sujeitos a doenças e acidentes que provocam dor e debilidade.
-   Estamos rodeados de inúmeros perigos e nossa existência pode ser interrompida a qualquer momento. A convivência humana é marcada por conflitos pela qual a presença do Estado tem sido insuficiente para pacificar as tensões. As contendas, pelejas e inimizades tem gerado mais vítimas do que a pior das epidemias conhecidas no mundo.
Diante da brevidade da vida, a esperança surge como flecha atirada em direção a eternidade, sustentada na fé de que a existência humana não se esgota com a morte. É o balsamo da consolação para aqueles encontram-se na fragilidade da carne e buscam a robustez da alma no plano espiritual onde encontram convicções além da eternidade.
CONCLUSÃO
É possível perceber que a história tem eventos coincidentes presentes em todas eras. A religião está sempre presente na história das civilizações, mostrando como era a vida das pessoas em comunhão com a sua fé, como herança cultural dos antepassados e meio de firmar a sua identidade enquanto nação. Inclusive as civilizações mais simples construíram o seu conhecimento sociocultural a partir da doutrina da sua crença.
REFERÊNCIAS
Indico a leitura dos seguintes livros:
BOTTON, Alain de. Desejo de Status. Tradução de Ryta Vinagre. Rio de Janeiro: Rocco, 2005.
______. As consolações da Filosofia. Tradução de Eneida Santos. Rio de Janeiro: Rocco, 2012.
BRIZOTTI, Alan. Quando a vida dói: Reflexões bíblicas para tratar dores da alma. 1ª Edição – Goiânia: Estação da Fé, 2013.
CURY. Augusto. O Semeador de Ideias: que atitudes tomaria se o mundo desabasse sobre você? São Paulo: Editora Academia de Inteligência, 2010.
GALLAGHER, Steve. O Poder da Humildade: Deus resiste aos orgulhosos mas dá graças aos humildes. Brasília: Editora Propósito Eterno, 2006.

sexta-feira, 29 de julho de 2016

O PREÇO DO DESAFIO


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Professor Gelcimar da Silva Pereira Nunes

INTRODUÇÃO
Desde algum tempo, venho refletindo as razões para o sucesso ou para o fracasso. Então cheguei à conclusão de que nada é produto do acaso. Existe a relação causa x efeito ou atos versus consequência. Alguém pode até pensar que herdou o sucesso por presente dos deuses que lançaram a sorte e o fez prosperar. Comportam-se como aqueles que esperam alguém preparar o almoço ou a cama para elas dormirem. Não existe almoço grátis; alguém está pagando a conta. Quem fica na comodidade à espreita da sorte tem a desculpa de que não foram abençoadas pelas oportunidades da vida. Contudo, sempre acreditei na força do trabalho por motivação intrínseca para atingir determinada finalidade.

OUSADIA PARA REALIZAR SONHOS
Minhas decisões mais corajosas foram tomadas com muito medo e ansiedade. Eram decisões em que os riscos foram confrontados com o altruísmo sob o prisma da razão e do objetivo final que foi desenhado com expectativa de sucesso. O risco do fracasso era evidente e o medo me perseguia a cada passo dado em direção do desafio premeditado. Por vezes fiquei atônito, suando frio, mas não desisti. Sabia que a desistência poderia refletir no arrependimento tardio de não ter tentado e negligenciado nos momentos de tomada de decisão. Por vezes, o arrependimento pelas oportunidades perdidas se armazena na consciência como se fosse a marca de um fracasso. Fica a sensação de que o corpo armazenou por anos sonhos abortados por medo e timidez com a sensação de que se perdeu a oportunidade de agir com ousadia no momento importante de tomada de decisão.
