terça-feira, 7 de setembro de 2021

NOSSA VIDA

 

Professor Gelcimar da Silva Pereira Nunes




 

Imagem: greenne.com.br acesso em 07/09/2021

INTRODUÇÃO

            A caminhada pode ser um bom momento para a meditação e a oração. É um momento em que você pode dialogar com Deus, consigo e fluir ideias em brasa. Então, o mover dos pensamentos atinge os estágios mais remotos da história para expô-los de forma didática. Nisto, consiste a reflexão sobre a vida e todas as suas nuances.

            Sempre cito a frase do escritor Igor Oliveira Ferreira: Para a criança a vida é uma descoberta; para o jovem, uma aventura. Para o adulto a vida é uma missão, e para o idoso, uma dádiva”.

            Apesar dessa sábia reflexão, a vida se apresenta de forma cíclica com raras variações. Às vezes, pesam os sacrifícios e as responsabilidades e surge a percepção de um fardo a carregar diariamente. Para alguns a vida é “matar um leão todos os dias”. Isto porque a realidade apresenta a dificuldade e a injustiça como sua face mais ardil para aqueles que perseguem os seus objetivos.

Por outro lado, não há como ficar indiferente a todas intempéries, anestesiar a consciência e ignorar a dor. Somos todos parte de um ecossistema e nossa individualidade não exclui a socialização. Somos seres sociais e nossa vida depende dessa convivência e, mesmo em momentos de conflito, podemos extrair um rico aprendizado.

I – A VIDA É UM BEM COMPARTILHADO

Há tempos acreditava que a vida era só minha e sobre ela teria total controle e responsabilidade. Mas, com o tempo, aprendi que, na maioria das vezes, “a minha vontade é a vontade dos outros”. Isto porque estamos sempre debaixo de autoridade: do patrão, das regras dos ambientes que frequentamos, etc. Há uma coerção social que delimita o alcance da liberdade e nos impõe responsabilidades. Então, a liberdade consiste em fazer tudo que é permitido, honrar a ética e os costumes. A escolha surge porque não estamos presos a um determinismo de fazer o que é moralmente bom e, por isto, muitos preferem o mal no afã da satisfação pessoal. A liberdade é uma questão ética e implica valores moralmente aceitáveis perante a sociedade ou um grupo social. Pensar a liberdade como um fator individual sem conexão com a vida social nos leva a transgressão, aos excessos, à libertinagem. Então, pensar a vida como bem exclusivo (“a vida é minha, faço o que quero”) nos conduz ao individualismo e a busca desenfreada da satisfação pessoal, baseada na razão.

Todos nós estamos entrelaçados pela história, pela política, pela cultura e pelas relações sociais. Pela história que nos concedeu a língua e a cultura e é o berço do conhecimento dos antepassados que nos é transmitido pela família, pela sociedade e pela instrução escolar. Também, não podemos negar que a nossa vida é atingida por decisões políticas que interferem em coisas tão simples como preços de alimentos. Portanto, como ser social, o homem é dependente de relacionamentos para sua sobrevivência como espécie.

Compreender a vida como um bem compartilhado é complicado. Ninguém aceita dividir sua vida com alguém que não seja de sua confiança. Seria aplicar-se em um investimento de risco de tê-la exposta por alguém moralmente suspeito. Aliás, queremos expor em varais as nossas virtudes e esconder nossos vícios em vasos. Isto justifica o amor aos elogios, a cortesia e aos afagos acima de qualquer crítica ou repreensão de um comportamento impróprio ou vícios. Quando me refiro a vícios, cito tudo que não é virtude, que nos prejudica ou aos outros, de alguma forma.

Em uma multidão, selecionamos um grupo de pessoas conhecidas. Dentre pessoas conhecidas, elegemos nossos amigos e dentre eles, adentramos poucos para o nosso círculo íntimo. Dentre várias definições de amizade, considero esta citação muito interessante: “a amizade é uma forma de expressarmos o amor, a lealdade e a confiança”. Observe, que a citação não focaliza a perfeição, a excelência das virtudes ou ausência de vícios, mas o altruísmo da lealdade e da confiança mesmo nos momentos mais difíceis. É isto que faz a diferença entre amigos e conhecidos. Às vezes, alguns conhecidos advogam o direito de declararem-se amigo de alguém para usufruto próprio ou retribuição. Isto é ilusão. Amizade implica na arte da convivência e do conhecimento recíproco e está acima dos próprios interesses.

A vida é uma via de mão dupla com o próximo. Na primeira via estão as nossas ações e na via oposta estão as consequências. Andar na via é honrar a ética e os bons costumes, por meio de boas escolhas com uma consciência livre e limpa. Tudo começa com a boa consciência, ilustrada pela correta orientação do caminho, do caminhar. Por conseguinte, outras pessoas são beneficiadas quando honramos a ética e os bons costumes e se deleitam com os seus resultados.

Isto implica em responsabilidade, pois nossas decisões podem impactar a vida de muitas pessoas com quem relacionamos e até desconhecidos. Então, principalmente nos momentos de ódio e dor, devemos vigiar as nossas palavras e atitudes, pois podem impactar negativamente a vida do próximo. Alguns arrependimentos são tardios e incapazes de reparar o mal provocado.

Logo, deve ser pensada as consequências antes de pensar: “a vida é minha e faço o que quero!” pois todas as ações geram consequências. Como exemplo: todos nós sofremos as decorrências das fatalidades da história: as guerras, a escravidão, a exclusão social, etc. O argumento do estudo da história se justifica pelas consequências dos fatos históricos e como impactaram a cultura, a política, a vida em sociedade... Enfim, a vida de todos os brasileiros.

II – A VIDA É BEM DADO AO MUNDO

Quando pensamos a vida como algo revestido de propósito, chegamos ao ponto crucial da existência. Certa vez, o conferencista Miles Munroe (1954 – 2014) disse que toda a humanidade e a ciência buscam respostas para as seguintes perguntas: “De onde vim?”; “O que posso fazer?”; “Por que existo?”; “Para onde vou?”

A primeira pergunta exige resposta sobre a origem; a segunda, sobre a capacidade; a terceira, sobre a finalidade e a quarta, sobre o destino de cada pessoa. Parece que os cientistas, contaminados pela concepção sensual empirista, não admitem respostas que não envolvam dados mensuráveis ou manipuláveis. Logo, para eles, os registros canônicos não podem ser fonte de pesquisa. Então, ficarão à mercê de hipóteses e teorias sobre o universo a partir das subjetividades de exíguos fósseis e fragmentos antigos.

Quanto a segunda e terceira pergunta, temos a seguinte resposta: “ninguém foi criado para ocupar inutilmente a Terra”. Nós temos habilidades porque a nossa vida é revestida de um propósito. Esse designo inclui habilidades e vai além dos interesses pessoais. Nada nos foi concedido para usufruto próprio ou para enobrecer o ego. Ou seja, nossas habilidades são dirigidas para comunicar a grandeza da solidariedade orgânica a pessoas conhecidas e desconhecidas. Por isto, o nosso propósito é praticar a virtude e servir ao próximo.

Nos evangelhos canônicos, Jesus disse aos discípulos: “vos nomeei, para que vades (ao mundo) e deis fruto, e o vosso fruto permaneça...” (João 15.16). Entendemos, nessa citação, que nossa vida é uma dádiva dada ao mundo para inspirar pessoas por meio da prática das virtudes mais excelentes do cristianismo. Isto implica na missão de ir ao mundo para apresentar a verdade como uma personalidade eficaz.