Acredito que as ações mais corajosas não são isentas de sensações e de reflexões morais. A hesitação é tangível e, por vezes, faço questionamentos relacionados a reputação, ao sucesso e ao fracasso. Percebo que o espírito da aventura, acompanhado da ansiedade, mostra que nem todas as coisas se revestem de previsibilidade, mas de possibilidades de sucesso e de fracasso. O fracasso nem sempre representa algo essencialmente mau, dependendo do aprendizado que ele produz. O fracasso se tornou matéria prima do sucesso de muitas pessoas. Elas aprenderam a serem persistentes mesmo quando as coisas não alcançavam o resultado esperado. Aprenderam que a reengenharia do sucesso passa por rever conceitos, ações, entender a realidade ou contextos para que as oportunidades se tornem favoráveis. Assim, com visão otimista e instrumentalizando a inteligência, extraíram da força do trabalho, a realização do sonho.
UMA VIDA COM PROPÓSITO
Então passo a acreditar na importância de ter uma vida com propósito. Propósito significa a razão da existência de todas as coisas. Nada existe sem uma finalidade ou motivo pelo qual foi criado. Por isso, o ser humano deve orientar sua vida por um propósito para descobrir sua utilidade, o valor do serviço ao próximo para que sua vida tenha significância. Doutro modo, correrá intensamente em busca de uma satisfação não definida, corrompida pelo individualismo e pelo egocentrismo em busca de preencher o vazio existencial.
Certa vez, o Dr. Myles Munroe declarou: "Eu acredito que a maior tragédia na vida não é a morte. Mas a grande tragédia na vida é uma vida sem propósito."
Ele explicou que muitas pessoas são infelizes por não tem uma vida com propósito. Por isso, Myles Munroe declarou que “Até que você descubra o propósito pelo qual foi criado, você nunca estará realizado".
Sem propósito, as pessoas vivem a procura de coisas vãs sem ter consciência de si mesmo, do que pode fazer e sem expectativa de futuro. Não tem consciência de importância e a identidade será frágil em relação a expectativa do futuro. Logo não é factível a realização de sonhos. A falta de expectativas e de esperança levam pessoas a procurarem aventuras e ter estilo de vida autodestruitivo.
É a partir do propósito que fazemos os planos para a vida e definimos os limites da satisfação pessoal. Logo, é possível identificar o ponto de partida e o objetivo a ser alcançado. Toda realização de um sonho só é possível a partir de um plano no qual todos os riscos e o valor do prêmio foram calculados. Contudo, não haverá significado (ou importância) se não tivermos consciência do propósito. Claro, a partir de novas vivências e experiências vamos construindo novas identidades, pois o conhecimento possibilita ampliar a visão de mundo.
Não existe significado pessoal se não houve sentimento de utilidade e valorização do mais simples ser humano. O verdadeiro sentimento de importância é desprovido de orgulho pessoal. Algumas pessoas foram embriagadas pelo conhecimento e ensoberbeceram pelo sucesso que ele proporcionou. Julgaram-se mais excelentes que os demais seres humanos, Cultivaram a divinização do ego imputando insignificância as pessoas desprovidas de qualificação profissional e de status.

O PREÇO DO SUCESSO
Não quero estar no berço esplêndido das imaginações, sem empenhar pelo resultado esperado. Não folgo com o acaso e o inesperado. Às vezes, tende-se acreditar na sorte como presente dos deuses em resposta a crença na onipotência do pensamento. Alguns acreditam que seus pensamentos têm tanto poder que podem influenciar no curso da natureza e do destino. Creditam ao universo metafísico as alterações e oportunidades que lhe proporcionarão sucesso.
Acredito que a programação das ações, aliadas a persistência e a capacidade de superação conduzem ao resultado projetado no universo dos sonhos. Logo não há soluções mágicas e resultados instantâneos. Isto implica em avaliar o preço a ser pago, pois nenhum objetivo será alcançado sem a ação sacrificial. O sacrifício pode ser entendido como a entrega de algo valioso em troca de algo mais valioso ainda. Assim entendido, temos valores materiais e imateriais a renunciar quanto pleiteamos algo mais excelente. Por exemplo: o estudante está disposto a abrir mão do lazer e até mesmo do repouso como sacrifício em prol de um prêmio maior para ter acesso a universidade ou aprovação em concurso público em sua área de formação. Ao final percebe-se que o sacrifício traz o triunfo como recompensa.