Quando se fala em verdade já se pensa em algo banalizado, subjetivo e de valor relativo. Hoje se fala em verdades, palpites e diferentes pontos de vista. Porém me recuso a patinar no terreno da subjetividade científica e da relatividade da razão humana. A subjetividade e a relatividade nos conduzem a insegurança, ao individualismo, corrompe a razão e leva a justificar vícios e absurdos. Eu acredito na objetividade da verdade como valor agregado a virtude, a tudo que é justo, amável, puro, e de boa fama. Logo, a verdade atende em essência a esse propósito. A verdade inspira, liberta e abre as janelas da alma e os ouvidos para ouvir a música de Deus.

Refletindo sobre os textos canônicos entendi porque o maligno pressupostamente utiliza a verdade, se apropria de textos sagrados e faz milagres. Ele utiliza a verdade como arma para constranger, ameaçar, expor, envergonhar e semear contendas. Prega para enganar e falsificar o propósito da verdade; e faz milagres para iludir as pessoas e mantê-las enganadas. Ou seja, a verdade sem ética se converte em dissolução e mentira.

Eu acredito na verdade que confronta, mas liberta, une e restaura laços. A verdade revestida de bondade e empatia pelas pessoas. A verdade que vai além das conveniências pessoais, como produto nas mãos de mercenários. A verdade é cara e precisa estar nua, porque as mentiras estão bem vestidas. Mesmo que a mentira prospere, mas ao final a verdade prevalecerá.

Logo, o propósito da criação é semear a verdade e a justiça de geração em geração. Temos consciência que o Eterno quem deu essa ética impressa na consciência humana para tribunal moral para antever as consequências de cada passo dado e levar-nos a tomar as melhores decisões. Se a nossa capacidade de julgar falha, temos a consciência alheia para nos orientar a melhor decisão. A consciência moral não cansa de julgar após o mal feito, porque nos quer levar a reflexão e reorientar nossas decisões. Contudo, no decorrer da história, o homem tem silenciado a voz da sua consciência moral para satisfação dos prazeres mais primitivos, mesmo que custe ferir o próximo.

Cada um de nós temos habilidades naturais que podem ser aprimoradas ao longo do tempo. Alguns se destacam pela liderança, outros pelo senso de organização, outros pela amplitude das ideias. Contudo, todas essas ferramentas ganham utilidade no serviço ao próximo. Por exemplo: que dá visibilidade a atividade do médico é o seu trabalho de curar pessoas, doutro modo um título acadêmico não tem relevância se o portador tiver o ofício.

III – A VIDA É COMO ÁRVORE PLANTADA

A árvore plantada às margens do rio é uma das ilustrações mais relevantes sobre a vida com propósito. A brevidade da vida é comparada à flor da erva que tem sua existência consumida em poucas horas. Nossa vida se consome ao longo do tempo, por isto deve ser administrada com cuidado. Doutro modo, teremos a desculpa de que tudo é vaidade e aflição de espírito.

Nós como árvore precisamos criar raízes, vínculos, maturidade. As raízes crescem com o tempo e resultado de um aprendizado contínuo. Criar raízes resultam em experiência de vida acumulada ao longo do tempo. A experiência nos leva a olhar para o retrovisor da história para celebrar as vitórias e lamentar os fracassos. A reflexão sobre o passado é a verificação do aprendizado de vida e nos induz a cautela, a ponderação e ao receio de cometer os mesmos erros. Com a experiência criamos um código de orientação para si e para os mais jovens. A diferença entre o jovem e o idoso é que o mancebo faz sua história e o ancião conta a história que já fez.

Gosto da ilustração da semente como o conhecimento. O conhecimento é semeado a esmo, não é plantado. Desta forma, vai alcançar diferente tipos de pessoas e o que vai determinar o sucesso da semente é a disposição em abraçar o conhecimento. Aí que está o problema: os indivíduos são seletivos e consumidores. Buscam aquilo que atendam suas conveniências.

Hoje, temos a expectativa de surgimento de árvores inúteis, sem fruto. Isto, porque vivemos na era do conhecimento..., mas quanta gente ignorante! A geração atual tem confundido informações inúteis com conhecimento. Tem se deleitado com futilidades e tem se entediado com coisas que exigem um esforço mental mais apurado como a leitura de um livro ou aplicar-se em atividades escolares. Por outro, temos genitores superprotetores e refém da satisfação dos caprichos de seus infantes. Desde a infância aprendem que não devem ser confrontados com firmeza; qualquer crítica dos mestres deve ter o eufemismo das palavras bem colocadas, sob pena da reprovação dos pais.  

A alienação surge da lei do mínimo esforço e da acomodação. Via de regra, os jovens têm preferência por um lazer plastificado e desidratado de conteúdos significativos como as redes sociais e a internet. São poucos que labutam pelas sementes sagradas do conhecimento com expectativa de fruto.

Se houver uma reorientação, surgirá uma geração de alienados, incapazes de lidar com as frustrações, ansiosos e deprimidos, incapazes de tomar as próprias decisões. Então, não discutem ideias, mas brigam por opiniões tuteladas por mentores ideólogos e maus intencionados. São repetidores de chavões, jargões acadêmicos e rótulos, sem profundidade da reflexão de significados. Aliás, título acadêmico, por si só, não sanitariza a ignorância, antes a estabelece se a ideologia for abraçada como um sistema de crenças. Isto explica a policiamento nas redes sociais e a políticas de cancelamento por pessoas e grupos militantes. Qualquer opinião contrária ao politicamente correto é alvo de massacre na internet.

Com a ignorância é impossível cultivar virtudes e ser árvore frutífera. A sabedoria está na prudência, na moderação e no bom senso. Como o filósofo Luiz Pondé acredito que a igreja evangélica tem contribuído com “uma política de contenção” a via de excessos existente na sociedade. Os excessos levam ao sexo e gravidez precoce. Uma menina com 14 e 15 anos já é mãe e se não houver uma política de contenção, vai ter filho aos 17 e aos 20 anos. Por isto, o filósofo destaca que o papel social da Igreja é muito importante. Além disso, a ignorância leva a outras mazelas sociais como as drogas e a violência.

A sociedade clama por bons exemplos porque a mídia está repleta de futilidades de celebridades e há pessoas entediadas com tantas banalidades. Os bons exemplos estão do nosso lado, com as pessoas simples, humildes e, até mesmo, sem muita instrução acadêmica. Essas pessoas simples exalam sabedoria nas palavras e atos, mas são tratadas com indiferença. Exatamente, porque a sabedoria é discreta e silenciosa, sem a eloquência das palavras, mas com simplicidade e firmeza. Logo, a sabedoria não é graça barata é o resultado de uma vida de renúncia as futilidades e excessos. A sabedoria habita em quem que sabe que a felicidade é o estado de satisfação, de se sentir completo, na abundância e na escassez e aprendeu a valorizar cada vitória diária.

A árvore é o nosso caráter, aquilo que somos. Não basta ter apenas amplitude, beleza e folhas. É preciso ter fruto. É preciso cultivar as virtudes como fruto, mas antes é preciso criar raízes que são os vínculos com as pessoas, constituir uma identidade. A expectativa das pessoas é deleitar-se nos frutos das nossas virtudes e abrigar-se na sombra da nossa reputação.

CONCLUSÃO

             Cristo nos dá o maior exemplo ao “dar sua vida como único resgate por muitos” (Mateus 20.28). A nossa vida é maior instrumento de serviço à humanidade. A sensação de utilidade nos dá significado de vida com propósito. Como garçons devemos atender as demandas da comunicação e da solidariedade, com verdade e justiça.

            A liberdade não está relacionada ao salvo conduto para fazer o que desejar. A busca desenfreada pelo prazer, gera descontrole e escravidão viciosa. A liberdade está no plano da consciência moral, da capacidade de fazer as melhores escolhas, desprezando a opção pelo mal. Aliás, a opção pelo mal gera escravidão, pois um abismo chama outro abismo.

REFERÊNCIAS

BOTTON, Alain. Desejo de Status. Tradução de Ryta Vinagre. Rio de Janeiro: Rocco, 2005.

CURY. Augusto. Os segredos do Pai-Nosso. A solidão de Deus: um estudo psicológico da oração mais conhecida no mundo. Rio de Janeiro: Sextante, 2006.

KOYZIS, David T. Visões e ilusões políticas: uma análise e crítica cristã das ideologias contemporâneas. São Paulo: Editora Vida Nova, 2014.

LOPES, Hernandes Dias. Voando nas alturas. São Paulo: Hagnos, 2015.

LUCADO, Max. Viver sem Medo: redescobrindo uma vida de tranquilidade e paz interior. Tradução de Bárbara Coutinho e Leonardo Barroso. Rio de Janeiro: Thomas Nelson Brasil, 2009.

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2021

ALGUMAS IMPRESSÕES SOBRE O RETORNO ÀS AULAS PRESENCIAIS, MEDIDAS SANITÁRIAS E O PLANEJAMENTO PEDAGÓGICO

 Professor Gelcimar da Silva Pereira Nunes 

INTRODUÇÃO

            O ano de 2021 trouxe consigo um farol de esperança às perspectivas de superação do caos advindo com as restrições da pandemia do novo coronavírus. A angústia da clausura e das incertezas contaminou todos os ambientes e tornou todos os seres humanos um exército de vulneráveis. Colocou todo o conhecimento dos entendidos prostrado diante um inimigo comum desconhecido: o vírus Sars-CoV-2 (Covid-19). Então, toda a voz se levantou clamando por uma solução plausível para o lastro da dor que acometeu todas as famílias, que choraram seus mortos (algo parecido com a morte dos primogênitos, relatado nos escritos bíblicos). Então, como uma flecha lançada, a esperança acerta o seu alvo com a notícia da vacina e da vacinação, mesmo em caráter experimental e emergencial. Mas, no momento, não há vacinação para todos. Apenas para os grupos prioritários e o professor não está incluso.

            Há de se considerar que a cautela e os cuidados devem ser redobrados. No momento, a morte espreita a presa desprevenida como ocorreu no momento mais agravante da pandemia do coronavírus em 2020. Diariamente são contabilizadas mais de mil mortes e novas cepas são descobertas como obstáculo a erradicação da doença. Isto indica que a praga não cessou e é aventura desprezar todos os cuidados preventivos relacionados ao contágio e sua disseminação.

            Diferente dos momentos iniciais da pandemia, as medidas de isolamento social foram afrouxadas e as pessoas se acostumaram a conviver com perigo do contágio a exemplo das comunidades sitiadas pelo tráfico. Indiferentes ao contágio, pessoas se expõem a várias situações de aglomeração e relaxamento das medidas de prevenção. Por isto, há bares cheios de pessoas conversando próximas e sem máscaras; festas em ambientes fechados onde os protocolos sanitários são ignorados, além da superlotação das praias e igrejas.

            No contraditório da indiferença de parcela da população em relação aos cuidados sanitários, surge a proposta de retorno às aulas presenciais, apesar da reclamação da categoria do magistério e parte do segmento de pais de alunos. Tal contradição fragiliza o debate sobre o retorno das aulas presenciais com segurança.

1 – O RETORNO DAS AULAS   

            Desde o ano passado, tanto o governo federal como o governo estadual discutiam propostas para o retorno das aulas presenciais e os critérios a serem observados para o retorno com a devida segurança. Por outro lado, havia divisão no segmento de pais de alunos quanto a retomada das aulas presenciais: um grupo defendia o retorno, o outro defendia o retorno após vacinação. Por sua vez, a categoria do magistério, enfraquecida pelos conflitos das lideranças sindicais, reclamava solitariamente com temor e tremor do retorno das aulas por imposição temerária, sem as devidas garantias de segurança.

            Tal insegurança é motivada pelo fracasso do monitoramento estatal da população adulta quanto aos cuidados preventivos. Quando o Estado e o Município se propuseram a intervir, cercearam liberdades de ir e vir e interromperam atividades da cadeia produtiva penalizando o pequeno empreendedor e o trabalhador de profissões de menor valor agregado em nome do forçado isolamento social.

            O discurso do isolamento social fracassou do alto das mansões da elite dos intelectuais e artistas enquanto a massa populacional se sacrificava diariamente para sobreviver na informalidade, no subemprego e no trabalho assalariado. A história da população da periferia das grandes cidades é marcada pelo sofrimento das condições sociais precárias e do sitiamento do tráfico.  Por isto, é difícil dialogar sobre cuidados profiláticos da COVID-19 com quem flerta com a morte todos os dias, com ameaças, conflitos entre gangues e risco eminente de ser atingido por uma bala perdida.

            Tal situação não é diferente no município da Serra e é a essência do nosso sofrimento diário, anterior a pandemia do coronavírus: a violência e a desigualdade social. A escola torna-se um refúgio para as ansiedades e o desaguadouro das frustrações desse universo de desesperança. Então, o desafio da escola é comunicar a vida em um cenário de expectativas e superações. Talvez, esta seja a razão para as massas em condições de vulnerabilidade não ter a prevenção com a devida prioridade.

            O retorno das aulas impõe diversos protocolos de segurança e controle. Algo inédito na história da Educação Brasileira. O expediente da clínica médica adentra no espaço das unidades de ensino para impor uma rotina a ser assimilada, se possível, com a automação dos cuidados. Inclusive, é criado, em cada unidade de ensino, o Comitê Local para monitoramento dos protocolos de segurança sanitária a exemplo da Comissão de Infecção Hospitalar, existente em instituições de saúde. Tal rotina foi pensada nos detalhes mais melindrosos como o carinho e o toque. A proximidade será substituída pela distância segura e a simplicidade das crianças dará vez a ortodoxia das regras sanitárias. Antes, os estudantes compartilhavam bactérias com as mãos mal lavadas, de materiais e isto era benéfico para as defesas do organismo, para a produção de antígenos e anticorpos. Agora não pode...  

            As adaptações da escola envolvem a estrutura do prédio escolar com a instalação de lavatórios e dispenser de álcool em gel na entrada e em locais estratégicos. Também, a higienização dos ambientes, seus objetos e móveis passam a ser expediente de uma rotina alterada em tempo de pandemia. As restrições de espaços e utilização de objetos afetam diretamente os estudantes, bem como as estratégias de ensino. A interação das crianças em sala não poderá ultrapassar o espaço demarcado na carteira. Logo, o desafio do professor é escolher práticas criativas para demover o tédio da criança sentada quatro horas diárias na cadeira e de máscara.        