Quando buscar o segredo do sucesso profissional de alguém, deve-se perguntar: “Qual foi o seu preço para alcançar tal resultado?”
O sucesso na vida profissional é o resultado de anos de aplicação nos estudos. Não há como aferir as horas de lazer e os fins de semana que foram sacrificados, a noite de sono perdida, a ansiedade e o medo. Isto faz o mais aplicado dos estudantes ser especial por que se compra com a ansiedade e o cansaço, a felicidade e a estabilidade da vida no futuro.
É preciso viver o presente com expectativas para o futuro. Isto implica na capacidade de sonhar e de fazer planos. Ter a capacidade de imaginar a realidade trazendo no futuro próximo sensação de bem-estar e de conforto. Acreditar que o dia-a-dia é necessário plantar sementes de relações interpessoais sadias, pois a verdadeira amizade providenciará a solidariedade orgânica no momento da adversidade.
É importante desfrutar do vigor da juventude e o prazer de suas experiências sensórias, mas nunca se descuidar de suas responsabilidades individual e coletiva. Aqueles que são ávidos por liberdade e diversão como se fosse o único néctar dos deuses apresentados aos seres humanos no esplendor da sua força no decorrer dos anos, perceberão o desencanto pelas agruras da vida. Logo, é preciso ser sóbrio na provisão da vida para os momentos da adversidade.
Claro todo o ser humano é ávido pelo prazer e o bem estar, mas é importante ter cuidado para não ser escravo do entretenimento. Hoje a tecnologia tem roubado a naturalidade das relações plantadas pela convivência amorosa, substituindo-a pela artificialidade das amizades online. A dependência física e psíquica por experiências sensoriais, aflora pelo néctar viciante da adrenalina. É enganoso viver intensamente as aventuras e mergulhar na ilusão ter usufruído de todos os prazeres na perspectiva de existência finita. É como se o mundo estivesse prestes a se acabar e privasse de desfrutar a vida com sabor carnal, tal como a frase: “Comamos e bebamos que amanhã morreremos.”   
Nenhum sucesso é plantado com ociosidade. Tudo requer sacrifício em prol de algo mais excelente. Portanto, viver intensamente é administrar a própria vida com conhecimento, entendimento e sabedoria. O conhecimento é a forma como abstraímos a ideia ou noção das coisas. Por outro lado, o entendimento é mais profundo do que o conhecimento pois implica na compreensão da finalidade das coisas. A Sabedoria significa tomar as decisões adequadas com responsabilidade, usufruindo de senso moral e ético elevado, superando o orgulho e o individualismo, privilegiando a humildade e o respeito ao próximo. Ter sabedoria não depende de graduação ou posição social.
CONCLUSÃO
Sou tentado a buscar novos significados para a vida na direção das oportunidades que me são apresentadas e levam a explorar os limites da capacidade de cognição e de iniciativa. Claro, a mesmice pode até produzir certa zona de conforto, mas cansa. Não produz o entusiasmo próprio da experiência inédita. Por isto, gosto de ver o brilho nos olhos pela oportunidade de realização do sonho. Essas antecipações mentais ajudam a visualizar o resultado. Ou seja, vivenciar o fim antes do começo por meio da imaginação. Acredito que o homem se renova a cada dia no universo dos sonhos e coloca passos no futuro com a confiança de melhorias de vida, conforto e segurança.
REFERÊNCIAS
Recomenda a leitura das seguintes obras:
BOTTON, Alain. Arquitetura da Felicidade. Tradução de Talita M. Rodrigues. Rio de Janeiro: Rocco, 2007.
­­_______. As Consolações da Filosofia. Tradução de Eneida Santos. Rio de Janeiro: Rocco, 2012.
CURY, Augusto. O semeador de ideias. São Paulo: Academia de Inteligência, 2010.
LUCADO, Max. Viver sem Medo: redescobrindo uma vida de tranquilidade e paz interior. Tradução de Bárbara Coutinho e Leonardo Barroso. Rio de Janeiro: Thomas Nelson Brasil, 2009.