            O uso de máscara e o isolamento social é a medida mais propagada nas mídias diversas. Contudo, o cuidado com a higienização é o aspecto mais melindroso da prevenção e do controle. Isto porque requer uma disciplina muito apurada em relação a todos os protocolos de segurança sanitária e, em algum momento, poderemos negligenciar. Sabemos que todos que pegaram COVID têm hipóteses de contágio, mas não têm uma explicação plausível de como e onde pegaram a doença. Pode acontecer de qualquer forma e em qualquer lugar, inclusive na escola. Mas como provar isto? Então, é necessária uma consciência sobre os cuidados que ultrapasse os muros da escola. Claro. É possível testemunhar a saída de estudantes de escolas estaduais aglomerados, se abraçando, beijando e sem máscaras. Parece que os cuidados se restringem apenas ao interior do prédio escolar onde é possível fazer o monitoramento e controle. Então, há um contraditório entre a rigidez do interior da escola e flexibilização das ruas e de outros ambientes.

            A questão do monitoramento da suspeita e dos casos de COVID depende da relação de confiança entre a escola e as famílias. Como exemplo, podemos citar os casos dos trabalhadores que sonegam informações das empresas para não expor sua intimidade e comprometer o emprego. Há situações em que trabalhadores assintomáticos ou com sintomas leves não se afastaram do trabalho, nem comunicaram aos empregadores. Logo, a transparência e fidedignidade dos registros da escola e na plataforma da Secretaria de Saúde dependem dessa relação de confiança da escola e das famílias dos estudantes.

            O efeito “manada” não pode ser desprezado na discussão do retorno das aulas, pois apenas um infectado é suficiente para disseminar o contágio para o grupo inteiro. Por isto, se os cuidados higiênicos não forem eficientes qualquer isolamento tardio após detecção torna-se medida inócua, visto que a condição de assintomático não tem percepção visível. A detecção de febre é uma medida limitada diante da complexidade da pandemia.

            Há possibilidade de suspensão de aulas de alguma sala ou, até mesmo, da escola conforme o agravamento do número de casos. Os reflexos psicológicos dessa medida não estão devidamente calculados. Variavelmente, a indiferença pode se transformar em medo e, por sua vez, o temor pode se tornar histeria.

            Para o monitoramento dos protocolos de segurança, há indicativo da criação do Comitê Local de Prevenção em cada unidade de ensino, com diversas representações. Contudo, a maior responsabilidade recai sobre os gestores escolares por vivenciar a experiência do chão da escola com todos os seus dilemas e contradições. O sucesso do Comitê Local é proporcional à eficiência do Conselho de Escola e seu histórico de atuação na unidade de ensino. Mas, o maior desafio será o monitoramento da obediência irrestrita a todos os protocolos de segurança diante de recursos materiais e humanos limitados. Adiciona-se como ingrediente arrebatador o stress pelo controle de situações e de comportamentos que não foram mecanicamente assimilados. Claro, pessoas não são como as máquinas que seguem uma programação de um software e podem ser reprogramadas por upgrade para obedecerem a comandos indicados em um manual. Então, a reiterada conscientização em diversos espaços e momentos é uma das estratégias coercitivas de natureza pacífica sem a necessidade da imposição punitiva.

2 – O PLANEJAMENTO DO ENSINO

            Devido a pandemia do coronavírus, estados e os municípios do pais decretaram a suspensão das aulas presenciais como medida para conter a contágio e disseminação do vírus Sars-CoV-2 (Covid-19). Como alternativa de ensino à distância, foram oferecidas as Atividades Pedagógicas Não Presenciais – APNPs aos estudantes das escolas públicas. Apesar da boa intencionalidade, as APNPs tem sua limitação, pois não houve a supervisão direta do docente no processo ensino aprendizagem. Aliás, é impossível pensar o processo de alfabetização sem a mediação do professor. Agora, imagine que resultados trouxeram as APNPs para os estudantes das turmas do ciclo de alfabetização (1º ao 3º ano). Também, os estudantes do 4º e 5º ano avançaram sem dominar os conhecimentos básicos para o ano que cursaram como a leitura, a escrita e o cálculo. Aliás, essa é uma deficiência histórica dos estudantes brasileiros do ensino fundamental ao ensino médio. Isto explica porque o Brasil desponta com os piores índices nos ranking mundiais de educação.  

            Pensar nos objetivos de aprendizagem é voltar para o ensino das proficiências relacionadas à alfabetização do 1º ao 5º ano, ampliando, assim, o Ciclo de Alfabetização. Podemos pensar esse Ciclo em duas partes: do 1º ao 3º ano e do 4º ao 5º ano. Então, o ensino deve ter foco na oralidade, na leitura, na escrita e produção de textos e no cálculo. A alfabetização deve estar contextualizada com a realidade da criança para além da decodificação de códigos e signos. A contextualização a partir da realidade da escola e da comunidade pode ser um caminho para um ensino produtivo. Com o retorno das aulas, toda a escola estará sinalizada e com cartazes sobre os protocolos de segurança para a prevenção da COVID-19 e esse material não pode passar despercebido na aprendizagem e na assimilação das regras.

            A Língua Portuguesa a exemplo de outras línguas latinas tem uma estrutura silábica tanto na escrita como na pronúncia. Contudo, no dia a dia, as crianças já convivem com as palavras e reconhecem nomes de produtos e diferentes sinais necessários a convivência social. Esse conhecimento pode ser ponto de partida para a alfabetização das crianças e o ensino contextualizado para além do formalismo acadêmico dos exercícios de fixação.

A leitura do mundo pode acontecer pela contextualização dos textos do prédio escolar (cartazes, sinalização, folders, objetos, etc.). Mas como reunir as crianças no entorno do prédio escolar se elas têm o espaço e os momentos demarcados por imposição do distanciamento social? Também, a proximidade e o toque do professor ferem os protocolos de segurança e expõe as dificuldades da orientação e correção direta no processo ensino aprendizagem. Claro, há diversas situações como a criança que tem dificuldade em pegar no lápis para escrever e àquelas que dependem da supervisão tão próxima para manterem-se concentradas como os estudantes público-alvo da educação especial.

            As estratégias da leitura não devem se descuidar da imaginação da criança que, aliás, pode ser bem explorada nas atividades de interpretação de texto. A imaginação deve ser incentivada para além da imagem presente nos textos. Por exemplo: no texto “Caçador de Borboletas”, podemos perguntar o que não está na história e que requer imaginação: “Como era o caçador de borboletas, era jovem ou velho?” “Ele era alto ou baixo?” “Como ele estava vestido?” “Onde ele morava?” Uma das maiores dificuldades na interpretação do texto reside na imaginação. A criança precisa entrar no mundo da história como expectador por meio da imaginação para entendê-la. 

            Como adulto faço sempre uso da imaginação na leitura dos textos com o argumento da leitura autobiográfica. Tenho cada texto como um diálogo onde me identifico com cada palavra, frase ou situação para analisar, criticar e me posicionar. Se alguém não entende um texto é porque não se reconhece na informação.

            Outro argumento é que o texto não se restringe ao material escrito. Precisamos valorizar a oralidade como uma produção de texto. Em um diálogo sobejam palavras e frases articuladas como um texto oral com todos os ingredientes gramaticais. Toda a organização lógica de uma conversa obedece a uma sequência coesa. Isto pode ser explorado na escrita de palavras e frases sem a pressão ortográfica. As correções acontecem no decorrer do processo de aprendizagem pela mediação do professor. Nenhuma produção será eficiente sem a liberdade da imaginação. Por isto, ao estudante deve ser revelado que os pensamentos são ideias e ideias são palavras, frases, textos.... Portanto, damos vida às ideias por meio da nossa voz e da escrita. A produção de texto é uma forma de dar vida as nossas ideias. Aliás, devemos considerar as respostas às atividades escritas como produção de texto e, inclusive, devem exploradas aquelas que levem as crianças a pensar e expor com liberdade as suas ideias. Por isto, os estudantes travam quando são solicitados a fazer uma produção de texto por não ter esse entendimento.

CONCLUSÃO

O retorno das aulas presenciais requer paciência do professor para não ficar refém de expectativas e frustrações. Não basta ficar lamentando as perdas e dificuldades, mas semear o conhecimento com serenidade, pois os resultados não serão imediatos. Também, o Plano de Ensino deverá ser mais enxuto de acordo com a necessidade da turma, sem pressa de avançar de um conteúdo para outro. Por consequência, o professor terá de elaborar os planejamentos das atividades não presenciais, das atividades presenciais, para os estudantes como necessidade especial, além das situações daqueles em fase de letramento.

Finalmente, expõe-se a dura realidade da sobrecarga do professor no ensino, no cuidado e monitoramento do protocolo de segurança com pitada de ansiedade e stress diante de uma realidade inédita na história da educação brasileira. Estamos diante de uma aposta de uma realidade desenhada para administração de riscos calculados. Mas para quem é leigo, devido as implicações legais e administrativas, é como acondicionar explosivos. Todo cuidado é pouco.

REFERÊNCIAS

ALVES, Rubem. Um céu numa flor silvestre: a beleza em todas as coisas. Campinas (SP): Verus Editora, 2005.

PORTARIA Nº 002-R, DE 09 DE JANEIRO DE 2021. Estabelece e divulga o mapeamento de risco, instituído pelo Decreto nº 4636-R, de 19 de abril de 2020, na forma da Portaria nº 171-R, de 29 de agosto de 2020, e dá outras providências.

SECRETARIA MUNICIPAL DE EDUCAÇÃO. Diretrizes gerais de retorno às atividades letivas presenciais nas Escolas Municipais de Ensino Fundamental da Rede Municipal de Ensino de Serra. Serra, 2020.

_________ Objetivos de Aprendizagem: Ensino Fundamental Educação de Jovens e Adultos. Serra, 2020.                                                              

segunda-feira, 7 de dezembro de 2020

PANDEMIA: COMUNICAÇÃO ENTRE ESCOLA E FAMÍLIAS

 

Fonte: google.com.br/imagens

Professor Gelcimar da Silva Pereira Nunes

INTRODUÇÃO

Acredito que cada texto é uma conversa, um diálogo, um relato das experiências apreendidas pelos órgãos dos sentidos. Por isto, meus textos têm esse caráter autobiográfico, fugindo do expediente burocrático da academia, que impõe ao estudante uma compilação de citações e comentários.  Logo, a fonte onde busco as abstrações são as rodas de conversas e a observação do mundo ao redor.

Atualmente, é inevitável a discussão sobre o avanço da pandemia do novo coronavírus no Brasil e no mundo, falar da prevenção e das perdas de pessoas tão próximas. Inda mais no interior da escola e das residências. Então, trago o relato das percepções nas conversas com colegas da área da educação, com pais, alunos e amigos. Isto proporciona uma reflexão sobre acontecimentos atuais e as perspectivas que nos cercam. Acredito que o extrato da realidade está presente entre nós e basta apenas um pouco de abstração para descrevê-la com o poder das palavras.

A ESCOLA E A TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO

            Com a internet, as redes sociais e WhatsApp ganharam impulso de consumo sem precedentes. A comunicação online ganhou vida artificial capaz de tocar nas emoções mais profundas, até mesmo, das pessoas antes insensíveis. O uso da tecnologia ganhou toques de necessidade básica de sobrevivência em meio ao caótico bombardeio de informações.

O mundo moderno é marcado pela tecnologia da informação e a geração atual tem o uso do aparelho celular como essencial para a vida. Até as crianças são moldadas ao consumo do entretenimento digital como distração sedentária para que os pais possam acomodar a sua rotina sem as interrupções no cuidado infantil. Por outro lado, a tecnologia empobreceu a verbalização do afeto entre pessoas, inclusive dentro da própria família. Há muita conversa online e pouco diálogo entre pais e filhos. Hoje, pessoas têm muitos seguidores e poucos amigos. A cultura do exibicionismo da alegria artificial tem sido um subterfúgio para esconder uma vida medíocre e fútil.  

            Infelizmente, esse padrão de comportamento atual, de alguma forma, afeta a escola. Será que casos de inquietação de estudantes na escola que tem relação com a abstinência do vício digital? Será que a dificuldade de memorização de conceitos e informações acadêmicas tem relação com o abusivo consumo de cultura inútil, devoradas pela internet? Claro, é uma hipótese para investigação o porquê de uma criança saber nomes completos de artistas, letras de música, narrar com desenvoltura casos e não conseguir absorver conceitos básicos da gramática, da aritmética e não saber produzir texto oral e escrito.

            Há quem defenda o uso do celular na escola como ferramenta didática. É um debate inconclusivo com opiniões favoráveis e contrárias. Porém, tem-se observado que a utilização dessa estratégia tem prevalecido no ensino médio, no ensino superior e em pouquíssimas escolas de ensino fundamental II. 

No ensino fundamental público, nossa experiência atual mostra transtornos causados por distrações em sala de aula, quando um estudante traz celular para a escola. No caso das crianças em fase de alfabetização, quando alguma delas traz o celular, há curiosidade e constrangimentos entre os estudantes. Por isto, a maioria dos regimentos escolares dos estabelecimentos de ensino público proíbe o uso do aparelho celular na escola.

            As privações da pandemia, trouxe para as escolas a vanguarda da tecnologia com as ferramentas digitais, até então, desconhecidas pela maioria dos educadores. Por consequência, a utilização de aplicativos e estratégias de comunicação online para reunião e planejamento didático foi uma adaptação imposta aos professores pela cruel realidade.

Também, as escolas particulares e universidades tiveram que mudar suas estratégias para oferecer a modalidade de ensino à distância aos estudantes. Sai de cena, o confronto direto da aula expositiva e a aglomeração dos grupos de estudo dirigido e surge a aula online com simultâneas salas de bate-papo entre professor e estudantes. Agora, prostrados diante do computador com cadernos e livros fazem o ritual do sacrifício acadêmico sem a presença física do sacerdote do saber. Antes, o ápice da aferição do aprendizado era o duelo do estudante com o papel da prova. Parecia que as questões queriam derrubar e levar à lona o cérebro alimentado com afinco nas aulas e estudos individuais. Agora, as provas são online com recursos digitais como o Google/Forms e outros.

Parece que esse desafio de se adaptar ao formato de aula e atividades online, instiga a curiosidade e autodisciplina com relação ao tempo e ao próprio aprendizado, principalmente nos estudantes do ensino superior. Mas, a reclamação é de que empobrece os estudos, sem a experiência das aulas práticas e interfere na formação discente. Como um estudante de mecânica vai ter aprendizagem efetiva sem aulas práticas? Outro problema é que os estudantes com mais dificuldade ficam privados do atendimento individualizado, visto que presencialmente o professor não está acessível.