sexta-feira, 28 de agosto de 2015

NO SILÊNCIO E NA SOLIDÃO...



INTRODUÇÃO
Tenho usado o silêncio como terapia em momentos solitários face a necessidade de interromper, mesmo que por um momento, o ritmo alucinante do dia-a-dia. Então percebo como tenho mais acuidade em ouvir os sons da natureza de forma magnífica e de rara grandeza. Também, o meu olhar se fixa em um ponto repetidas vezes e a novidade das cores e dos sons se manifestam nas impressões mentais como se a fantasia das histórias infantis se materializasse diante de mim. Parece que a natureza desacelerou para que eu pudesse ver as cores mais brilhantes e os detalhes mais apurados. Às vezes parece que a visão é ilusória, própria da fantasia e das imaginações. Fico extasiado como o comum se torna incomum diante dos meus olhos. Antes não era possível, devido a precipitação mecânica das experiências sensoriais do dia-a-dia que faz-nos absorver apenas aquilo que é imediato e pragmático. Isto porque a mecanização da rotina adormece as relações simbólicas com a natureza e com as pessoas.
O SILÊNCIO E O TRIBUNAL DA CONSCIÊNCIA
Agora no ritmo das batidas do coração, passo a ser acompanhado pelos pensamentos que me convidam para uma reflexão solene da vida. Essa experiência é repleta de emoção e o reluzir do olhar está acompanhado das imagens do flashback da história de vida. Essas imagens estão acompanhadas de narrações da consciência (Os esquizofrênicos dizem que ouvem vozes pois são incapazes de diferenciar o que é imaginação do real). É muito difícil silenciar a voz dos pensamentos principalmente quando eles te convidam para uma situação de confronto sobre a prática de uma crença e desafiam para o exercício da coerência. Então, entendo que os pensamentos são diálogos da alma pelos quais as perguntas trazem um incômodo sobre o real significado da existência.
A dimensão do conflito interior se intensifica quando queremos justificar para nós mesmos as posições equivocadas. Por vezes, queremos silenciar em nossas mentes as vozes das opiniões alheias e até mesmo da consciência. Odiamos o sarcasmo, o tom ácido das críticas e até o contraditório, temendo possíveis lesões no nosso ego e as reações que nos tiram da zona de conforto. Então, o pensamento fica procurando as respostas com mais capacidade de cognição e coerência para advogar perante o tribunal a nossa consciência. Claro, a consciência penaliza a nossa mente e o corpo com açoites do pelourinho moral, trazendo a luz todo dualismo do bem e mal, do certo e errado. Então, entendo que o alto preço da liberdade está na faculdade de sermos responsabilizados por todos os atos, resultantes da vontade, cognição e determinação.
O real significado da liberdade está impresso na consciência. A liberdade é uma percepção individual sobre a faculdade de ser e estar no mundo com a devida autonomia. Essa autonomia se revela na experiência sensorial de calcular os riscos das decisões que a liberdade nos possibilita. Às vezes temos de encarar o medo como um adversário vigoroso e impiedoso. Por isto, as grades que nos prendem não estão nas prisões das penitenciárias, mas nos sentimentos de inutilidade e de incapacidade que nos impedem de voar em direção dos nossos sonhos. Também, a liberdade nos coloca diante diferentes caminhos a seguir e impõe o julgamento mental com antecipação das realidades a serem escolhidas com a devida segurança. Como disse o coelho da história de “Alice no País das Maravilhas”: “caminhos levam a algum lugar, depende do lugar onde você quer chegar!” Por isto, os melhores julgamentos morais das nossas decisões acontecem no silêncio e na solidão, no confronto direto de uma sã consciência. Deve-se considerar a armadilha das decisões solitárias que não iluminadas por bons conselhos. Decisões solitárias tomadas em momentos de dor ou ódios causam tragédias e o arrependimento pode ser tarde demais.
A SOLIDÃO DOS PENSAMENTOS
Na solidão e na ociosidade se manifestam todas as fraquezas do ego humano. A vaidade se dissipa pela autocomiseração e pensamos como somos insignificantes. A grandeza de muita gente não passa de uma maquiagem social que encobre suas fragilidades, mas que, no confronto direto da consciência, ficam reduzidos como pó miúdo espalhado pelo vento. Por isto, muita gente tem o pavor de ficar sozinha. Tem o pavor da dramaticidade dos pensamentos que trazem consigo os fantasmas do medo que esvaziam toda a sensação de alegria e de prazer. As alucinações causadas pelo medo sugam as forças vitais do pensamento. Parece que a paz se exilou nos lugares mais distantes da terra e o sentimento de culpa torna-se inevitável. Pensa-se o que foi feito e aquilo que não pôde realizar, nas expectativas do futuro e logo se manifesta todas as fobias possíveis.
A solidão é uma percepção individual carregada de sentimentos de abandono. Independe da companhia de pessoas ou até mesmo do diálogo que se estabelece entre si. Traz a patologia da ansiedade e da incompreensão de uma alma que implora por auto aceitação. Tudo culpa da cultura da emoção em que a tônica da vida secular está baseada sensação de bem-estar. Há uma realidade de fuga da realidade pelo entretenimento, esportes radicais, alcoolismos e drogas. Muitos não estão preparados para deparar com a crítica e com a rejeição. Assim, a consequência desse antropocentrismo (o homem no centro do universo) é a epidemia de frustrações crônicas. Hoje a indústria dos processos por coisas banais mostra como há imaturidade de pessoas com sentimentos corroídos por ideologias e que se julgam protegidas pelo direito de não serem criticadas. 
É necessário que o entusiasmo do sonho seja rompido pela frustração para que a dúvida se estabeleça e coloque em teste toda a determinação do ser humano. O contraditório e a frustração são elementos que colocam em prova todas as nossas convicções. Surge o conflito mental com o seguinte dilema: retroceder ou persistir com a mesma fé e esperança no sonho? Há temor do julgamento alheios porque novo fracasso poderá ser entendido com teimosia; mas também, o sucesso será a prova cabal da determinação.
Acredito que as nossas frustrações pode ser aulas que nos ensinam os passos para o sucesso, desde que estejam acompanhadas da devida reflexão. É preciso avaliar as razões do fracasso para construir pontes para o sucesso. Então, surge a oportunidade de recomeçar com novas estratégias, administrando com segurança a ansiedade e melhor controle dos resultados. Desde que haja determinação no caminho que almeja chegar.
Às vezes, o pensamento negativo está tão persistente que maltrata o corpo pela insônia, impedindo o sadio descanso. O sono deveria ser a experiência lúdica mais solitária do ser humano que permite a alma viajar pelo magnífico mundo da imaginação. O sonho traz lembranças passadas com detalhes dantes percebidos e comunica realização de desejos. Faz acreditar que adentramos no mundo divino para colher por meio de enigmas os sábios conselhos. Logo, o leito deveria ser o jardim das delícias onde alimentamos a nossa alma e revigoramos as energias físicas, mentais e espirituais. Nesse ambiente a sã consciência cumpre o seu trajeto ao adentrar no mundo dos mistérios onde o futuro descortina nos arautos da fé e da esperança.
Por isso, a alegada paz do silêncio não passa de uma alegoria para alguns, porque, às vezes, na solidão se manifestam as lembranças daquilo que gostariam de esquecer Também, aparecem os fantasmas imaginários e as teorias da conspiração naquelas pessoas que foram infectadas pelo vírus da baixo-estima. A solidão é digerida como remédio amargo por aqueles que se torturam com a tristeza, ansiedade e depressão no deserto do coração. Por isto, os planos mais sórdidos são tramados na individualidade do pensamento, quando a voz da consciência foi silenciada pela amargura. A etimologia da morte do sonho passa pela desesperança nascida na amarga solidão.