            No entanto, a utilização da internet e das redes sociais pelas escolas públicas é repleta de timidez e cuidados. Por anos, os gestores dessas escolas veem com cautela o uso da tecnologia da informação para interagir com a comunidade escolar e local. Isto porque o caminhar no mundo digital e tecnológico obriga a escola a cercar-se de registros e documentos no tocante ao uso de imagens de pessoas, direitos autorais e possíveis implicações administrativas e jurídicas. Lamentavelmente, muita produção rica de conhecimentos é desperdiçada no ostracismo por mera precaução. A abusiva formalidade privou os profissionais da educação de ousarem na interação online com os estudantes e suas famílias, pois tudo deve ser documentado e arquivado na escola. Inclusive, até um recado a pais, por telefone, deve ter registro de data, horário e de quem atendeu. Para um professor com atividade intensa na escola, isso beira o excesso de zelo.

            Ora, a tecnologia da informação é um fenômeno recente para as escolas públicas bem como a inclusão digital de crianças e adolescentes. Para muitos professores, a informática se restringe ao uso do computador para editar textos e planilhas. Isto confronta com o aprendizado de muitos estudantes que utilizam aplicativos e ferramentas digitais. Para as crianças e adolescentes, baixar músicas, jogos e vídeos é mais cômodo do que comprar CD/DVD ou até mesmo a leitura de um livro. Logo, entender essa demanda é um desafio para os educadores que não são versáteis no mundo digital. Por outro lado, a escola não tem os recursos da tecnologia educacional que vá em direção a essa demanda.

            Na pandemia, a utilização das redes sociais como Facebook, Instagram e outros se restringiu a mensagem de otimismo de professores aos alunos, sem o aspecto de metodologia didática. Outro argumento restritivo, foi a denúncia de que a maioria dos estudantes não dispõe de internet e dos conhecimentos necessários para dominar a tecnologia da informação. Logo, o discurso da equidade soou no horizonte escolar em conformidade com o zelo docente. Seria, então, esse motivo porque parcela ínfima de pais de estudantes solicitou o envio de atividades online para os seus filhos?

Em tempo de pandemia, as escolas ofereceram Atividades Pedagógicas Não Presenciais – APNPs. No início, alguns professores disponibilizaram telefone para contato com as famílias. A orientação era que os pais e alunos dialogariam com os regentes em horário do teletrabalho. Porém, a orientação pedagógica não fluiu como o esperado, causando dúvidas e insatisfação entre os docentes e discentes. Isto, porque o contato inesperado à noite e até final de semana passou a interferir na rotina privada do professor. Então, a partir do relato de colegas, os professores de outras escolas abandonaram essa estratégia, inclusive com o uso do WhatsApp como metodologia de ensino.

Na entrega das Atividades Pedagógicas Não Presenciais – APNPs eram percebíveis a nostalgia e a insegurança no rosto dos pais de estudantes. Para eles, a distância afetiva da escola era maior do que o percurso da locomoção. Era um sentimento de perda, de abandono de propósito ver uma escola vazia, sem vida, em minutos intensos de silêncio. É compreensível os cuidados da frieza da formalidade sanitária, mas é difícil aceitar essa realidade de ruptura da cultura do ensino escolar. Para os pais, a escola se tornara um santuário despido dos rituais do saber para ter um expediente de orientações e instruções.

A ESCOLA E A SUBJETIVIDADE DAS RELAÇÕES HUMANAS 

Quisera expressar com mais fidedignidade toda percepção sensorial quanto rompimento abrupto do contato diário da escola com as famílias. Daquele momento em que pais ou mãe abordavam os professores na entrada das turmas para obter informações sobre seus filhos. Às vezes, o professor queria se desvencilhar daquela abordagem tão incisiva para acompanhar os educandos na fila e adentrá-los na sala de aula. Era o confronto direto da comunicação no qual a dialética da opinião divergente se manifestava espontaneamente. E, nessa troca de informações, os sentimentos de ambos (docentes e família) fluíam reflexivamente em prol do estudante. Mas, o interessante é que a ignorância sobre a nuance da personalidade da criança se manifestava diante da intelectualidade do professor e o senso comum do pais de alunos. Tal complexidade do ser humano desde a tenra infância intriga a todos, pois a educação da criança não obedece ao padrão de fábrica. Envolve sentimentos, intelectualidade e motivação.

            Agora com a suspensão das aulas presenciais nas escolas, percebo a melancolia no rosto dos professores e das famílias quando encontram a escola vazia, sem aquela agitação habitual causada pela aglomeração dos estudantes em diferentes momentos no prédio escolar. Os professores sentem falta daquele pedido insistente de silêncio ou até da repreensão dada àqueles estudantes mais afoitos em sua imaturidade infantil que, por vezes, causavam conflitos na aula e com colegas.

Com nostalgia, os mestres trazem à lembrança a adrenalina aflorada em momento de tensão quando esgotava os esforços de ajustamento de alguns discípulos à escola, bem como o conhecimento do educador e as estratégias do educandário. Então, o professor era desafiado a ser um pesquisador do seu próprio insucesso e do fracasso escolar do educando. Formava-se a rede de informações entre os professores com relatos de experiência, sugestões e solidariedade entre docentes. Também, a conversa com os pais das crianças não era apenas um balcão de reclamações e reivindicações, mas, também, era uma fonte de pesquisa para o educador sobre as metodologias do ensino que não foram contempladas na academia.

Por isto, trago à memória o calor humano presente nas conversas da sala do professor, onde a espontaneidade do riso proporcionava ideias em flor. Não era apenas pela oralidade espontânea, mas pelo companheirismo solidário que confortava uns aos outros em seus conflitos pessoais e no resgaste da autoestima do colega. Logo, a sala do professor rompia aquela formalidade, fria e vazia e trazia aquela conversa amistosa e intimista.

A sala de professores é ambiente de estudo e planejamento que traz a sensação de leveza, equilíbrio e flexibilidade nas relações humanas para celebrar a alegria de ser educador, mesmo nos dias de adversidade. Então, percebo que esse ambiente é o diagnóstico do relacionamento interpessoal no ambiente escolar como todo, pois, se não houver harmonia entre os educadores, isto refletirá na escola como um todo.

Nos tempos de pandemia, foi-se a glória das conversas nas salas da pedagogia e da direção onde o aprendizado da criança era colocado no centro do debate escolar. Nessa sala eram organizadas ideias e esperanças de aprendizado escolar como o desenho de uma paisagem de sucesso. Ali os pais entretecidos pela ansiedade, com cobranças e reclamações aguardavam respostas segundo a natureza do seu coração.

Agora, a aproximação entre escola e famílias tem a máscara da frieza do distanciamento social e das recomendações sanitárias. Como todas as instituições a escola aboliu a liberdade do calor do abraço e a energia do aperto de mãos. A ousadia do encontro e do confronto direto foi substituída pelo temor em receber a visita do intruso bichinho invisível. E, agora refém do medo, todas as pessoas são suspeitas de contaminação como se fossem leprosas: tem de ficar a distância e não pode tocar para não contaminar alguém.