O SILÊNCIO E A EXPERIÊNCIA SENSORIAL
Porém, quero aproveitar o silêncio para me esvaziar dos sentimentos e das lembranças nefastas que poluem o ecossistema da alma. Quero desenhar no pensamento as ideias mais brilhantes sobre o horizonte dos sonhos. Quero desfrutar o silêncio com os olhos bem fechados, desligando-os da arquitetura que me prende ao mundo material. Adentro no universo das percepções sensoriais com o pensamento iluminado pela fé. Quero conversar com Deus e ser curado na terapia do amor e do perdão divino. Assim, anseio todos os dias adentrar no jardim da existência onde o entusiasmo da felicidade me completa de fervor espiritual.
A reflexão sobre a perenidade da vida se apresenta na solidão dos nossos pensamentos. Julgamos que a vida se cansou de todas as novidades e que estamos sendo consumidos pela rotina, repetindo pela automação o ciclo de vida. Claro, a vida implora por novidade, novas emoções e expectativas no ritmo ascendente. Isto por que os nossos pensamentos são dependentes das nossas experiências sensoriais, principalmente daquilo que apreendemos pela visão.
Mas, a racionalidade impede que sejamos pessoas passionais inconstantes nas diferentes variações de humor e impulsivos na satisfação dos instintos, inclusive aqueles mais primitivos. A razão se manifesta na serenidade das nossas reflexões amparadas na ética e na moral, coadjuvada pelo bom senso. Não é a explosão reivindicatória dos direitos, de reparação de danos com expediente de insensatez e brutalidade. A razão é a decisão amparada na inteligência que impõe determinações a vontade e controla os sentimentos de justiça própria e de vingança. Ela pesa as palavras e as tempera com gentileza, retirando a amargura, mesmo em situações de extrema tensão emocional.
Por diversas vezes a experiência sensorial é ilusória. O que vimos ou ouvimos são interpretados pelos nossos sentimentos e, muitas vezes, não passam por um filtro moral da consciência nem pelas reflexões lógicas do intelecto. Então, cremos piamente naquilo que vimos e julgamos sentir. Por causa da visão e dos sentimentos recorrentes somos induzidos a ter interpretações equivocadas da realidade. Essa é a razão de muitos conflitos e mal entendidos entre pessoas. O que vimos ou ouvimos assemelha-se a imagem de um espelho embaçado e a verdade que construímos não passam de palpites na roda de amigos. Se assim entendermos teremos o ponto de partida para o exercício da tolerância e da escuta compreensiva.
Gosto de exercitar a visão quando a arte da contemplação da natureza está acompanhada do silêncio. Percebo que o mundo não parou de girar apesar do silêncio e da ociosidade. Percebo que os sons da natureza são sussurros provocados pelo vento: o agitar das folhas e a melodia dos pássaros. Consigo reunir informações que sequer havíamos pensado. Penso como a cor verde é a abundante esperança que nos convida a redescobrir a fé nas maravilhas de Deus. Então percebo que a natureza é um testemunho diário do milagre da vida desde que os mundos foram criados.
CONCLUSÃO
Acredito que é na solidão dos pensamentos que tomamos as decisões mais qualificadas com o auxílio do tribunal da consciência. Por isto, buscamos o autoexílio para conectar diretamente com os problemas e buscar pela lógica matemática chegar aos cálculos de suas soluções. Pode parecer manifestação explícita do egocentrismo, mas no primeiro momento recusamos partilhar os nossos problemas com alguém para omitir qualquer percepção de fraqueza. Mas, depois, que a solução matemática dos nossos problemas dependem da presença do outro; que a amizade pode muito em seus efeitos terapêuticos de solidariedade.
REFERÊNCIAS
Não citar referências. Apenas vou indicar as seguintes obras:
BOTTON, Alain. Ensaio de Amor, Tradução de Fábio Fernandes. São Paulo: Rocco, 2011.
______. Ensaio de Amor, Tradução de Eneida Santos. São Paulo: Rocco, 2013.
LOPES, Hernandes Dias Lopes. Voando nas alturas: dez princípios par uma vida bem sucedida. São Paulo: Editora Candeia, 1996.