CONCLUSÃO

Então, passo a defender a retirada de todas as máscaras: a máscara do medo, a máscara da indiferença, a máscara da hipocrisia, a máscara da manipulação política, a máscara do preconceito, etc. Claro, a pandemia nos obrigou a usar todos os tipos de máscaras de pano ou cirúrgica, mas deveria ser a oportunidade para arrancar as máscaras invisíveis. Embora, depois de algum tempo, essas máscaras encharquem e caem, revelando o verdadeiro caráter de muitas pessoas. Claro, todos nós usamos máscaras para não revelarmos a nossa verdadeira identidade e nos proteger do massacre do julgamento alheio. A escola não se isenta da regra quanto ao fracasso escolar, mascarado na promoção de estudantes que não dominam as proficiências básica.

 

REFERÊNCIAS:

Vou citar algumas obras que me inspiraram na escrita do texto.

ALVES, Rubem. Um Céu Numa Flor Silvestre: a Beleza Em Todas as Coisas. Campinas: Verus, 2009.

BOTTON, Alain de. Desejo de Status. Tradução de Ryta Vinagre. Rio de Janeiro: Rocco, 2005.

CHALITA, Gabriel. Educação: A solução está no afeto. Rio de Janeiro: Editora da Gente, 2001.

CURY. Augusto. O Semeador de Ideias: que atitudes tomaria se o mundo desabasse sobre você? São Paulo: Editora Academia de Inteligência, 2010.

LUCADO, Max. Viver sem Medo: redescobrindo uma vida de tranquilidade e paz interior. Tradução de Bárbara Coutinho e Leonardo Barroso. Rio de Janeiro: Thomas Nelson Brasil, 2009.

WOOD, John Keith. Abordagem centrada na pessoa. 3ª ed., Vitória: Edufes, 2008

quarta-feira, 18 de novembro de 2020

OS IMPACTOS NEGATIVOS DO CORONAVÍRUS PARA A EDUCAÇÃO

 

fonte: https://canpp.com.br/histeria/

Professor Gelcimar da Silva Pereira Nunes

INTRODUÇÃO

            Por força das circunstâncias, fui instado a escrever sobre as consequências da pandemia viral e respiratória do novo coronavírus (COVID-19) para a educação. Esse tema tem sido recorrente em reuniões e lives da educação com extensas repetições de chavões e jargões acadêmicos que beiram o senso comum. A discussão do tema é importante porque é um fenômeno recente tão presente na vida das pessoas e traz uma explosão ardente de sentimentos, de frustração e de esperanças. Logo, uma discussão acadêmica é insuficiente para traduzir esses reflexos interiores de cada pessoa em sua complexidade.

            Esse artigo foge do rigor do padrão acadêmico com o coletivo de enumerações e citações. O texto é um relato de experiência compartilhado com os demais docentes neste momento de pandemia. Então, escolhi alguns aspectos negativos do coronavírus na educação que foram apreendidos nas escutas dos diálogos com colegas professores, pais e estudantes.

1 – OS ASPECTOS EMOCIONAIS

            A pandemia trouxe perdas de saúde e de vidas, com impactos emocionais nunca vistos. Também, acarretou perdas econômicas. Muitos perderam seus empregos e seu padrão de vida antes estabilizado. E a nossa liberdade foi minguando aos limites de um confinamento forçado em nome da ciência, às vezes, comprometendo o direito as liberdades individuais e coletivas previstas na Constituição. Passamos a viver uma realidade de guerra em todos os aspectos de “Estado de Emergência”.

            Em função da pandemia foram baixados vários atos legais e normativos em âmbito nacional, estadual e municipal que culminaram com a suspensão das aulas. O município da Serra baixou até o momento cerca de 30 atos legais entre decretos, portarias, circulares, normas técnicas e resoluções. Logo, trata-se uma situação excepcional e que exige cuidados específicos.

Li textos e postagens que o confinamento na pandemia trouxe o resgate dos valores familiares: aproximou pais de filhos, marido e esposa, etc. Mostrou o valor da solidariedade, do repartir, do dividir.... Ajudou as pessoas a redescobrirem o amor e a misericórdia.

Discordo. O argumento que resume tudo isto foi apresentado pelo filósofo Luiz Felipe Pondé em entrevista à TV Brasil no dia 31/05/2020: “A pandemia é uma doença social”. Isto porque a pandemia gera um sentimento de insegurança e desespero; um verdadeiro frenesi. As pessoas sentiram que o mundo desabou sobre as suas cabeças da noite para o dia. Ficaram sem chão, sem expectativas. Pensamentos catastróficos aterrissaram sobre suas cabeças: “o apocalipse chegou. Então vamos nos preparar para o fim do mundo”.  Inegavelmente, a histeria e o pânico dos adultos atingiram, também, as crianças. Nesse momento de histeria, pessoas idosas e pertencentes ao grupo de risco foram segregadas a uma quarentena. Os idosos foram privados do convívio com parentes, e as crianças foram consideradas vetores de transmissão do vírus com risco de morte aos avós. Lamentável, mas talvez necessário?... O tempo dirá.

            O fator emocional foi agravado pelo bombardeio de informações na mídia e nas redes sociais dia e noite. O ápice da notícia era contagem de mortos diários por COVID-19. Parece que os jornalistas estavam inculcando a seguinte frase: “A próxima vítima pode ser você! ”  E o consumo indiscriminado de notícias ruins e, até mesmo de fake News, prejudicou a saúde mental de muita gente.

            Nos momentos iniciais da pandemia, percebi o apego a fé como válvula de escape para o enfrentamento do medo e da angústia. As pessoas queriam um fio de esperança nesse universo de incertezas. Confinadas em seus apartamentos e casas, cantavam canções religiosas ou seculares com fervor no intuito de quebrarem as amarras psicológicas da desesperança.

Mas, como explicar para as crianças que um vírus que teve epicentro na China atravessou o Oceano e chegou até nós? Crianças maiores podem até entender alguma coisa. E as crianças pequenas? Como explicar para as crianças que não podem ir para a escola ou brincar na rua? Que não podem beijar e abraçar os seus avós.

            Lembro de uma situação em que uma ex-aluna adolescente me encontrou na rua e no impulso correu e me abraçou. Ela estava sem máscara e a despeito de todas as medidas de proteção correspondi ao seu abraço. Não podia frustrar sua alegria e entusiasmo, principalmente pela gratidão que ela apresentou nesse encontro. Então pensei: “existe um vírus maior que o coronavírus: é o preconceito. Ela não está leprosa. É um ser humano e Jesus tocou em leprosos. A despeito da pandemia não posso tratá-la com indiferença, principalmente por conhecer sua história social”. Outras situações ocorreram e em todas correspondi ao afeto recebido. Depois, ouvi relato de casos de pessoas que foram vítimas de preconceito porque tiveram COVID.

            Contudo, são percebíveis a tristeza e a frustração das crianças porque as escolas estão fechadas. Alguns alunos me perguntaram: “Tio, quando voltam às aulas? ” Apesar de reproduzirem a informação recebidas por pais e a mídia, nunca vivenciaram um momento como esse. Agora todas as emoções estão colocadas à prova e não tem os pais para protege-los como outrora reclamavam da professora e da escola. É algo que está além da força da indignação dos genitores.

            Inda mais, é percebível no olhar a frustração dos professores quando comparecem à escola e sentem nostalgia, um vazio no peito pelo silêncio do prédio outrora cheio de vida pelo barulho, correria e agitação das crianças. Aquela escola cheia de vida, agora é um prédio frio, depositário de documentos, móveis e de expediente burocrático. A pandemia matou a essência da escola que é a comunhão entre estudantes, pais, professores, etc.

2. ASPECTOS SOCIAIS E ECONÔMICOS

            O isolamento social foi uma medida factível para combater o avanço da pandemia e levou os governos a fechar prédios públicos, incluindo as escolas. Então, surgiu a modalidade de trabalho home office ou teletrabalho para que os serviços públicos não fossem totalmente paralisados.

A pandemia trouxe a interrupção abrupta do processo ensino-aprendizagem na escola. Muitos alunos estão em processo de alfabetização e sequer dominam a leitura e escrita. Eles dependem da supervisão direta de um adulto tanto para a motivação como para facilitar a assimilação dos conteúdos. Como esperar que um estudante aprenda a ler sozinho ou que um pai consiga alfabetizar uma criança? É possível, mas não é usual aprender sem a presença de um profissional da educação.

            Consequentemente, os professores tiveram que se adequar ao mundo digital e tecnológico para participar de reuniões online e de lives. As mídias sociais como WhatsApp, Facebook e Youtube se tornaram mais usuais. Contudo, nem todos os profissionais são tão funcionais no mundo digital. A frieza da conversação online substituiu aquelas reuniões repletas de calor humano. Agora, até a orientação e o planejamento didático passam a ser por meio de mídias digitais.

            A pretensão de envolver os alunos nesse universo digital não atingiu as expectativas. As desigualdades sociais entre os estudantes foram apresentadas como o argumento mais pertinente para o insucesso das interfaces entre os discentes e docentes. Aliás, a escola cumpre um papel social muito importante, sendo referência para uma comunidade.

O primeiro aspecto da desigualdade é a vulnerabilidade social de muitas famílias que dependem da escola na alimentação de seus filhos, mais do que a educação em si. Também, muitos pais trabalhadores dependem da escola para cuidar de seus filhos, mesmo que seja em um turno. Portanto, não tem a educação como prioridade e, consequentemente, as crianças não são incentivadas a dar o devido valor ao estudo. Então, distante da mentoria dos mestres e sem o apoio da família, esses estudantes ficarão fadados ao fracasso escolar.

Decorrente desse aspecto, temos a exclusão digital, principalmente nas classes populares situadas nas periferias das grandes cidades. Por isso, as opções de orientação aos estudantes por aula online ou material pela internet não estão acessíveis, embora o celular seja o equipamento usual por adultos, crianças e até moradores de rua. Contudo, a internet não é um recurso universal.

Também, até as escolas não dispõem de recursos suficientes para o contato com as famílias das crianças, tal como telefone celular institucional. Um mesmo celular institucional é utilizado por vários professores e é insuficiente para atender a demanda de contato com as famílias. Logo, a orientação por mídia social é breve, precária e insuficiente. Às vezes, produz mais dúvidas do que certezas.

As atividades pedagógicas não presenciais – APNPs foram apresentadas como estratégia atenuante para a aprendizagem perdida nesse mar de incertezas. Mas cadê o professor? Como avaliar o esforço e o desamino por não dominar as proficiências das questões apresentadas? Claro, as APNPs nivelaram os estudantes ao mesmo patamar meritocrático. Ficaram entregues a sorte de sua aspiração acadêmica, mesmo diante da estrutura prometida que ficou comprometida ao longo do percurso acadêmico.

Por outro lado, professores ficaram receosos até mesmo com a simples manipulação de papéis, mesmo cercando-se de cuidados. Além disso, sucumbiram à angústia quanto ao retorno das aulas sem a devida garantia de segurança sanitária. Um dos fatos que corrobora para esse sofrimento é o bombardeio de notícias na mídia e fake news. Sim, algumas discussões em rede social acusam os professores de leniência ideológica e desinteresse, ignorando suas reais motivações.  Por outro lado, há pais que consideram imprudente enviar seus filhos para escola sem as devidas garantias.

Li vários artigos e algumas lives sobre o tema “A educação na pandemia”. Algumas palestras com argumentos bem repetitivos e repletos de frases genéricas como: “Precisamos nos adequar ao novo normal”. Sim, e daí?

De todas as palestras, quero destacar a exposição do cientista político Daniel Tojeira Cara, na Assembleia Municipal de Educação da Serra – AMED, realizada no 30/09/2020. Em sua palestra disse que a pandemia causou impactos irreversíveis na área da educação, impactando sua qualidade do ensino, estrutura e financiamento. Isto porque a pandemia não representou o incremento de recursos na educação, pois o foco agora dos governos é o investimento na saúde e nos atenuantes da crise econômica.

Concordo com o Daniel Cara, quando ele diz, que a pandemia do coronavírus inevitavelmente compromete ainda mais a qualidade da educação, pois o investimento público vem caindo ao longo dos anos, impactando na formação docente, na estrutura e outros insumos básicos. O investimento é fundamental, pois a educação é cara e o investimento em pessoas demanda tempo e recursos ao longo dos anos. Isto, porque o ser humano não é forjado como ferramenta de fábrica, mas em sua personalidade que é desenvolvida por meio da instrução e das interações sociais durante seu ciclo de vida.

CONCLUSÃO

Tenho opinião é de que o ano de 2020 trouxe resultado inócuo para a aprendizagem das crianças. Tal opinião é corroborada ao saber que alguns pais contrataram aulas particulares para seus filhos. Mas quem não pode, como fica?

Diante da persistência da enfermidade com a 2ª onda, urge necessidade de buscar alternativas para o próximo ano letivo, pois a praga ainda não cessou. Há expectativa de vacina, mas sua aplicação depende da conclusão da fase de testes, como aprovação pela Anvisa e Ministério da Saúde. Então, é precipitado, falar em vacinação em massa, sem existência regular de uma vacina.

A realidade desenhada para educação que todos seriam vacinados antes do início do ano letivo seguinte não se concretizará, porque a aprovação de uma vacina é processo complexo e demorado. Logo, persiste a recomendação da higienização e dos cuidados sanitários, pois estamos rodeados de uma circunstância inevitável e imprevisível que é a pandemia do novo coronavírus. Contudo, ainda há uma esperança para essa geração se incumbirmos da responsabilidade de superar o problema com disciplina e fé.

REFERÊNCIAS

BOTTON, Alain de. As consolações da Filosofia. São Paulo: Saraiva, 2012.

CARA, Daniel Tojeira. Palestra proferida no dia 31/09/2020. Disponível em https://www.youtube.com/watch?v=5AtJ7wrzAy0

CURY. Augusto. O Semeador de Ideias: que atitudes tomaria se o mundo desabasse sobre você? São Paulo: Editora Academia de Inteligência, 2010.

PONDÉ, Luiz Felipe. Entrevista na TV Brasil no dia 31/05/2020. Disponível em https://tvbrasil.ebc.com.br/impressoes/2020/05/epidemia-e-uma-doenca-social-diz-o-filosofo-luiz-felipe-ponde acesso em 18/11/2020.

SERRA, Secretaria Municipal de. Documento de Orientações às Escolas Municipais de Ensino Fundamental para fins de Teletrabalho, 2020.

________ Portaria nº 008/2020. Autoriza a realização e distribuição (impressas ou online) de atividades pedagógicas não presenciais – APNP nas unidades de ensino por meio do regime de teletrabalho e dá outras providências em razão da epidemia de doença infecciosa viral e respiratória – COVID 19 (novo coronavírus).